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Livro-Guia
O livro/guia Caminho da Luz, o Caminho do Brasil,
de autoria de Albino Neves, além de conter todas as informações
necessárias para quem deseja percorrer o Caminho, aborda
também a história da região e a filosofia
do ato de peregrinar. O livro pode ser adquirido na cidade de
Tombos (Hotel Serpa), Belo Horizonte
ou através do e-mail .albinnoneves@yahoo.com.br
Trechos do Livro
O Caminho da Luz não é diferente dos caminhos da
vida, é uma viagem em que cada passo representa um recomeço,
pois todo caminho, após iniciado, passa a ser um companheiro
do caminhante onde quer que ele vá.
Para melhor sentirmos e vivermos o Caminho, é necessário
que lembremos que todo aquele que determina o que quer receber
dele, acaba por decepcionar-se, pois só Deus, com Sua infinita
sabedoria, conhece nossas reais necessidades e o que precisamos
encontrar para supri-las.
O primeiro ensinamento que recebemos em uma peregrinação
é que, quanto mais temos, quanto mais peso carregamos,
mais sofremos, mais nos desgastamos e, desta forma, menos desfrutamos
das belezas e prazeres proporcionados pelo caminho. Se formos
observadores atentos, veremos que a vida não difere muito
dos Caminhos de peregrinação. Outro ensinamento
que percebemos logo no início de uma peregrinação
é que a solidariedade supre necessidades, ocupando um lugar
em que o dinheiro perde o seu valor. O Caminho é uma escola
de vida que nos faz relembrar o que é ser humano.
Quando o caminhante compreende que deve deixar
o barro, a lama e a poeira pelo caminho, para desfrutar das
belezas do campo e das flores, guardando apenas seu perfume
e o canto dos pássaros, o mugir do gado e o coaxar dos
sapos e rãs, por certo, ao concluir a jornada, terá
obtido elementos para construir um belo jardim e, desta forma,
perfumar os caminhos da vida com a própria razão
advinda de sua satisfação de viver. O Caminho
dissipa dores, acalma as tempestades da alma, fortalece os músculos
da sabedoria, enobrece o sentimento de ser e faz com que, a
cada passo, o caminhante aprenda a renascer.
O caminhar rumo ao desconhecido, por si só, é
um ato de fé. É crer que, apesar das agruras dos
caminhos, da vastidão dos desertos, da densidade das
florestas e da imensidão das montanhas, o Criador sempre
suprirá nossas necessidades, mostrando-nos que somos
mais do que pensamos e merecemos mais do que imaginamos. Se
a fé derruba montanhas, transpô-las é ainda
mais fácil. A fé é o falar da parcela divina
que abre as portas do coração para que possamos
ouvir a voz do Criador.
A limpeza da mente faz-se através do
perdão. É o perdão que desafoga o coração
fundido em dores e recalques.
Quando sabemos reconhecer aquilo que recebemos
e damos graças pela graça recebida, multiplicamos,
nos campos da vida, o direito de receber novas graças.
Assim, nunca nos faltará, no poço da vida, o necessário
para vivermos plenamente a cada instante.
O amor é a manifestação
de Deus através do homem. É a centelha divina
que nos aproxima mais do Criador. Em tudo na vida, devemos praticar
o amor.
Não basta querer, é preciso trabalhar para transformar
sonhos em realidade, e a determinação é
o que possuímos de mais elevado para realizar as tarefas
necessárias às transformações que
almejamos.
Toda e qualquer conquista é fruto de nossa coragem de
avançar e vencer.
A solidariedade é o sol que clareia os caminhos, é
o alimento que mata a fome, é o agasalho que aquece das
tempestades, é a água que sacia a sede no deserto,
é o conforto do corpo e da alma, garantindo que vale
a pena viver. Solidariedade é reconhecer Deus no outro.
A fraternidade faz-nos cear na mesa do Senhor e transformar
o vinho e o pão em alimentos sagrados para o corpo e
o espírito.
Não basta ter vida, é preciso vivê-la. E
vivê-la é palmilhar a senda em busca do aprimoramento
pessoal, que passa, impreterivelmente, pelo coletivo, através
da corrente divina que une cada elo ao Supremo Criador.
Cada Caminho representa o desvendar de um mistério
de Deus. Quando o caminhante sente a individualidade de cada
passo da senda e retira de cada um o melhor que nele existe,
assenta tijolo por tijolo no templo de seu viver, na edificação
de um novo homem, contribuindo, desta forma, para a construção
de um mundo melhor. Assim, ao concluir mais este Caminho, estará
carregando em sua mochila a certeza de que valeu a pena caminhar.
O caminhante, peregrino ou romeiro é como o homem do
campo: só necessita da terra e do que ela produz para
manter-se vivo. E, se algo falta, Deus completa, nem dá
para perceber.
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