O governador
de Minas, Aécio Neves, o Secretário de Estado e Meio Ambiente
José Carlos de Carvalho, o Diretor do IEF Humberto Candeia, o diretor
do banco alemão KFW, Hans xxx, e diversos prefeitos, vereadores e personalidades
da região, estiveram presentes no dia 1º de março na inauguração
do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, criado em 27 de setembro de 1996
em uma área de 13.210 hectares de vegetação remanescente
da Mata Atlântica, com diversos cursos d’água que integram
as bacias dos rios Paraíba do Sul e Doce.
O parque está situado dentro dos municípios de Araponga, Fervedouro,
Miradouro, Ervália, Sericita, Muriaé e Divino e dele fazem parte
os Picos dos Soares (1.985m de altitude), Campestre (1.980m), Grama (1.899m)
e Boné (1.870m), sendo ali encontrado um rico eco-sistema com remanescentes
da Mata Atlântica e animais como o sauá, monocarvoeiro, onça
pintada, jaguatirica, sapo-boi, veado e aves como pavó, araponga e
papagaio-do-peito-roxo.
O artista Saulo Laranjeira fez uma apresentação antes da inauguração,
lembrando do seu tempo de infância e da importância da preservação
dos rios e das matas e também entregou ao governador do estado um CD
com a gravação de um trabalho desenvolvido por Saulo’s
Produções, relacionado aos parques de Minas.
Humberto Candeia disse que a Serra do Brigadeiro se destaca pelo acervo de
Mata Atlântica nela existente, lembrando das diversas espécies
endêmicas descobertas naquele parque.
O secretário José Carlos ressaltou que a decisão do Governador
Aécio Neves foi por demais importante para implantação
do Parque do Brigadeiro.
Hans explicou que “há muito o governo alemão e Minas Gerais
vêm implementando uma parceria em busca da preservação
ambiental, participando com apoio administrativo e financeiro”, e parabenizou
o trabalho desenvolvido com a implantação e inauguração
do Parque Estadual do Brigadeiro por ser uma importante reserva de biodiversidade,
anunciando que o KWF e o Governo Alemão “estão engajados
em investir 57 milhões de euros em projetos ligados ao meio ambiente”.
Disse ele: “O futuro do ser humano vai depender do equilíbrio
ambiental do planeta”.
O governador Aécio Neves agradeceu as lideranças que compareceram
à inauguração – apesar da chuva e da difícil
conservação das estradas da região – elogiou o
secretário José Carlos, que viabilizou a parceria entre o Governo
do Estado e o KWF, lembrando que o seu governo está fazendo o maior
investimento no meio ambiente da história de Minas e que está
realizando projetos de investimentos que pretendem destacar a potencialidade
de cada região, enfatizando que seu governo vem buscando cooperação
e parcerias em todas as áreas.
Logo depois, o governador concedeu uma entrevista à imprensa e recebeu
das mãos do Presidente da ABRALUZ – Associação
Brasileira dos Amigos do Caminho da Luz, Albino Neves, uma camiseta do Caminho
da Luz, o livro-guia “Caminho da Luz, Caminho do Brasil” e um
CD produzido por Paulo Basstos, do site do Caminho.
Após a entrevista, todos foram convidados a se dirigir à sede
do Parque, onde o governador Aécio Neves, os secretários Danilo
de Castro e José Carlos Carvalho e o diretor Hans descerraram a fita
inaugural.
Dedé Jeremias é preso em flagrante por desmatar em Conceição
Desde
1987, Dedé Jeremias vem destruindo sucessivamente as matas do Alto
da Conceição, prejudicando o meio ambiente e acabando com as
nascentes daquela localidade. Ao longo desse período, o criminoso devastou
grande área da mata de preservação permanente e também
responde a inúmeros processos por cometer tais crimes.
Onde antes existiam córregos, hoje existem apenas regatos devido à
destruição imposta por esse cidadão.
No dia 2 de março, a Polícia Florestal de Carangola, sob o comando
do Sargento Virgílio, auxiliado pelos policiais Soares e Alessandro,
prendeu Dedé Jeremias em flagrante, desmatando mais uma vez no Alto
da Conceição. Ao ser preso Dedé alegou que o terreno
era de Lindacir e Jorge.
Mesmo com a prisão em flagrante Dedé Jeremias pagou fiança
e foi posto em liberdade
.
A ação do Sgtº Virgílio e sua equipe para prender
Dedé Jeremias em flagrante só foi possível graças
ao apoio de Jorge Rodrigues, do IEF, que deu “uma carona” para
que os policiais pudessem chegar ao local, tendo em vista que - apesar de
ter sob sua responsabilidade a fiscalização de cerca de 9 mil
quilômetros quadrados nos municípios de Carangola, Divino, Faria
Lemos, Fervedouro, Orizânia, Pedra Dourada, São Francisco do
Glória e Tombos - a Polícia Florestal de Carangola não
dispõe de uma viatura para fiscalizar a vasta área sob sua jurisdição.
O Sgtº Virgílio disse que o Tenente-Coronel Geraldo Henrique,
Comandante do 11º Batalhão, sediado em Manhuaçu, tem envidado
todos os esforços para ver se consegue uma viatura para que os policiais
florestais de Carangola possam trabalhar no cumprimento de sua missão,
que é a de fiscalizar o meio ambiente, evitando sua destruição.
Durante a inauguração do Parque Estadual do Brigadeiro a Folha,
através de seu Diretor Albino Neves, entrevistou o Governador Aécio
Neves, exaltando a criação do Parque, de vital importância
para o meio ambiente, e questionando ao governador sobre como ele pretendia
preservar aquela unidade de reserva permanente, tendo em vista que, em seu
governo, o efetivo da Polícia Florestal da região foi drasticamente
reduzido e a mesma não dispõe sequer de uma viatura para fiscalizar
as áreas de sua responsabilidade e capturar os criminosos ambientais.
O governador respondeu que estava “programando a realização
de um concurso público para o aumento do efetivo e que, a exemplo do
IEF, a Polícia Florestal também deverá receber em breve
uma frota de veículos para a fiscalização do meio ambiente”.
(transcrito do
Jornal Folha da Mata Edição de 31 de março de 2005)
IV Fórum define que uso da água será taxado
Durante
o 4º Fórum das Águas, realizado no período de 21
a 24, na Assembléia Legislativa de Minas Gerais, o Secretário
de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, José Carlos
Carvalho, disse, ao participar da abertura do Fórum, que a cobrança
pelo uso da água em Minas Gerais deverá ser regulamentada em
breve, tendo o Diretor do Instituto Mineiro de Gestão das Águas
(IGAM), Paulo Teodoro de Carvalho, entregue ao Secretário uma minuta
do decreto que regulamenta a cobrança pelo uso de recursos hídricos
de domínio do estado.
Paulo Teodoro lembrou que a água “é fundamento da existência
milenar de todos os seres vivos que habitam a terra. Um bem público
e de direito de todos e que continua merecendo estudos aprofundados e procedimentos
inteligentes, para que continue disponível para diversos usos no campo
e na cidade, contribuindo para elevar o nível de bem-estar das populações”.
Um dos destaques na realização do Fórum foi o Seminário
Água e Terra-Integração pela Cultural da Paz, que aconteceu
nos dias 22 e 23, onde representantes das mais diversas entidades debateram
e apresentaram sugestões para os deputados e componentes da mesa.
O 4º Fórum foi uma iniciativa do governo do estado, com o apoio
da Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Durante o evento o Secretário
José Carlos lembrou que o papel das bacias hidrográficas é
de possibilitar a representatividade dos vários seguimentos da sociedade,
estabelecendo um novo conceito de gerência no setor de meio ambiente.
Para o secretário, os comitês também cumprem a importante
função de pensar sobre o meio ambiente de forma sustentável,
considerando seus vários aspectos, lembrando ainda que a temática
ambiental teve grande avanço nas últimas décadas, com
a percepção de que o desenvolvimento material produziu uma falsa
prosperidade, pois foi predatório e autofágico.
O terceiro vice-presidente da Assembléia, deputado Fábio Avelar,
enfatizou que a situação da degradação dos recursos
hídricos é preocupante, seja pelo uso inadequado do solo, seja
pela ausência dos efluentes industriais e esgotos domésticos.
Para o presidente do Comitê da Bacia do Rio das Velhas, Apolo Heringer,
os meios industrial e agrícola precisam começar a ver a questão
ambiental não como imposição do governo e conscientizarem-se
de que a produção sustentável tem que ser cientificamente
comprovada, ou haverá só marketing. Apolo fez um apelo para
que a atuação dos deputados mineiros e do governo do estado
sejam mais contundentes.
Cristina Yuan, gerente do Meio Ambiente do Instituto Brasileiro de Siderurgia,
disse que o Brasil tem uma cultura de desperdício da água e
que dos 3% de água doce disponível para a população
mundial, 45% são desperdiçados no uso doméstico, em irrigação
inadequada, vazamentos da rede pública e falta de recirculação
pelas indústrias.
Sobre a cobrança do uso da água, segundo José Carlos
de Carvalho, ela recairá sobre os usuários de carga bruta, num
valor que é mais pedagógico do que econômico. “Mais
do que fazer receita com cobrança do uso da água, queremos induzir
uma política de economia e de gestão não perdulária
das águas de Minas”, ressaltou José Carlos.
Apolo Heringer entregou ao Secretário de Meio Ambiente o plano-diretor
de recursos hídricos da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas,
que contém um diagnóstico da situação do rio e
um plano de ações para despoluí-lo.
Múltiplos usos e presenças
Componente do ar atmosférico; componente vital do corpo humano; fator
de produção de alimentos, fibras e biomassa; fonte de abastecimento
humano; fonte de abastecimento industrial e agroindustrial; fonte de dessedentação
de animais domesticados e selvagens; componente de equilíbrio paisagístico;
fator de preservação dos ecossistemas; fonte de energia hidráulica
e hidroelétrica; base da navegação fluvial; cenário
de turismo e lazer; diluente e transporte de efluentes domésticos,
industriais e agroindustriais; fundamento da pesca e da aqüicultura;
elemento de higienização e limpeza do meio ambiente; componente
vital da microbiologia do solo; insumo básico da irrigação
agrícola; elemento de refrigeração em usinas nucleares;
fator de sustentabilidade do desenvolvimento econômico e social; elemento
indispensável à nutrição das plantas; base de
sustentabilidade das espécies que vivem na água doce, mares
e geleiras, é também fonte de vida marinha e terrestre; elemento
estratégico de combate ao fogo e elemento presente em várias
crenças e religiões no mundo.
Demanda de água para diversos usos
1 milhão de litros por tonelada de tecido; 290 mil litros por barril
de petróleo refinado; 250 mil por tonelada de papel; 85 mil por tonelada
de aço laminado; 75 mil litros por toneladas de açúcar;
55 mil litros por tonelada de couro curtido; 20 mil litros por m³ de
cerveja; 10 mil litros por tonelada de roupa lavada em lavanderia; 3 mil litros
por boi abatido em matadouros; 2 mil litros por tonelada de sabão;
uma cultura agrícola que demande 1.200 milímetros de chuva,
corresponde ao volume de 12 milhões de litros de água por hectare,
considerando-se da semente plantada ao grão colhido; a demanda de água
para abastecimento urbano pode chegar aos 180 litros/pessoa/dia, ou mais.
(transcrito do Jornal Folha da Mata Edição de 31 de março
de 2005)
Lúcio Leoni participa da revisão da flora brasileira ameaçada de extinção
O pesquisador
e curador do Herbário Guido Pabst, Lúcio de Souza Leoni, está
participando da revisão da flora brasileira ameaçada de extinção
e do levantamento das espécies exóticas invasoras do Estado
de Minas Gerais.
Leoni faz parte de um seleto grupo de pesquisadores brasileiros ligados a
36 entidades de pesquisa do Brasil, designados pela Fundação
Biodiversitas. Entre os designados estão as universidades federais
de Minas Gerais, de Brasília, de Uberlândia, do Espírito
Santo, de Lavras, de Viçosa e de Ouro Preto e Institutos como o Brasileiro
de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Butantã, de Biologia da
UFU, de Pesquisas da Mata Atlântica, biotrópicos de pesquisas
silvestres, de Biociência da USP entre outros, além de fundações
como a Biodiversitas e Zoo-botânica de BH.
O pesquisador carangolense já inseriu 25 espécies ameaçadas
de extinção na lista e 26 espécies exóticas invasoras
em Minas Gerais, muitas das quais encontram-se dentro de parques de conservação
ambiental.
“Para nós e para Carangola é uma grande honra participar
do seleto grupo de entidades brasileiras que estão trabalhando na revisão
da flora ameaçada de extinção e também das espécies
exóticas invasoras em nosso estado, visto que só assim será
possível obtermos um mapeamento mais detalhado da flora em nosso estado
e em nosso país”, destacou o pesquisador Lúcio de Souza
Leoni.
Grupo
de Meio Ambiente de Alto Caparaó distribui
folheto
de orientação na região
A
Polícia Militar do Meio Ambiente, Grupo de Alto Caparaó, distribuiu
em toda a região um folheto de orientação ambiental,
através do qual a população toma conhecimento de que,
de acordo com a Lei de Crimes Ambientais 9.605/98 e Decreto 3.179/99, “matar,
perseguir, caçar, apanhar, ter em cativeiro espécies da fauna
silvestre brasileira sem a devida licença ou autorização
do órgão competente, dá pena de 6 meses a 1 ano e multa
de R$ 500,00 por unidade. Somente poderá ter em cativeiro os pássaros
provenientes de criadouro legalizado pelo Ibama”.
Outro item abordado na orientação é sobre os crimes contra
a flora: Lei Estadual 14.309/2002, diz que, para explorar, desmatar, deslocar,
extrair, etc., florestas ou demais formas de vegetação é
necessário a autorização do IEF - Instituto Estadual
de Floresta, caso contrário o infrator será multado e sua área,
embargada.
O folheto explica ainda que são áreas de preservação
permanente: locais com menos de 30 metros dos cursos d’água,
com largura inferior a 10 metros; ao redor de lagoa ou reservatórios
de água, natural ou artificial; a menos de 50 metros das nascentes;
nos topos de morros, montes ou montanhas; altitude superior a 1.800 metros;
nas encostas ou parte dela, com declividade de 45 graus.
Também no mesmo folheto, o grupo explica que drenar, esgotar um córrego
ou brejo, etc., é crime, da mesma forma que os usuários de agrotóxicos
deverão devolver as embalagens ao final do uso.
O grupo de Meio Ambiente de Alto Caparaó solicita à população
que, ao tomar conhecimento de qualquer crime cometido contra o meio ambiente,
denuncie a polícia florestal ou órgãos de defesa do meio
ambiente. (extraído da Folha da Mata edição de 31 de
maio)