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Notícias do Caminho 21/11/2005



Editorial | Depoimento
Certificação do Circuito Pico da Bandeira
Grupo de 16 franceses percorre o Caminho da Luz
Franceses fazem doaçao... para a Casa das Crianças
T elefônicas respondem ofícios... celular para a região
Rede Globo de televisão esteve no Caminho da Luz ...
A volta do carretel

Pensamento

“O amor é a música que embala o sonho dos justos. É a parcela divina que fluidifica a densa matéria. È a chama sagrada que acende a luz da consciência e do viver”.
Albinno Neves

Depoimento

Caro Albino,

Estou retornando do Caminho da Luz e este e-mail é somente para agradecer as informações recebidas e parabeniza-lo pela criação deste caminho. Eu e minha esposa ficamos impressionados e deslumbrados pela beleza de todo o trajeto, pela simpatia, solidariedade e hospitalidade das pessoas durante toda nossa caminhada.
Em todos os lugares as pessoas foram muitas simpáticas, e sem excessão, todas as vezes que precisamos de água, parecia até que as pessoas estavam nos esperando, pois sempre tinham um litro PET geladinho para encher nossos cantis. Chegamos a ficar emocionados com a preocupação de algumas pessoas em atender bem aos caminhantes.
Já percorremos outros caminhos e podemos afirmar que o Caminho da Luz oferece tudo que o caminhante busca:
- Apoio para começar, pernoitar e seguir em frente
- Segurança e tranquilidade para caminhar.
- Solidariedade, simpatia e hospitalidade para emocionar e alegrar.
- Beleza para contemplar
- Religiosidade e misticismo para acalmar
Não tenho dúvidas de que este será realmente O CAMINHO DO BRASIL.

Parabens e obrigado

Um abraço

Altamiro Lima

Editorial

Lamentavelmente, muitas pessoas confundem desenvolvimento com destruição ambiental e assim sendo o meio ambiente vem sofrendo, ao longo dos anos, devastações que hoje podem ser vistas e sentidas por toda a humanidade.

Erosão, assoreamento de rios, desmatamento, fogo criminoso, poluição, desmoronamento, rios e nascentes secando, são alguns dos danos mais comuns devido ao progresso desordenado.

É preciso que o homem moderno tome consciência de que todo desenvolvimento deve ser sustentável, tendo em vista que o planeta Terra é um só, e que a sua destruição tráz como conseqüência inevitável a inviabilidade de vida do homem sobre a terra.

Hoje pagamos o erro do homem de ontem e certamente, se continuarmos dando prosseguimento a toda a destruição ambiental que vem devastando o mundo através dos tempos, seremos nós os criminosos de amanhã.

Enquanto a ganância, a irresponsabilidade, a imprudência, a leviandade, a falta de humanidade e a falta de respeito ao meio ambiente continuarem operando, o planeta continuará definhando e o homem sofrendo os danos causados devido a esse quadro altamente destrutivo, construído ao longo da história da humanidade.

Enchentes, maremotos, tufões e secas são algumas das conseqüência dos males causados pelo homem ao meio ambiente.

A seca de trechos de rios no Amazonas deve servir de exemplo para toda a humanidade. Devido à destruição ambiental, locais onde antes o rio era caudaloso hoje se transformaram em verdadeiros desertos.

Até quando o homem vai se mostrar insensível à questão da importância da preservação ambiental? Até quando o homem vai continuar produzindo lixo em abundância? Até quando vai continuar lançando sobre os córregos e rios o esgoto caseiro e hospitalar? Até quando o homem vai tratar o meio ambiente como se ele fosse eterno e imortal?
É preciso que os governantes e o povo tracem um caminho comum capaz de reverter esse quadro de destruição e passem juntos a preservar o meio ambiente, numa ação conjunta em favor da vida e da humanidade.

Sem uma ação conjunta e sem a consciência de todos, torna-se impossível a manutenção da vida futura da humanidade.

Ainda há tempo, basta que todos acordem e se conscientizem de que a responsabilidade para com a humanidade é de todos. Albinno Neves

Certificação do Circuito Pico da Bandeira deverá acontecer até 18 de dezembro

A reunião realizada no salão de convenções do Parque Nacional do Caparaó, no dia 8 para a escolha dos presidentes dos Conselhos Administrativo e Fiscal do Circuito Pico da Bandeira foi mais um importante passo para a certificação do mesmo.

Na abertura, o gestor Francisco Mello anunciou que pretende enviar a documentação do Circuito nos próximos dias para ser avaliada pela Secretaria de Turismo do Estado de Minas Gerais.

O presidente do Circuito, prefeito Sebastião Salles, de Caiana, falou sobre a importância de todos os 16 municípios que participam do circuito acelerarem a documentação para que possa haver a certificação ainda este ano. Caso contrário, explicou ele, “só conseguiremos a certificação em maio de 2006”.

O prefeito de Alto Caparaó, Juninho Jacomel, disse reconhecer ser o turismo uma importante fonte de renda para seu município e para os demais municípios da região e lamentou que seu município não estivesse recebendo os recursos que lhe cabem devido às belezas naturais que possui.

Ainda na abertura, Francisco Melo falou que o Circuito fez um convênio com o Banco do Brasil para a exposição “Um Brasil Sem Fome” e recebeu, por parte da Agência Nacional de Transporte Terrestre – ANTT, a resposta de que existe a possibilidade da reativação de um trecho da ferrovia. A direção do Circuito sugeriu então que o trecho a ser reativado seja de Tombos a Manhuaçu.

Após as colocações feitas pelo gestor, os presentes foram divididos em dois grupos: um para a escolha da Presidência do Conselho Fiscal, que culminou com a eleição de Carlos Henrique Cruz, para presidente, e de Isaac Malte Júnior, para vice-presidente.
Na eleição do Conselho Administrativo, Paulo Roberto Corrêa foi eleito presidente e Kátia Carrara de Miranda, vice-presidente.

Depois da eleição dos presidentes dos Conselhos, o gestor entregou nas mãos do presidente Sebastião Salles e dos diretores Silvanir Simplício de Andrade (Pedra Dourada), José Clério Alves Terra – Clerinho (Faria Lemos) e Ivan Carlos de Andrade (Tombos), uma cópia do plano de trabalho executado em sua gestão até o momento.
Estiveram presentes à reunião os prefeitos Sebastião Salles, José Clério Alves Terra, Padre Ronaldo Lopes (Manhumirim), Dr. Fernando Costa (Carangola), José Jacomel Júnior, Ivan Carlos de Andrade, Silvanir Andrade e Antônio Matos Lopes (Alto Jequitibá), além de representantes dos demais municípios componentes no Circuito Pico da Bandeira.

O secretário de Turismo de Carangola, Leonardo Carneiro, ofereceu aos membros do Circuito a participação nos cursos conseguidos por ele como presidente do Circuito Turístico Minas-Rio, a fim de qualificar os integrantes do círculo.
Francisco Mello anunciou que o Senac e o Sebrae vão oferecer, no próximo ano, 28 cursos para os municípios participantes do Circuito Pico da Bandeira, e que isso já seria parte da certificação.

Ao encerrar a solenidade, o prefeito Sebastião Salles convidou a todos a participarem, no dia 6 de dezembro, às 15h, em Manhumirim, da reunião que vai determinar a forma de certificação do Circuito Pico da Bandeira, que deverá acontecer no dia 18 de dezembro, na cidade de Espera Feliz, por ocasião das comemorações de aniversário daquele município.

O presidente da Associação Brasileira dos Amigos do Caminho da Luz – ABRALUZ, Albino Neves, aproveitou a ocasião para solicitar do prefeito de Alto Caparaó a reativação das secretarias de Turismo e Meio Ambiente daquele município e também a reinstalação da Casa da Cultura, lembrando que Alto Caparaó tem um papel fundamental no Circuito Pico da Bandeira.

Juninho Jacomel disse que se viu obrigado a fechar as referidas secretarias e a Casa da Cultura a fim de economizar dinheiro para o município e saldar sua dívida junto ao INSS, de forma que possa obter as certidões negativas, necessárias para receber recursos advindos de convênios junto aos governos estadual e federal.
Ao final do evento, a direção do Parque Nacional do Caparaó ofereceu um lanche a todos os presentes.

“Achamos por demais importante a certificação do Circuito Pico da Bandeira como importante instrumento de incremento ao turismo regional”, destacou Dr. Fernando Costa.

“Para nós, a certificação vai abrir um importante espaço para o desenvolvimento turístico regional”, destacou o prefeito Antônio Matos Lopes.

“Precisamos avançar em termos turísticos, pois o turismo se mostra como uma importante opção para o nosso desenvolvimento econômico e para resolver problemas sérios, como as questões econômicas e de desemprego” , destacou Ivan Andrade.
“Não podemos esperar que as coisas caiam do céu. Precisamos agir. Turismo se faz com preservação ambiental, tratamento de lixo e esgoto, preservação dos patrimônios históricos, culturais e geográficos e a conscientização da população. Creio que a certificação do Circuito Pico da Bandeira será um em instrumento importante para tornar o sonho turístico regional em realidade, assim como o Caminho da Luz é hoje uma realidade para toda região, para Minas e o Brasil”, preconizou Albino Neves.

“Espero que o funcionamento do circuito dê a todos os municípios um tratamento igualitário, para que todos sejam beneficiados” conclamou que Clerinho.

No encerramento da reunião, Sebastião Salles disse que acha muito bem vinda a proposta trazida por Albino Neves sobre a inclusão, após a certificação do município de Divino ao Circuito, e destacou que, com a certificação, todos os municípios componentes do circuito receberão uma folhetaria do circuito e outra de seu município, sendo este um passo importante para a divulgação turística regional, arrematou o presidente.

Grupo de 16 franceses percorre o Caminho da Luz

No mês de setembro, um grupo de nove franceses veio ao Brasil exclusivamente para percorrer o Caminho da Luz – o Caminho do Brasil.

No dia 6, um outro grupo, desta vez composto de 16 franceses, voltou ao Caminho da Luz iniciando a peregrinação na cidade de Tombos, no dia 7.

O grupo recebeu assistência do Grupo de Apoio Luz do Caminho, através de Jorge Nelson e Ângela.

Durante a peregrinação de sete dias, liderados por Jean Claude Audigier, o grupo formado por Lavall – Daniel, Lavall – Louise, Srail Aicha, Ferry Germain Marie Helene, Robert Peruzzi, Peruzzi Gorgone, Latil Roselghe, Latil Chantal, Durdu, Barbet – Carrere, Vigne, César, Jean Claude César, Vally e Lainé Edwige pôde conhecer um pouco das belezas naturais da região, da cultura e da história dos municípios e comunidades de Tombos, Catuné, Pedra Dourada, Faria lemos, Carangola, Caiana, Espera Feliz, Caparaó e Alto Caparaó.

Segundo o francês Jean Claude, novos grupos de franceses virão percorrer o Caminho da Luz no próximo ano, já que, além de bela, a região oferece solidariedade, amor e carinho a todos aqueles que percorrem a via de peregrinação. “No Caminho da Luz nós nos sentimos em casa, as pessoas são acolhedoras e estão sempre prontas a servir. Isso faz com que, a cada dia que passa, o caminho se torne ainda mais atraente para nós, franceses e europeus”, afirmou. Jean-Claude disse ainda que o Grupo de Apoio Luz do Caminho presta um serviço de suma importância para aqueles que vêm em grupo, quer no transporte de mochilas, quer servindo lanches e sucos, dando suporte a todo o grupo e, ao mesmo tempo, oferece-nos a garantia de segurança necessária para uma caminhada tranqüila.

“Esperamos fazer, no próximo ano, um importante intercâmbio artístico-cultural com o Brasil, ou melhor, com os músicos e artistas da região. Para isso, pretendemos trazer estudantes franceses para aprender um pouco da cultura local e ao mesmo tempo ensinar um pouco daquilo que temos em nosso país”, finalizou Jean Claude.

Franceses fazem doaçao para aquisiçao de terreno para a Casa das Crianças

Em sua terceira vinda ao Caminho da Luz, o Caminho do Brasil, o francês Jean-Claude Audigier representante da Associação DEPARTS - Desenvolvimento de Intercâmbio Projeto de Ação Rural para Turismo Solidário, doou para a Casa da Criança de Carangola, em nome da entidade R$ 5 mil para ajudar na aquisição de um terreno para Casa das Crianças.

Jean Claude disse que a entidade escolheu a Casa da Criança por indicação da Associação Brasileira dos Amigos do Caminho da Luz - ABRALUZ e porque a DEPARTS ter com um dos princípios “ajudar as crianças para que elas tenham uma melhor qualidade de vida. A finalidade da doação é ajudar na educação e desenvolvimento das crianças e Carangola além de ser um lugar bem agradável parece não encontrar o mesmo apoio que encontram os grande centros urbanos do país com a visita de estrangeiros que vem ao Brasil a fim de contribuir de alguma forma com a melhoria da qualidade de vida das pessoas” enfatizou Jean Claude.

A doação aconteceu na loja “Móveis Tupi” no dia 10 por ocasião da passagem de um grupo de 16 franceses que vieram percorrer o Caminho da Luz no período de 7 a 13 de novembro.

A entrega do dinheiro foi feita ao Rogério Fernandes na presença do presidente da ABRALUZ Albino Neves e de Francisco Alexandre da Caixa econômica Federal.

Companhias telefônicas respondem ofícios que solicitam telefonia celular para a região

O presidente da Associação Brasileira dos Amigos do Caminho da Luz, Albino Neves, tem envidado todos os esforços objetivando conseguir a implantação do sistema de telefonia celular para os municípios de Tombos, Pedra Dourada, Caiana, Caparaó e Alto Caparaó e também para a comunidade de Catuné.

Durante a audiência pública feita pela Comissão de Assuntos Municipais da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, Albino Neves reivindicou a interferência dos deputados junto às empresas de telefonia celular, solicitando o estudo para a realização deste clamor da sociedade e necessidade do Caminho.

Na semana passada, em resposta aos ofícios endereçados pelos deputados estaduais Adalclever Lopez e Leonardo Quintão, Albino Neves recebeu respostas das empresas Oi, Tim e Telemig Celular.

A Oi comunicou que “existem avaliações mercadológicas que indicam a ordem de prioridades para a extensão da cobertura a aquelas áreas que, pelo quantitativo da sua população, não geram compromisso de abrangência. Este é o caso dos municípios de Tombos, Pedra Dourada, Caparaó e Alto Caparaó e também para a comunidade de Catuné. A solicitação que nos foi encaminhada está sendo registrada para a inclusão em futuras avaliações mercadológicas, com um objetivo de determinar a viabilidade desse atendimento”, destacou o gerente de planejamento da Oi, Carlos Henrique Silva Malab.
Leandro Guerra, do Departamento de Assuntos Regulatórios da empresa Tim, destacou que o orçamento para o ano de 2005 já foi definido e que estão sendo considerados reforços de cobertura em algumas áreas já atendidas e expansão para outras cidades que não contemplam a referida região. No entanto, ressaltou que a crescente expansão de cobertura que a Tim vem atingindo nas principais regiões do país não deixa descartada a hipótese de atendimento da solicitação no futuro.

A Telemig Celular disse que a solicitação feita ficou registrada e que a empresa trabalha continuamente para superar os limites orçamentários e ampliar o número de localidades atendidas. Na opinião da Coordenadora de Regulamentação, Margaret de Almeida Cadête Moonsammy, por razões técnicas e econômicas, a empresa está impossibilitada de atender o pleito feito pela ABRALUZ de imediato, por questões baseadas em critérios técnicos, tais como relevo e disponibilidade de transmissão digital, assim como o número de habitantes e índice de atividade econômica, dentre outros, mas não descartou a possibilidade da implantação.

Albino Neves disse que a resposta das empresas não põe um ponto final na questão e arrematou: “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Vamos estar com o Ministro das Comunicações Hélio Costa mais uma vez, e reafirmar a necessidade de seu empenho junto às prestadoras de serviço, a fim de conseguirmos realizar este sonho dos municípios e esta necessidade do Caminho”.

Rede Globo de televisão esteve no Caminho da Luz para produzir o programa Terra de Minas

A Rede Globo de Televisão de Minas Gerais, que produz o programa Terra de Minas, esteve percorrendo o Caminho da Luz, o Caminho do Brasil, no período de 31 de outubro a 5 de novembro, com o objetivo de mostrar as belezas, a cultura e a importância do Caminho como rota de peregrinação de Minas e do Brasil.
Participaram da reportagem o câmera Francisco Peixoto, o auxiliar Sebastião Alexandre e a repórter Fabiana Almeida.

O primeiro contato entre a Rede Globo e o presidente da Associação Brasileira dos Amigos do Caminho da Luz – ABRALUZ, Albino neves, foi feito pela apresentadora do programa Terra de Minas, Juliana Perdigão.

No dia 31, a equipe de reportagem participou, na Cachoeira de Tombos, da saída de doze caminhantes.

Também na base da Cachoeira de Tombos, depois de entrevistar alguns caminhantes, Fabiana entrevistou o indigenista Itatuitin Ruas, que explicou à repórter que, há vários séculos, índios vindos de Campos dos Goytacases, de São Fidélis e de vários outros pontos do Brasil, em busca da Terra dos Sem Males, passavam por onde hoje é o Caminho da Luz em direção à Montanha Sagrada do Brasil, o Pico da Bandeira, local onde os índios acreditam ser a morada de seus deuses.

Itatuitin disse ainda que, pelo fato dos índios serem um dos primeiros habitantes das Américas, não seria nenhum absurdo dizer que o Caminho da Luz é tão antigo quanto o Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, ou o Caminho de Machu Pichu, no Peru.
O indigenista é um profundo conhecedor da cultura de sua raça e um estudioso do assunto indígena. Sua declaração só veio reafirmar o que diz Albino Neves, quando afirma que não é criador de nada, mas “apenas um instrumento nas mãos de Deus”, e que cada um que caminha ou recebe os caminhantes, colabora com o Caminho “colocando um tijolo na construção do mesmo”.

Após fazer várias tomadas no município de Tombos e de ter assistido a uma apresentação do grupo de Caxambu de Carangola, a equipe de televisão partiu, no dia seguinte, em direção a Catuné. No meio do trajeto, a equipe teve a oportunidade de conhecer alguns cavaleiros que percorriam o Caminho a cavalo. Na Fazenda Oliveira, os cavaleiros concederam à emissora uma entrevista falando sobre a importância do Caminho da Luz como rota de peregrinação e própria para cavalgada.

Na gruta Santa de Catuné, a TV entrevistou dona Dulce Fulmian que contou um pouco da história daquele lugar sagrado. Na ocasião, a equipe acompanhava os caminhantes Zezé, Eliane, Roberto, Tereza e Albino Neves.

No Balneário da Igrejinha, caminhantes e TV foram recebidos com um farto café da manhã, oferecido por Teresinha Natalino e pela comunidade local.

Já em Água Santa a equipe pôde conhecer um pouco da cultura daquele lugar.

Ao chegar em Pedra Dourada, todos foram acolhidos por dona Ana e seu marido Zito.
A anfitriã contou à repórter que o Caminho da Luz trouxe de volta, a vida, e para a comunidade, a alegria, e explica o motivo: “Todos os dias temos pessoas percorrendo o Caminho da Luz. Esta semana mesmo estaremos recebendo 16 franceses”. Na partida dos caminhantes, na manhã seguinte, dona Ana ofereceu um trecho da leitura bíblica a todos, desejando uma boa caminhada.

Ao deixar Pedra Dourada, a equipe de reportagem deparou com os ciclistas Paulo Basstos e Paulo Félix, que falaram sobre as belezas da região, destacando que já fizeram o Caminho à pé, mas que, pela primeira vez, o estavam fazendo de bicicleta.

Na ida para Faria Lemos passaram pela Cachoeira Surpresa e também conheceram o caminho das águas que descem do Cafarnaun e deságuam no Rio Carangola, já em Faria Lemos.

De Faria lemos, a equipe rumou para Carangola, onde pôde conhecer, no prédio da extinta ferrovia, um pouco do artesanato local, exposto pela Cooperativa dos Artesãos.
Em direção à Caiana, passando por Parada General, conheceram um dos trechos mais belos do Caminho – aquele que liga à Ernestina e que é repleto de paredes de bromélias, samambaias, avencas, além das minas de água e cristais.

Caiana é um lugar onde os cristais abundam pelas estradas, fazendo com que esta parte do percurso brilhe como se o chão fosse reflexo do céu estrelado.

Na cidade de Espera Feliz, a equipe de reportagem e os caminhantes se encantaram com a beleza dos jardins e a história do lugar. Naquela cidade, pararam na capela da Milagrosa Virgem do Rosário da Pompéia com o objetivo de fazerem suas orações, rumando em seguida em direção ao Caparaó, passando antes por Quicé e Pedra Menina, dali seguindo para o Alto Caparaó.

Ao chegar em Alto Caparaó, a equipe que acompanhava os caminhantes visitou a igreja de São Paulo Apóstolo, local onde, durante as caminhadas coletivas promovidas pela ABRALUZ com início no terceiro domingo do mês de julho, os caminhantes, vindos de todas as regiões do país e de vários outros países do mundo, param para orar em agradecimento à caminhada e também prestam seus depoimentos sobre como sentiram o Caminho.

No último dia da estada da TV Globo na região, a equipe pôde acompanhar os caminhantes Albino Neves, Teresa Nardelli, João Batista Tranin e Roberto Resende Ferreira ao Pico da Bandeira, situado no Parque Nacional do Caparaó, a 2.892m de altitude. O Pico é o terceiro mais alto do país e o mais alto acessível.

Apesar de terem pegado chuvas em quase todo o Caminho, a subida ao Pico da Bandeira foi feita com tempo bom, o que possibilitou a caminhantes e equipe de reportagem desfrutarem das belezas do Parque, das montanhas de Minas e de uma visão esplendorosa do lugar.

No alto do Pico da Bandeira, João Batista (64 anos) se emocionou ao contar que, a cada vez que percorre o Caminho da Luz e chega naquele lugar, sente que “Deus tem sido muito bom com ele” dando-lhe saúde e vida para, naquela idade, chegar àquele lugar sagrado.

A mais nova caminhante do grupo, Teresa Nardelli, disse que sente suas energias renovadas a cada vez que vai ao Pico da Bandeira, e que volta muito mais disposta, com mais saúde, sentindo-se espiritualmente amadurecida.

No topo da Montanha Sagrada do Brasil, local onde o presidente da ABRALUZ diz ter tido a visão para da criação do Caminho da Luz, o Caminho do Brasil, Albino Neves afirmou que chegar àquele lugar é como voltar ao útero, onde tudo começou, e toda vez que retorna ao Pico da Bandeira sente o quanto Deus foi generoso com ele, dando-lhe esta missão.

O programa Terra de Minas, editado pela Rede Globo de Televisão e retransmitido através da Globo News para mais de 50 países do mundo, vai proporcionar uma grande divulgação do Caminho da Luz e da região. Segundo a equipe de reportagem, o mesmo vai ao ar ainda no mês de novembro.

Para Albino Neves é importante que os prefeitos e lideranças políticas, comerciais e industriais da região atentem para importância do Caminho da Luz como uma nova opção de renda para os seus municípios e para o desenvolvimento regional. Segundo ele, é preciso que os municípios comecem a preocupar-se mais com a questão da preservação ambiental, cultural e histórica, do tratamento do lixo e do esgoto, e do embelezamento de seus municípios para que, dessa forma, o caminhante – que vem percorrer o Caminho da Luz – possa sentir-se incentivado a retornar à região para fazer turismo com sua família, como alguns já vêm fazendo e, assim, gerar nova fonte de renda e emprego para os municípios e comunidades de Tombos, Catuné, Água Santa, Pedra Dourada, Faria Lemos, Carangola, Caiana, Espera Feliz, Quicé, Pedra Menina, Caparaó e Alto Caparaó, que fazem parte da referida rota de peregrinação.

A volta do carretel

Leonardo da Vinci não falava de arte, mas de experiência estética, quando sugeria a observação de manchas nos muros antigos. Elas proporcionam prazer, enriquecendo nossas vidas com formas, cores e sugestões. Mas não são obras de arte, que por definição é relação entre humanos.

O mictório usado por Duchamp em seu famoso “ready-made” foi perdido, veio ao Brasil um similar, mostrando que a peça em si não tinha importância para o artista, mas a idéia: a vivência estética de fatos do cotidiano. Quando objetos similares são entronizados numa decoração ou galeria, como se fossem esculturas, o show pode ser belo, mas patético.

Um carretel, desses que enrolam cabos de aço, perdido no mar, despertou sentimentos que mudaram minha vida. Era 1º de março de 1974, estava com minha namorada na Praia da Costa em frente ao edifício Guruçá. Éramos professores aproveitando o final das férias. Vimos na crista de uma onda, ao longe, um objeto que parecia ser o tampo de uma mesa redonda. Brincando, falei para Anita que nossos móveis estavam chegando.

Animados, nadando, fomos buscar. Depois limpamos, com areia, manchas de óleo do carretel de madeira, de 1m de diâmetro. Rimos muito e com ele dentro do carro, fomos ao cartório marcar o casamento para dali a um mês. Namoramos dois anos, mas este carretel nos enrola há mais de 30 anos e três filhos.

A volta do carretel não é a volta do parafuso que, usando o princípio do plano inclinado, prende e aperta corpos distintos (a porca que o diga). O carretel em questão não são os troncos roliços que, colocados sob corpos pesados facilitam o deslocamento (resultando obras faraônicas). Falo dos carretéis com rebordos que nunca enrolaram nada, expostos no Museu Ferroviário, Vila Velha. O vernissage com rega-bofe de primeira, pago com dinheiro público, ficou restrito a convidados da empresa. Com o autoritarismo cultural privatizado, graças a escabrosas leis de incentivo, pagamos festas particulares e experiências exóticas.

Em todo ambiente “cult” existem sibilas e elas ao verem tantos carretéis vazios no museu, opinaram: “Seremos todos enrolados?”; “Uma visita ao parque de inservíveis da Vale é provocativa, mereceria coquetel ainda mais generoso?”; “E no lixão, quanta provocação! Será champanha e caviar?”. Concordo com o expositor quando diz que sua intenção é “provocar o público” e, se referindo ao museu: “Ele proporciona uma estrutura para que nós façamos uma experiência artística”.

Meu avô dizia que questionar quem usa saia (mulher, padre e juiz) é prejuízo certo. Eu acrescento o artista. Ele tem sempre razão: provocou este texto.

O que quero focar é a postura da nossa mídia que, transcende ao desestímulo, e a conseqüência disso para a cultura local. Falar de qualquer exposição de arte é sempre bom para todos os envolvidos na criação e produção artística. Por associação de idéias todos nós somos lembrados. Entretanto, o persistente destaque dado ao exótico, sempre em primeira página colorida, sedimentou na mente dos capixabas, que isto é primeira categoria, merece ser visto. Enquanto nossas realizações, vistas em espaços secundários, são quase ignoradas ou colocadas em categoria inferior em nossas mentes.
Corrigir essa distorção é um desafio para a grande mídia capixaba. Se a volta desses carretéis não despertar amor, prender como parafuso, nem mover corpos pesados, que nos desenrole dessa situação psicológica.

Kleber Galvêas – pintor - www.galveas.com 11/05

 
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