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Editorial
| Depoimento
Certificação do Circuito Pico da Bandeira
Grupo de 16 franceses percorre o Caminho da Luz
Franceses fazem doaçao... para a Casa das
Crianças
T elefônicas respondem ofícios... celular
para a região
Rede Globo de televisão esteve no Caminho
da Luz ...
A volta do carretel
Pensamento
“O
amor é a música que embala o sonho dos justos. É
a parcela divina que fluidifica a densa matéria. È
a chama sagrada que acende a luz da consciência e do viver”.
Albinno
Neves
Depoimento
Caro
Albino,
Estou retornando do Caminho da Luz e este e-mail é somente
para agradecer as informações recebidas e parabeniza-lo
pela criação deste caminho. Eu e minha esposa ficamos
impressionados e deslumbrados pela beleza de todo o trajeto, pela
simpatia, solidariedade e hospitalidade das pessoas durante toda
nossa caminhada.
Em todos os lugares as pessoas foram muitas simpáticas, e
sem excessão, todas as vezes que precisamos de água,
parecia até que as pessoas estavam nos esperando, pois sempre
tinham um litro PET geladinho para encher nossos cantis. Chegamos
a ficar emocionados com a preocupação de algumas pessoas
em atender bem aos caminhantes.
Já percorremos outros caminhos e podemos afirmar que o Caminho
da Luz oferece tudo que o caminhante busca:
- Apoio para começar, pernoitar e seguir em frente
- Segurança e tranquilidade para caminhar.
- Solidariedade, simpatia e hospitalidade para emocionar e alegrar.
- Beleza para contemplar
- Religiosidade e misticismo para acalmar
Não tenho dúvidas de que este será realmente
O CAMINHO DO BRASIL.
Parabens e obrigado
Um abraço
Altamiro Lima
Editorial
Lamentavelmente,
muitas pessoas confundem desenvolvimento com destruição
ambiental e assim sendo o meio ambiente vem sofrendo, ao longo dos
anos, devastações que hoje podem ser vistas e sentidas
por toda a humanidade.
Erosão, assoreamento de rios, desmatamento, fogo criminoso,
poluição, desmoronamento, rios e nascentes secando,
são alguns dos danos mais comuns devido ao progresso desordenado.
É preciso que o homem moderno tome consciência de que
todo desenvolvimento deve ser sustentável, tendo em vista
que o planeta Terra é um só, e que a sua destruição
tráz como conseqüência inevitável a inviabilidade
de vida do homem sobre a terra.
Hoje pagamos o erro do homem de ontem e certamente, se continuarmos
dando prosseguimento a toda a destruição ambiental
que vem devastando o mundo através dos tempos, seremos nós
os criminosos de amanhã.
Enquanto a ganância, a irresponsabilidade, a imprudência,
a leviandade, a falta de humanidade e a falta de respeito ao meio
ambiente continuarem operando, o planeta continuará definhando
e o homem sofrendo os danos causados devido a esse quadro altamente
destrutivo, construído ao longo da história da humanidade.
Enchentes, maremotos, tufões e secas são algumas das
conseqüência dos males causados pelo homem ao meio ambiente.
A seca de trechos de rios no Amazonas deve servir de exemplo para
toda a humanidade. Devido à destruição ambiental,
locais onde antes o rio era caudaloso hoje se transformaram em verdadeiros
desertos.
Até quando o homem vai se mostrar insensível à
questão da importância da preservação
ambiental? Até quando o homem vai continuar produzindo lixo
em abundância? Até quando vai continuar lançando
sobre os córregos e rios o esgoto caseiro e hospitalar? Até
quando o homem vai tratar o meio ambiente como se ele fosse eterno
e imortal?
É preciso que os governantes e o povo tracem um caminho comum
capaz de reverter esse quadro de destruição e passem
juntos a preservar o meio ambiente, numa ação conjunta
em favor da vida e da humanidade.
Sem uma ação conjunta e sem a consciência de
todos, torna-se impossível a manutenção da
vida futura da humanidade.
Ainda há tempo, basta que todos acordem e se conscientizem
de que a responsabilidade para com a humanidade é de todos.
Albinno Neves
Certificação
do Circuito Pico da Bandeira deverá acontecer até
18 de dezembro
A
reunião realizada no salão de convenções
do Parque Nacional do Caparaó, no dia 8 para a escolha dos
presidentes dos Conselhos Administrativo e Fiscal do Circuito Pico
da Bandeira foi mais um importante passo para a certificação
do mesmo.
Na abertura, o gestor Francisco Mello anunciou que pretende enviar
a documentação do Circuito nos próximos dias
para ser avaliada pela Secretaria de Turismo do Estado de Minas
Gerais.
O presidente do Circuito, prefeito Sebastião Salles, de Caiana,
falou sobre a importância de todos os 16 municípios
que participam do circuito acelerarem a documentação
para que possa haver a certificação ainda este ano.
Caso contrário, explicou ele, “só conseguiremos
a certificação em maio de 2006”.
O prefeito de Alto Caparaó, Juninho Jacomel, disse reconhecer
ser o turismo uma importante fonte de renda para seu município
e para os demais municípios da região e lamentou que
seu município não estivesse recebendo os recursos
que lhe cabem devido às belezas naturais que possui.
Ainda na abertura, Francisco Melo falou que o Circuito fez um convênio
com o Banco do Brasil para a exposição “Um Brasil
Sem Fome” e recebeu, por parte da Agência Nacional de
Transporte Terrestre – ANTT, a resposta de que existe a possibilidade
da reativação de um trecho da ferrovia. A direção
do Circuito sugeriu então que o trecho a ser reativado seja
de Tombos a Manhuaçu.
Após as colocações feitas pelo gestor, os presentes
foram divididos em dois grupos: um para a escolha da Presidência
do Conselho Fiscal, que culminou com a eleição de
Carlos Henrique Cruz, para presidente, e de Isaac Malte Júnior,
para vice-presidente.
Na eleição do Conselho Administrativo, Paulo Roberto
Corrêa foi eleito presidente e Kátia Carrara de Miranda,
vice-presidente.
Depois da eleição dos presidentes dos Conselhos, o
gestor entregou nas mãos do presidente Sebastião Salles
e dos diretores Silvanir Simplício de Andrade (Pedra Dourada),
José Clério Alves Terra – Clerinho (Faria Lemos)
e Ivan Carlos de Andrade (Tombos), uma cópia do plano de
trabalho executado em sua gestão até o momento.
Estiveram presentes à reunião os prefeitos Sebastião
Salles, José Clério Alves Terra, Padre Ronaldo Lopes
(Manhumirim), Dr. Fernando Costa (Carangola), José Jacomel
Júnior, Ivan Carlos de Andrade, Silvanir Andrade e Antônio
Matos Lopes (Alto Jequitibá), além de representantes
dos demais municípios componentes no Circuito Pico da Bandeira.
O secretário de Turismo de Carangola, Leonardo Carneiro,
ofereceu aos membros do Circuito a participação nos
cursos conseguidos por ele como presidente do Circuito Turístico
Minas-Rio, a fim de qualificar os integrantes do círculo.
Francisco Mello anunciou que o Senac e o Sebrae vão oferecer,
no próximo ano, 28 cursos para os municípios participantes
do Circuito Pico da Bandeira, e que isso já seria parte da
certificação.
Ao encerrar a solenidade, o prefeito Sebastião Salles convidou
a todos a participarem, no dia 6 de dezembro, às 15h, em
Manhumirim, da reunião que vai determinar a forma de certificação
do Circuito Pico da Bandeira, que deverá acontecer no dia
18 de dezembro, na cidade de Espera Feliz, por ocasião das
comemorações de aniversário daquele município.
O presidente da Associação Brasileira dos Amigos do
Caminho da Luz – ABRALUZ, Albino Neves, aproveitou a ocasião
para solicitar do prefeito de Alto Caparaó a reativação
das secretarias de Turismo e Meio Ambiente daquele município
e também a reinstalação da Casa da Cultura,
lembrando que Alto Caparaó tem um papel fundamental no Circuito
Pico da Bandeira.
Juninho Jacomel disse que se viu obrigado a fechar as referidas
secretarias e a Casa da Cultura a fim de economizar dinheiro para
o município e saldar sua dívida junto ao INSS, de
forma que possa obter as certidões negativas, necessárias
para receber recursos advindos de convênios junto aos governos
estadual e federal.
Ao final do evento, a direção do Parque Nacional do
Caparaó ofereceu um lanche a todos os presentes.
“Achamos por demais importante a certificação
do Circuito Pico da Bandeira como importante instrumento de incremento
ao turismo regional”, destacou Dr. Fernando Costa.
“Para nós, a certificação vai abrir um
importante espaço para o desenvolvimento turístico
regional”, destacou o prefeito Antônio Matos Lopes.
“Precisamos avançar em termos turísticos, pois
o turismo se mostra como uma importante opção para
o nosso desenvolvimento econômico e para resolver problemas
sérios, como as questões econômicas e de desemprego”
, destacou Ivan Andrade.
“Não podemos esperar que as coisas caiam do céu.
Precisamos agir. Turismo se faz com preservação ambiental,
tratamento de lixo e esgoto, preservação dos patrimônios
históricos, culturais e geográficos e a conscientização
da população. Creio que a certificação
do Circuito Pico da Bandeira será um em instrumento importante
para tornar o sonho turístico regional em realidade, assim
como o Caminho da Luz é hoje uma realidade para toda região,
para Minas e o Brasil”, preconizou Albino Neves.
“Espero que o funcionamento do circuito dê a todos os
municípios um tratamento igualitário, para que todos
sejam beneficiados” conclamou que Clerinho.
No encerramento da reunião, Sebastião Salles disse
que acha muito bem vinda a proposta trazida por Albino Neves sobre
a inclusão, após a certificação do município
de Divino ao Circuito, e destacou que, com a certificação,
todos os municípios componentes do circuito receberão
uma folhetaria do circuito e outra de seu município, sendo
este um passo importante para a divulgação turística
regional, arrematou o presidente.
Grupo
de 16 franceses percorre o Caminho da Luz
No
mês de setembro, um grupo de nove franceses veio ao Brasil
exclusivamente para percorrer o Caminho da Luz – o Caminho
do Brasil.
No dia 6, um outro grupo, desta vez composto de 16 franceses, voltou
ao Caminho da Luz iniciando a peregrinação na cidade
de Tombos, no dia 7.
O grupo recebeu assistência do Grupo de Apoio Luz do Caminho,
através de Jorge Nelson e Ângela.
Durante a peregrinação de sete dias, liderados por
Jean Claude Audigier, o grupo formado por Lavall – Daniel,
Lavall – Louise, Srail Aicha, Ferry Germain Marie Helene,
Robert Peruzzi, Peruzzi Gorgone, Latil Roselghe, Latil Chantal,
Durdu, Barbet – Carrere, Vigne, César, Jean Claude
César, Vally e Lainé Edwige pôde conhecer um
pouco das belezas naturais da região, da cultura e da história
dos municípios e comunidades de Tombos, Catuné, Pedra
Dourada, Faria lemos, Carangola, Caiana, Espera Feliz, Caparaó
e Alto Caparaó.
Segundo o francês Jean Claude, novos grupos de franceses virão
percorrer o Caminho da Luz no próximo ano, já que,
além de bela, a região oferece solidariedade, amor
e carinho a todos aqueles que percorrem a via de peregrinação.
“No Caminho da Luz nós nos sentimos em casa, as pessoas
são acolhedoras e estão sempre prontas a servir. Isso
faz com que, a cada dia que passa, o caminho se torne ainda mais
atraente para nós, franceses e europeus”, afirmou.
Jean-Claude disse ainda que o Grupo de Apoio Luz do Caminho presta
um serviço de suma importância para aqueles que vêm
em grupo, quer no transporte de mochilas, quer servindo lanches
e sucos, dando suporte a todo o grupo e, ao mesmo tempo, oferece-nos
a garantia de segurança necessária para uma caminhada
tranqüila.
“Esperamos fazer, no próximo ano, um importante intercâmbio
artístico-cultural com o Brasil, ou melhor, com os músicos
e artistas da região. Para isso, pretendemos trazer estudantes
franceses para aprender um pouco da cultura local e ao mesmo tempo
ensinar um pouco daquilo que temos em nosso país”,
finalizou Jean Claude.
Franceses
fazem doaçao para aquisiçao de terreno para a Casa
das Crianças
Em
sua terceira vinda ao Caminho da Luz, o Caminho do Brasil, o francês
Jean-Claude Audigier representante da Associação DEPARTS
- Desenvolvimento de Intercâmbio Projeto de Ação
Rural para Turismo Solidário, doou para a Casa da Criança
de Carangola, em nome da entidade R$ 5 mil para ajudar na aquisição
de um terreno para Casa das Crianças.
Jean Claude disse que a entidade escolheu a Casa da Criança
por indicação da Associação Brasileira
dos Amigos do Caminho da Luz - ABRALUZ e porque a DEPARTS ter com
um dos princípios “ajudar as crianças para que
elas tenham uma melhor qualidade de vida. A finalidade da doação
é ajudar na educação e desenvolvimento das
crianças e Carangola além de ser um lugar bem agradável
parece não encontrar o mesmo apoio que encontram os grande
centros urbanos do país com a visita de estrangeiros que
vem ao Brasil a fim de contribuir de alguma forma com a melhoria
da qualidade de vida das pessoas” enfatizou Jean Claude.
A doação aconteceu na loja “Móveis Tupi”
no dia 10 por ocasião da passagem de um grupo de 16 franceses
que vieram percorrer o Caminho da Luz no período de 7 a 13
de novembro.
A entrega do dinheiro foi feita ao Rogério Fernandes na presença
do presidente da ABRALUZ Albino Neves e de Francisco Alexandre da
Caixa econômica Federal.
Companhias
telefônicas respondem ofícios que solicitam telefonia
celular para a região
O
presidente da Associação Brasileira dos Amigos do
Caminho da Luz, Albino Neves, tem envidado todos os esforços
objetivando conseguir a implantação do sistema de
telefonia celular para os municípios de Tombos, Pedra Dourada,
Caiana, Caparaó e Alto Caparaó e também para
a comunidade de Catuné.
Durante a audiência pública feita pela Comissão
de Assuntos Municipais da Assembléia Legislativa de Minas
Gerais, Albino Neves reivindicou a interferência dos deputados
junto às empresas de telefonia celular, solicitando o estudo
para a realização deste clamor da sociedade e necessidade
do Caminho.
Na semana passada, em resposta aos ofícios endereçados
pelos deputados estaduais Adalclever Lopez e Leonardo Quintão,
Albino Neves recebeu respostas das empresas Oi, Tim e Telemig Celular.
A Oi comunicou que “existem avaliações mercadológicas
que indicam a ordem de prioridades para a extensão da cobertura
a aquelas áreas que, pelo quantitativo da sua população,
não geram compromisso de abrangência. Este é
o caso dos municípios de Tombos, Pedra Dourada, Caparaó
e Alto Caparaó e também para a comunidade de Catuné.
A solicitação que nos foi encaminhada está
sendo registrada para a inclusão em futuras avaliações
mercadológicas, com um objetivo de determinar a viabilidade
desse atendimento”, destacou o gerente de planejamento da
Oi, Carlos Henrique Silva Malab.
Leandro Guerra, do Departamento de Assuntos Regulatórios
da empresa Tim, destacou que o orçamento para o ano de 2005
já foi definido e que estão sendo considerados reforços
de cobertura em algumas áreas já atendidas e expansão
para outras cidades que não contemplam a referida região.
No entanto, ressaltou que a crescente expansão de cobertura
que a Tim vem atingindo nas principais regiões do país
não deixa descartada a hipótese de atendimento da
solicitação no futuro.
A Telemig Celular disse que a solicitação feita ficou
registrada e que a empresa trabalha continuamente para superar os
limites orçamentários e ampliar o número de
localidades atendidas. Na opinião da Coordenadora de Regulamentação,
Margaret de Almeida Cadête Moonsammy, por razões técnicas
e econômicas, a empresa está impossibilitada de atender
o pleito feito pela ABRALUZ de imediato, por questões baseadas
em critérios técnicos, tais como relevo e disponibilidade
de transmissão digital, assim como o número de habitantes
e índice de atividade econômica, dentre outros, mas
não descartou a possibilidade da implantação.
Albino Neves disse que a resposta das empresas não põe
um ponto final na questão e arrematou: “Água
mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Vamos estar
com o Ministro das Comunicações Hélio Costa
mais uma vez, e reafirmar a necessidade de seu empenho junto às
prestadoras de serviço, a fim de conseguirmos realizar este
sonho dos municípios e esta necessidade do Caminho”.
Rede
Globo de televisão esteve no Caminho da Luz para produzir
o programa Terra de Minas
A
Rede Globo de Televisão de Minas Gerais, que produz o programa
Terra de Minas, esteve percorrendo o Caminho da Luz, o Caminho do
Brasil, no período de 31 de outubro a 5 de novembro, com
o objetivo de mostrar as belezas, a cultura e a importância
do Caminho como rota de peregrinação de Minas e do
Brasil.
Participaram da reportagem o câmera Francisco Peixoto, o auxiliar
Sebastião Alexandre e a repórter Fabiana Almeida.
O primeiro contato entre a Rede Globo e o presidente da Associação
Brasileira dos Amigos do Caminho da Luz – ABRALUZ, Albino
neves, foi feito pela apresentadora do programa Terra de Minas,
Juliana Perdigão.
No dia 31, a equipe de reportagem participou, na Cachoeira de Tombos,
da saída de doze caminhantes.
Também na base da Cachoeira de Tombos, depois de entrevistar
alguns caminhantes, Fabiana entrevistou o indigenista Itatuitin
Ruas, que explicou à repórter que, há vários
séculos, índios vindos de Campos dos Goytacases, de
São Fidélis e de vários outros pontos do Brasil,
em busca da Terra dos Sem Males, passavam por onde hoje é
o Caminho da Luz em direção à Montanha Sagrada
do Brasil, o Pico da Bandeira, local onde os índios acreditam
ser a morada de seus deuses.
Itatuitin disse ainda que, pelo fato dos índios serem um
dos primeiros habitantes das Américas, não seria nenhum
absurdo dizer que o Caminho da Luz é tão antigo quanto
o Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, ou o Caminho de
Machu Pichu, no Peru.
O indigenista é um profundo conhecedor da cultura de sua
raça e um estudioso do assunto indígena. Sua declaração
só veio reafirmar o que diz Albino Neves, quando afirma que
não é criador de nada, mas “apenas um instrumento
nas mãos de Deus”, e que cada um que caminha ou recebe
os caminhantes, colabora com o Caminho “colocando um tijolo
na construção do mesmo”.
Após fazer várias tomadas no município de Tombos
e de ter assistido a uma apresentação do grupo de
Caxambu de Carangola, a equipe de televisão partiu, no dia
seguinte, em direção a Catuné. No meio do trajeto,
a equipe teve a oportunidade de conhecer alguns cavaleiros que percorriam
o Caminho a cavalo. Na Fazenda Oliveira, os cavaleiros concederam
à emissora uma entrevista falando sobre a importância
do Caminho da Luz como rota de peregrinação e própria
para cavalgada.
Na gruta Santa de Catuné, a TV entrevistou dona Dulce Fulmian
que contou um pouco da história daquele lugar sagrado. Na
ocasião, a equipe acompanhava os caminhantes Zezé,
Eliane, Roberto, Tereza e Albino Neves.
No Balneário da Igrejinha, caminhantes e TV foram recebidos
com um farto café da manhã, oferecido por Teresinha
Natalino e pela comunidade local.
Já em Água Santa a equipe pôde conhecer um pouco
da cultura daquele lugar.
Ao chegar em Pedra Dourada, todos foram acolhidos por dona Ana e
seu marido Zito.
A anfitriã contou à repórter que o Caminho
da Luz trouxe de volta, a vida, e para a comunidade, a alegria,
e explica o motivo: “Todos os dias temos pessoas percorrendo
o Caminho da Luz. Esta semana mesmo estaremos recebendo 16 franceses”.
Na partida dos caminhantes, na manhã seguinte, dona Ana ofereceu
um trecho da leitura bíblica a todos, desejando uma boa caminhada.
Ao deixar Pedra Dourada, a equipe de reportagem deparou com os ciclistas
Paulo Basstos e Paulo Félix, que falaram sobre as belezas
da região, destacando que já fizeram o Caminho à
pé, mas que, pela primeira vez, o estavam fazendo de bicicleta.
Na ida para Faria Lemos passaram pela Cachoeira Surpresa e também
conheceram o caminho das águas que descem do Cafarnaun e
deságuam no Rio Carangola, já em Faria Lemos.
De Faria lemos, a equipe rumou para Carangola, onde pôde conhecer,
no prédio da extinta ferrovia, um pouco do artesanato local,
exposto pela Cooperativa dos Artesãos.
Em direção à Caiana, passando por Parada General,
conheceram um dos trechos mais belos do Caminho – aquele que
liga à Ernestina e que é repleto de paredes de bromélias,
samambaias, avencas, além das minas de água e cristais.
Caiana é um lugar onde os cristais abundam pelas estradas,
fazendo com que esta parte do percurso brilhe como se o chão
fosse reflexo do céu estrelado.
Na cidade de Espera Feliz, a equipe de reportagem e os caminhantes
se encantaram com a beleza dos jardins e a história do lugar.
Naquela cidade, pararam na capela da Milagrosa Virgem do Rosário
da Pompéia com o objetivo de fazerem suas orações,
rumando em seguida em direção ao Caparaó, passando
antes por Quicé e Pedra Menina, dali seguindo para o Alto
Caparaó.
Ao chegar em Alto Caparaó, a equipe que acompanhava os caminhantes
visitou a igreja de São Paulo Apóstolo, local onde,
durante as caminhadas coletivas promovidas pela ABRALUZ com início
no terceiro domingo do mês de julho, os caminhantes, vindos
de todas as regiões do país e de vários outros
países do mundo, param para orar em agradecimento à
caminhada e também prestam seus depoimentos sobre como sentiram
o Caminho.
No último dia da estada da TV Globo na região, a equipe
pôde acompanhar os caminhantes Albino Neves, Teresa Nardelli,
João Batista Tranin e Roberto Resende Ferreira ao Pico da
Bandeira, situado no Parque Nacional do Caparaó, a 2.892m
de altitude. O Pico é o terceiro mais alto do país
e o mais alto acessível.
Apesar de terem pegado chuvas em quase todo o Caminho, a subida
ao Pico da Bandeira foi feita com tempo bom, o que possibilitou
a caminhantes e equipe de reportagem desfrutarem das belezas do
Parque, das montanhas de Minas e de uma visão esplendorosa
do lugar.
No alto do Pico da Bandeira, João Batista (64 anos) se emocionou
ao contar que, a cada vez que percorre o Caminho da Luz e chega
naquele lugar, sente que “Deus tem sido muito bom com ele”
dando-lhe saúde e vida para, naquela idade, chegar àquele
lugar sagrado.
A mais nova caminhante do grupo, Teresa Nardelli, disse que sente
suas energias renovadas a cada vez que vai ao Pico da Bandeira,
e que volta muito mais disposta, com mais saúde, sentindo-se
espiritualmente amadurecida.
No topo da Montanha Sagrada do Brasil, local onde o presidente da
ABRALUZ diz ter tido a visão para da criação
do Caminho da Luz, o Caminho do Brasil, Albino Neves afirmou que
chegar àquele lugar é como voltar ao útero,
onde tudo começou, e toda vez que retorna ao Pico da Bandeira
sente o quanto Deus foi generoso com ele, dando-lhe esta missão.
O programa Terra de Minas, editado pela Rede Globo de Televisão
e retransmitido através da Globo News para mais de 50 países
do mundo, vai proporcionar uma grande divulgação do
Caminho da Luz e da região. Segundo a equipe de reportagem,
o mesmo vai ao ar ainda no mês de novembro.
Para Albino Neves é importante que os prefeitos e lideranças
políticas, comerciais e industriais da região atentem
para importância do Caminho da Luz como uma nova opção
de renda para os seus municípios e para o desenvolvimento
regional. Segundo ele, é preciso que os municípios
comecem a preocupar-se mais com a questão da preservação
ambiental, cultural e histórica, do tratamento do lixo e
do esgoto, e do embelezamento de seus municípios para que,
dessa forma, o caminhante – que vem percorrer o Caminho da
Luz – possa sentir-se incentivado a retornar à região
para fazer turismo com sua família, como alguns já
vêm fazendo e, assim, gerar nova fonte de renda e emprego
para os municípios e comunidades de Tombos, Catuné,
Água Santa, Pedra Dourada, Faria Lemos, Carangola, Caiana,
Espera Feliz, Quicé, Pedra Menina, Caparaó e Alto
Caparaó, que fazem parte da referida rota de peregrinação.
A
volta do carretel
Leonardo
da Vinci não falava de arte, mas de experiência estética,
quando sugeria a observação de manchas nos muros antigos.
Elas proporcionam prazer, enriquecendo nossas vidas com formas,
cores e sugestões. Mas não são obras de arte,
que por definição é relação entre
humanos.
O mictório usado por Duchamp em seu famoso “ready-made”
foi perdido, veio ao Brasil um similar, mostrando que a peça
em si não tinha importância para o artista, mas a idéia:
a vivência estética de fatos do cotidiano. Quando objetos
similares são entronizados numa decoração ou
galeria, como se fossem esculturas, o show pode ser belo, mas patético.
Um carretel, desses que enrolam cabos de aço, perdido no
mar, despertou sentimentos que mudaram minha vida. Era 1º de
março de 1974, estava com minha namorada na Praia da Costa
em frente ao edifício Guruçá. Éramos
professores aproveitando o final das férias. Vimos na crista
de uma onda, ao longe, um objeto que parecia ser o tampo de uma
mesa redonda. Brincando, falei para Anita que nossos móveis
estavam chegando.
Animados, nadando, fomos buscar. Depois limpamos, com areia, manchas
de óleo do carretel de madeira, de 1m de diâmetro.
Rimos muito e com ele dentro do carro, fomos ao cartório
marcar o casamento para dali a um mês. Namoramos dois anos,
mas este carretel nos enrola há mais de 30 anos e três
filhos.
A volta do carretel não é a volta do parafuso que,
usando o princípio do plano inclinado, prende e aperta corpos
distintos (a porca que o diga). O carretel em questão não
são os troncos roliços que, colocados sob corpos pesados
facilitam o deslocamento (resultando obras faraônicas). Falo
dos carretéis com rebordos que nunca enrolaram nada, expostos
no Museu Ferroviário, Vila Velha. O vernissage com rega-bofe
de primeira, pago com dinheiro público, ficou restrito a
convidados da empresa. Com o autoritarismo cultural privatizado,
graças a escabrosas leis de incentivo, pagamos festas particulares
e experiências exóticas.
Em todo ambiente “cult” existem sibilas e elas ao verem
tantos carretéis vazios no museu, opinaram: “Seremos
todos enrolados?”; “Uma visita ao parque de inservíveis
da Vale é provocativa, mereceria coquetel ainda mais generoso?”;
“E no lixão, quanta provocação! Será
champanha e caviar?”. Concordo com o expositor quando diz
que sua intenção é “provocar o público”
e, se referindo ao museu: “Ele proporciona uma estrutura para
que nós façamos uma experiência artística”.
Meu avô dizia que questionar quem usa saia (mulher, padre
e juiz) é prejuízo certo. Eu acrescento o artista.
Ele tem sempre razão: provocou este texto.
O que quero focar é a postura da nossa mídia que,
transcende ao desestímulo, e a conseqüência disso
para a cultura local. Falar de qualquer exposição
de arte é sempre bom para todos os envolvidos na criação
e produção artística. Por associação
de idéias todos nós somos lembrados. Entretanto, o
persistente destaque dado ao exótico, sempre em primeira
página colorida, sedimentou na mente dos capixabas, que isto
é primeira categoria, merece ser visto. Enquanto nossas realizações,
vistas em espaços secundários, são quase ignoradas
ou colocadas em categoria inferior em nossas mentes.
Corrigir essa distorção é um desafio para a
grande mídia capixaba. Se a volta desses carretéis
não despertar amor, prender como parafuso, nem mover corpos
pesados, que nos desenrole dessa situação psicológica.
Kleber
Galvêas – pintor - www.galveas.com 11/05
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