ECOLUZ

 

   
Biosferas Suplementos de Biologia – Professor Túlio Vieira Bastos
 

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
PRODUTOS ORGÂNICOS | ÁGUA: A GUERRA DO FUTURO
O FANTÁSTICO MUNDO DAS BACTÉRIAS
| CONCEITOS BÁSICOS DE ECOLOGIA
QUESTÕES AMBIENTAIS

PALESTRA: “A EDUCAÇÃO AMBIENTAL E A BIODIVERSIDADE”

Professor Túlio Bastos

“Não somos pescadores domingueiros esperando o peixe Somos agricultores, esperando a colheita, porque a queremos muito, porque conhecemos as sementes, a terra, os ventos e a chuva, porque avaliamos as circunstâncias e porque trabalhamos seriamente.”

INTRODUÇÃO
O tema biodiversidade tem chegado até nós com crescente freqüência, através dos meios de comunicação. As campanhas para salvar o mico-leão dourado, o tamanduá-bandeira, as tartarugas-marinhas vão se tornando familiares e, com isso, passamos a associar a preservação da diversidade da vida a um outro animal específico, sem compreendermos de fato a amplitude da questão: a preservação da biodiversidade é a preservação de uma rede de inter-relações, que está sendo destruída pelo modo como nós nos relacionamos com o meio ambiente.
O desaparecimento de uma espécie, mais do que constituir uma perda irreparável – afinal de contas EXTINÇÃO É PARA SEMPRE – é também um sinal indicador da destruição do próprio local em que essa espécie vive. Tal perda, portanto, aponta para a destruição de muitas outras espécies que dependem direta ou indiretamente do mesmo local para viver. A coisa é muito simples e ao mesmo tempo extremamente complexa e perfeita. As inter-relações entre os seres vivos se estabelecem em uma teia alimentar, onde cada espécie é de fundamental importância para a vida como um todo. Afinal de contas, não se pode completar um quebra-cabeça se estiver faltando uma peça, da mesma forma que a ausência de uma só espécie acaba por gerar um desequilíbrio que afeta todo o ecossistema, inclusive os fatores abióticos.
O homem constitui apenas mais uma das milhares de centenas de espécies que habitam este enorme e maravilhoso planeta. Nossa alimentação, o ar que respiramos, a água que bebemos, enfim, todos os nossos recursos, dependem do equilíbrio de toda a teia da vida, de forma que nós, ao contribuirmos com a destruição do planeta, estamos contribuindo com a nossa própria destruição.
A preservação da biodiversidade é a preservação de nossa própria sobrevivência no planeta.

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O PAPEL DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO SÉCULO XXI
“As plantas já não crescem mais, até o alecrim murchou. O sapo se mudou, o lambari morreu porque o ribeirão secou”
Educar é mostrar que é possível, aprender é tornar possível a si mesmo.

O Brasil é tetra campeão mundial de reciclagem de latinhas. Em média, oitenta a noventa e cinco por cento de toda latinha produzida é reciclada, levando em média 28 dias para retornarem às prateleiras dos supermercados.
Redução na camada de ozônio

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: EVOLUÇÃO DO CONCEITO
O conceito de sustentabilidade ligado à preservação do meio ambiente é uma idéia recente, visto que nos países desenvolvidos o ambientalismo só tomou corpo a partir da década de 50. Isto deve ao fato de que a partir desta época ficaram evidentes os danos os danos que o crescimento econômico e a industrialização causavam ao meio ambiente, fazendo prever as dificuldades de se manter o desenvolvimento de uma nação com o esgotamento de seus recursos naturais (Carvalho, 1994).
Na teoria econômica clássica a idéia de sustentabilidade se relacionava com a expansão de um setor moderno, representado pela indústria e os serviços, que englobasse os setores mais tradicionais, como a agricultura. Assim, de acordo com Rostow (1963), "os surtos esporádicos de crescimentos seriam substituídos por uma capacidade de acumulação endogeneizada através da consolidação de uma indústria pesada, capaz de garantir internamente sua reprodução ampliada” (Egler, 1993). Este sistema seria garantido por uma crescente participação das poupanças voluntárias na renda nacional (Lewis, 1963). Com a expansão dos movimentos ambientalistas tratou-se de definir desenvolvimento sustentável como a interação de crescimento econômico e conservação da natureza (PROJETO ÁRIDAS, 1995).
Partindo da noção básica de desenvolvimento, qual seja, "A combinação da expansão econômica persistente (crescimento) com a ampla difusão dos benefícios deste crescimento entre a população", Gomes (1995) formula uma definição moderna e atual que combina desenvolvimento e sustentabilidade ecológica. Assim, desenvolvimento sustentável pressupõe a expansão econômica permanente, com melhorias nos indicadores sociais e a preservação ambiental. Outros conceitos serão colocados mais adiante quando tratarmos dos programas de desenvolvimento regional do nordeste brasileiro.

Propostas do Desenvolvimento Sustentável
• A satisfação das necessidades básicas da população (educação, alimentação, saúde, lazer, etc);
• A solidariedade para com as gerações futuras (preservar o ambiente de modo que elas tenham chance de viver);
• A participação da população envolvida (todos devem se conscientizar da necessidade de conservar o ambiente e fazer cada um a parte que lhe cabe para tal);
• A preservação dos recursos naturais (água, oxigênio, etc);
• A elaboração de um sistema social garantindo emprego, segurança social e respeito a outras culturas (erradicação da miséria, do preconceito e do massacre de populações oprimidas, como por exemplo os índios);
• A efetivação dos programas educativos.
Na tentativa de chegar ao DS, sabemos que a Educação Ambiental é parte vital e indispensável, pois é a maneira mais direta e funcional de se atingir pelo menos uma de suas metas: a participação da população.

AGRICULTURA ORGÂNICA: RETORNANDO ÀS RAÍZES
Em outros tempos, que há muito deixam lembranças, haviam maravilhosas hortas no fundo do quintal da maioria de nossas casas. Hoje, uma horta simples e pequena é objeto de admiração e vislumbre. O que era comum em tempos passados, tornou-se preciosidade. É preciso pagar até três vezes mais por um pé de alface que seja livre de agrotóxicos.
Agricultura orgânica é um sistema de gerenciamento total da produção agrícola com vistas a promover e realçar a saúde do meio ambiente, preservar a biodiversidade, os ciclos e as atividades biológicas do solo. Nesse sentido, a agricultura orgânica enfatiza o uso de práticas de manejo em oposição ao uso de elementos estranhos ao meio rural. Isso abrange, sempre que possível, a administração de conhecimentos agronômicos, biológicos e até mesmo mecânicos. Mas exclui a adoção de substâncias químicas ou outros materiais sintéticos que desempenhem no solo funções estranhas às desempenhadas pelo ecossistema.

Objetivos da Agricultura Orgânica
• Proporcionar aos pequenos agricultores e proprietários de terra, conhecimentos e métodos de agricultura orgânica através de experiências práticas.
• Prestar assessoria técnica na produção e comercialização, realizando reuniões e visitas periódicas aos agricultores interessados, orientando-os e discutindo os aspectos relacionados à produção, organização e planejamento da propriedade.
• Ampliar experiências de agricultura orgânica, diversificando as culturas, introduzindo diferentes tipos de adubos verdes e espécies para uso agroflorestal.
• Promover o conhecimento e incentivar o debate entre os agricultores e proprietários de terra, sobre os problemas e conseqüências da utilização da agricultura químico-industrial, estimulando o trabalho em grupo e o associativismo, na busca do planejamento, organização e administração das propriedades rurais, com base nos princípios e práticas da agricultura orgânica e agrossilvicultura, enfatizando os princípios de conservação e valorização dos recursos naturais renováveis.
• Levar conhecimentos, técnicas e noções de agricultura sustentável aos proprietários de terra e técnicos.
• Disponibilizar aos grupos de agricultores orgânicos, modelos de estatuto de cooperativas e associações, para que possam discutir e decidir o modelo associativo a ser adotado.

A opção da agricultura orgânica como forma de preservação ambiental
Para se preservar o meio ambiente é necessário um conjunto de fatores, entre eles, a preservação do homem que vive nele e dele; a preservação do meio ambiente e seus recursos naturais minerais, vegetais e animais, de sua biodiversidade e suas correlações harmoniosas; e outros fatores. Com a aplicação de uma agricultura orgânica moderna comprometida com seus princípios de responsabilidade ambiental e social e inserida na atual sociedade acreditamos que é possível fazer uma nova realidade. A agricultura orgânica traz o desenvolvimento de toda comunidade. A agricultura orgânica é uma afirmação da sociedade em defesa do meio ambiente.


CONCLUSÃO
A Educação Ambiental visa a consciência no desenvolvimento de um mundo que se baseie na qualidade de vida para todos os seus componentes, bióticos ou abióticos, da qual o homem é parte inerente, tão importante como todas as outras. A educação pelo meio ambiente é a educação pela vida, por valores éticos, morais, corporais e ecológicos. A definição é vasta. Seus conceitos são amplos. Precisamos absorver a idéia de que se educar ecologicamente é uma necessidade básica, como comer, lavar as mãos antes das refeições, pedir benção aos mais velhos, orar e escovar os dentes ao acordar. Dessa forma, estaremos contribuindo com a garantia da qualidade de vida de todos os componentes de nossa própria casa: o planeta Terra.

Água: A Guerra do Futuro
A água mineral será o ouro do século XXI

Em tempos modernos, numa constatação da ONU, um bilhão e quatrocentos mil pessoas não têm água tratada em casa, originando diversas doenças, como diarréia e esquistossomose. Um terço da população sem condições vivem o stress da água.

Formada a partir de dois elementos, a água é um composto estável e todos vivemos dela! Recurso considerado, por muitos, praticamente inesgotável, para toda a população mundial, as águas potáveis já são escassas. Diferente da ficção Mad Max, onde houve lutas pelo que restou do petróleo, há o medo de guerras civis através das previsões de disputa pela água, e quem tiver acesso às águas potáveis terão o poder. Hoje, o litro de água é mais caro que o litro da gasolina. Enquanto compramos l'eau minérale da França, é bom lembrar que o Brasil é um dos países mais ricos em recursos no assunto, pois tem mais de 25% em água potável do mundo. Existe a previsão, do Banco Mundial, de escassez de água potável em 2004. Enquanto isso, empresas de grande porte, como a Coca-Cola e a Nestlé, vêm comprando terras com fontes pelo mundo inteiro, inclusive no Brasil. A água mineral será o ouro do século 21.

As águas de consumo público são captadas em lençóis subterrâneos e profundos, ao abrigo da poluição, ou em rios e lagos artificiais ou naturais. O tratamento completo da água comporta a eliminação das matérias em suspensão, coloidais ou não, e dos micropoluentes, compostos julgados perigosos ou desagradáveis mesmo em quantidade reduzida (metais pesados, compostos organoclorados, pesticidas, hidrocarbonetos). É um trabalho mecânico, mas excessivamente delicado no que diz respeito a responsabilidade desta. A agricultura consome muita água do mundo. A falta de água prejudica a agricultura; quando a água é pouca falta comida.

Durante a ECO-92, no Rio de Janeiro, foi instituído o Dia Mundial da Água, cujo principal objetivo é sensibilizar os países membros da ONU para que explorem de maneira mais racional os recursos de água. É de conhecimento dos governos mundiais que os recursos hídricos estão diminuindo gradativamente. De acordo com dados da ONU e da Comissão Mundial Sobre a Água do Século XXI, cerca de 500 milhões de habitantes de 29 países sofrem, hoje, de escassez de água. E para solucionar este problema no mundo, segundo o Banco Mundial, seriam necessários US$ 800 bilhões durante os próximos dez anos. A ajuda internacional não passa de 10% deste total.

A principio, cada país tem desenvolvido uma estratégia. Israel, por exemplo, sendo um país de pouquíssimos recursos fluviais, tem como missão nacional o aproveitamento adequado dos recursos existentes com as mais altas tecnologias para utilização das chuvas de inverno; reutilização de águas residenciais e industriais purificadas; processo de desalinização; conservação e aumento da pluviosidade; as indústrias redesenham suas instalações, diferente da situação do sucateamento das empresas brasileiras; a agricultura com seus avanços tecnológicos de irrigação, que trazem uma redução significativa da ordem de 20% da perda de água. Israel fornece água para todo o país e também à Jordânia. Neste ano, por exemplo, Israel passou por uma das piores secas dos últimos tempos; a quantidade de água não será suficiente nem para a própria população. Sendo assim, Israel passa pela possibilidade de suspender suas vendas à Jordânia, que será obrigada a comprar de um outro fornecedor mais distante, portanto mais gastos.

O Brasil destinou verbas internacionais para a criação de comitês das bacias, onde, por meio deles, membros da sociedade e dos governos municipais, estaduais e federal buscarão respostas de como deve ser usada a água dos rios. Cheguei a participar, como convidado, de reuniões no início de 1998 para uma das cinco bacias hidrográficas de Minas Gerais, onde a região de Visconde de Mauá está inclusa. A proposta é boa, torcer para que não mamem muito dessas verbas e que não acabe em pizza!

São Paulo, por exemplo, em matéria de água potável, dispõe, por pessoa, menos de um terço do nível mínimo recomendado pelas Nações Unidas. Não dispõe de novos mananciais, seus reservatórios continuam sendo poluídos e é assustador o crescimento de loteamentos clandestinos nas áreas dos mananciais, superpopulando essas importantes regiões, poluindo-as através de esgotos domésticos.

A alternativa mais coerente será racionalizar o consumo, desde o cidadão até a indústria, e investir na preservação dos mananciais, combatendo a ocupação dessas áreas. Por enquanto, dizem os governos que para a melhoria da qualidade das águas estão as obras municipais de saneamento básico, a recuperação dos mananciais e a limpeza de córregos, além de projetos de pesquisa de área. Falando deste jeito sobre projetos a serem realizados pelo governo, recordo-me quando estava no colegial e tive uma aula de filosofia sobre a diferença entre o de fato e de direito.

A verdade é que estamos cada vez mais distantes da água da fonte. Viramos con$umidores dependentes de garrafas e garrafões. Cada vez mais lançam sistemas de filtros e purificadores ultramodernos (um dos últimos, é por osmose reversa). Cientistas, no mundo, desenvolvem e aperfeiçoam técnicas que permitem melhorar o tratamento das águas residuais, salinas e da água potável. Para tratamentos cada vez mais sofisticados, em proporções semelhantes, crescem os ga$tos.
Pequenas atitudes, como desligar a torneira ao escovar os dentes e só utilizá-la para lavar-se, deixar o chuveiro desligado enquanto não toma banho. Se cada um tomar pequenas atitudes e posturas de cidadãos do mundo, transmitindo aos outros, já é um grande primeiro passo. Tem muita coisa para fazer, tanto os cidadãos quanto as indústrias e os governos.

Os dados são alarmantes. O problema é um fato e real, ultrapassa fronteiras, mas enquanto não chegar às torneiras de cada casa o tema águas escassas ainda será para poucos. É uma questão de tempo. Somos, de fato, dependentes da natureza, devemos prestar maior atenção a este assunto, dando importância real na saúde e na sobrevivência de muitos, evitando futuras guerras. Caso contrário... as águas vão rolar...

Uma dica para a saúde: todo dia, ao acordar, tomar em jejum um copo de água em temperatura ambiente.

O fantástico mundo das bactérias


Existem bactérias de todo tipo em todos os lugares do mundo, do alto dos picos nevados às profundezas do mar. São as criaturas vivas predominantes do planeta.

Elas pertencem ao Reino Monera, que juntamente com as Cianofíceas ou Cianobactérias, conhecidas como algas azuis, são organismos unicelulares (formados por apenas uma única célula) e procariontes (por não possuírem núcleo individualizado pela carioteca, organelas membranosas e nucléolo).

Algumas precisam de oxigênio para viver, outras utilizam gases e, para um terceiro grupo tanto faz. Essa versatilidade faz com que as bactérias sejam muito presentes nos ecossistemas. Elas é que reciclam, enquanto comem e descomem, nutrientes fundamentais como carbono, nitrogênio e enxofre. São mesmo as grandes responsáveis pela renovação da vida e estão na base de toda a cadeia alimentar. E, se antiguidade é posto, bactérias merecem respeito: o fóssil mais velho já encontrado é de uma bactéria e tem 3,5 bilhões de anos.

Embora as bactérias sejam mais conhecidas pelas infecções graves, com sífilis, cólera e tuberculose, a grande maioria das que habitam o corpo humano é de simples comensais. Comensais são micróbios que comem conosco e geralmente não criam problemas. Às vezes resolvem problemas. Vivem nas partes externas do corpo, isto é, a pele e mais o nariz, a garganta, a boca, os sínus e todo o canal gastrointestinal, também considerados parte externa.

Na pele, as bactérias ajudam a degradar as células mortas e destruir os resíduos eliminados por poros e microglândulas. Nos intestinos transformam resíduos complexos em substâncias simples e participam da geração de compostos químicos essenciais à vida humana, como as vitaminas D, K e B12.

A questão é que as bactérias nem sempre estão só comendo. Basta o ambiente do corpo ficar mais poluído e as defesas orgânicas falharem que elas começam a se reproduzir desenfreadamente. Um estreptococo fica anos na garganta, quietinho, e de repente explode numa amidalite aguda. Um pneumococo pelo qual ninguém dava nada detona uma pneumonia. Rompeu-se o equilíbrio de forças entre parasita e hospedeiro. O que foi, o que não foi – qualquer fator coadjuvante serve de gota d’água: mudanças de temperatura ou grau de umidade, alimentação deficiente durante alguns dias, stress, outros parasitas competindo por alguma vitamina importante, problemas emocionais, fungos no ar-condicionado, viagens. Gripes são típicas – sempre incluem alguma forma de infecção, leve ou grave, que aproveita a vulnerabilidade do hospedeiro.

Quando são as bactérias que mudam de ambiente, o desacerto é total. Infecções urinárias e renais em mulheres, por exemplo, quase sempre são causadas por uma bactéria do intestino que entra na uretra por falta de higiene adequada.

Na boca vivem bactérias muito nossas conhecidas, as que fazem os dentes ficarem peludos quando não são limpos. Elas amam açúcar e amido em geral, e como todas as bactérias, precisam de glicose como fonte de energia. São capazes de se multiplicar muito mais rapidamente se tiver algum restinho de doce por ali. A famosa placa bacteriana, que causa cáries e enfraquece a gengiva, é um aglomerado de estreptococos e vários oportunistas. Eles convertem açúcar e outros carboidratos em ácido lático, que vai esburacando o esmalte e o tecido dos dentes. Se os predominantes Streptococcus sanguis entrarem na corrente sanguínea, através de ferimentos na gengiva, podem até provocar formação de coágulos, apontada como o fator principal de ataques cardíacos e derrames.

O estômago quase não abriga bactérias porque seu nível de acidez é muito alto. No entanto existe um lugarzinho chamado antro que não é ácido. Ali podem viver bactérias como a Helicobacter pylori, envolvida nos processos de úlcera.

Nos intestinos mora uma quantidade incalculável de bactérias. Basta dizer que um dedal de matéria intestinal, pesando apenas um grama, contém 10 trilhões destes micróbios, agitadíssimos por sinal. Uns até fabricando vitaminas K e B, como a Escherichia coli, a bactéria mais popular da modernidade. Sabe-se mais sobre a biologia molecular desta bactéria do que sobre qualquer outro organismo, inclusive humano. É que ela se reproduz muito facilmente – em 20 minutos vira duas – e na biotecnologia industrial usa-se E coli para várias coisas, inclusive produção de enzimas e hormônios como a insulina. Habita normalmente o intestino grosso, quando se desenvolve no intestino delgado ou passa para a uretra, bexiga e rins é que precisa ser combatida.

Os Lactobacillus acidophillus são as bactérias mais simpáticas do intestino. Crescem mais depressa que as outras e dominam o ambiente, impedindo que as bactérias nocivas provoquem tormentas intestinais como prisão de ventre e diarréia. Gases? Uma pessoa normal solta entre dez e quinze puns diários por causa da Methanobacterium smithii, que produz gás metano a partir das fibras dos cereais e vegetais que digerem para nós.

Os Lactobacillus acidophillus ajudam a preservar alimentos, e fazem isso fermentando e acidificando-os de tal modo que outros micróbios não conseguem sobreviver. Outra maravilha desempenhada por ele é a fermentação das sementes de cacau dentro da fruta até ficarem no ponto, para serem utilizados na fabricação de chocolate.

O iogurte é leite acidificado por bactérias de proliferação controlada, como Lactobacillus acidophillus, Lactobacillus yogurtii, Lactobacillus bulgaricus e Streptococcus termophilus.

Carnívoros hospedam mais bactérias do que vegetarianos. Pseudomonas, Acinetobacter e Moraxella são bactérias de putrefação para quem a carne diz: Comei e multiplicai-vos. Microorganismos que podem causar intoxicações estão sempre presentes – Clostridium perfringens em carnes que não foram cozidas, guardadas ou reaquecidas na temperatura certa, Staphylococcus aureus nas carnes curadas e Clostridium botulinum nas carnes enlatadas. Outras bactérias que podem causar problemas em carnes contaminadas ou mal cozidas são Salmonella, Escherichia coli, Campylobacter jejuni e Listeria monocytogenes.

Os monogástricos, como os eqüinos, e os ruminantes, como os bovinos, dependem de micróbios para se nutrir. São equipes de fungos, bactérias, protistas e vírus que vivem numa parte especial do estômago e pré-digerem o capim e a palha para seu hospedeiro, cortando em pedacinhos e acrescentando enzimas, numa relação ecológica harmônica denominada mutualismo.

Plantas também dependem de bactérias para crescer. A maioria delas ajuda a enriquecer o solo, fertilizar as plantas e eliminar os insetos daninhos. A atmosfera possui 78% de nitrogênio, elemento essencial na formação dos aminoácidos, blocos construtivos das proteínas. No entanto, poucos organismos conseguem utilizar o nitrogênio atmosférico e converte-lo em compostos que poderão ser convertidos em grupamento amino (NH2). As bactérias do gênero Rhizobium constituem alguns desses organismos capazes de realizar este feito importantíssimo para o ecossistema. Elas realizam a fixação do nitrogênio em raízes de leguminosas como o feijão e a soja.

Sem dúvida, as bactérias constituem organismos importantíssimos, tanto no aspecto prejudicial quanto nos benefícios exponenciais que elas efetuam.

Questões para refletir
1) Seria possível a existência dos organismos eucariontes, como as plantas e os animais, caso as bactérias não existissem?
2) Imagine quais são as características do Reino Monera que permitiram às bactérias sobreviverem por todo esse longo período de 3,5 bilhões de anos.
3) De que forma a espécie humana tem interferido no comportamento das bactérias?
4) Até que ponto a interferência humana no comportamento das bactérias é vantajoso para a humanidade?
5) Na sua opinião, quem são mais bem adaptados, os vírus ou as bactérias?
6) Seria lógico dizer que existem mais espécies de bactérias do que qualquer outra espécie vivente em nosso planeta?


CONCEITOS BÁSICOS DE ECOLOGIA

“O conjunto vivo formado pela biocenose e pelo biótopo em interação é chamado ecossistema. Uma floresta, considerada em sua totalidade, isto é, com seus fatores abióticos e comunidades de seres vivos em interação, constitui um ecossistema.”

Habitat
Habitat significa "o local onde vive determinada espécie". Tem sentido mais restrito de que biótopo, que se refere ao local onde vive toda a biocenose. Se quisermos falar do local onde vivem as girafas, devemos usar o termo habitat. Mas se quisermos nos referir ao local onde vive a biocenose da savana, falamos em biótopo.

Nicho Ecológico
A palavra “nicho” (do italiano antigo nicchio) significa, originalmente, uma cavidade ou vão na parede onde se coloca uma estátua ou imagem. Por extensão, o termo “nicho” transmite a noção de um “ambiente escondido”, que inspirou o conceito de nicho ecológico. Desenvolvido pelo ecólogo norte-americano C. Elton, no final da década de 1920: “Nicho ecológico é o conjunto de relações e atividades próprias de uma espécie, ou seja, o modo de vida único e particular que cada espécie explora no habitat”.

O conceito de nicho ecológico é abstrato e engloba desde a maneira pela qual uma espécie se alimenta até suas condições de reprodução, tipo de moradia, hábitos, inimigos naturais, estratégias de sobrevivência, etc.

Biótopo
Para viver, a Biocenose depende de fatores componentes físicos e químicos do ambiente. Em seu conjunto, esses componentes formam o biótopo (do grego bios, vida, e topos, lugar), que significa "o loco onde vive a Biocenose". No exemplo da floresta, o biótopo é a área que contém o solo (com seus minerais e água) e a atmosfera (com seus gases, umidade, temperatura, grau de luminosidade etc.). Os fatores abióticos do biótopo afetam diretamente a Biocenose, e também são por ela influenciados. O desenvolvimento de uma floresta, por exemplo, modifica a umidade do ar e a temperatura de uma região.

Biociclo
É um outro modo de dividir a biosfera, levando em consideração os três grandes meios existentes na Terra: o terrestre, o marinho e a água doce. O biociclo marinho engloba todas as formações chamadas de mares ou oceanos. O biociclo de água doce inclui os rios, lagos, lagoas, riachos, córregos e represas. O biociclo terrestre inclui os campos, desertos, prados, etc. Cada biociclo possui as suas características próprias.

A principal característica do biociclo marinho é a sua estabilidade. A temperatura oscila muito pouco durante o dia. Outra característica que deve ser citada é relacionada à parte biótica. Muitos grupos de seres vivos possuem representantes exclusivamente marinhos: é o caso dos Equinodermos. Já os anfíbios e os insetos não possuem representantes no mar.

Bioma
Os biomas são considerados subdivisões do biociclo. De maneira geral são estudados os biomas do biociclo terrestre. A conceituação de bioma leva em conta a formação vegetal que predominante no ambiente.

Ecótone
Corresponde a uma transição entre duas ou mais comunidades distintas, pertencentes a diferentes ecossistemas. É o caso da área de transição existente entre o córrego e o campo. Considera-se que na área de transição entre dois ecossistemas, ou seja, no ecótone, há maior diversidade de espécies.

Princípio de Gause ou princípio da exclusão competitiva
Se duas espécies ocuparem exatamente o mesmo nicho ecológico, a competição entre elas será tão severa que não poderão conviver.

O princípio de Gause tem sido confirmado por diversos estudos, feitos com diferentes espécies de organismos.

A destruição das Espécies e dos Ecossistemas
Na Europa , 400 anos atrás, havia cerca de 9 milhões de quilômetros quadrados de florestas, hoje existem menos de 2 milhões. Do século XVII até hoje, foram exterminadas centenas de espécies de aves e mamíferos e outras tantas estão ameaçadas de extinção. Também alguns Ecossistemas são destruídos e ameaçados, juntamente com as espécies de animais que vivem neles. Exemplo disso é a eliminação sistemática dos pântanos nas regiões temperadas. Isso é um erro, porque os pântanos funcionam como esponjas, regulando os níveis dos lençóis de água subterrânea : alimentam esses lençóis no verão e recolhem a água nas estações chuvosas, evitando inundações.

Outros Ecossistemas que correm grave risco são as florestas tropicais. Elas são destruídas para dar lugar a lavouras, estradas, instalações industriais, e, para extração de madeira. Com o desmatamento, elimina-se a cobertura vegetal que protege o solo da erosão provocada pelas águas correntes e isso facilita as inundações. O desmatamento de grandes extensões provoca mudanças no clima, que se torna mais árido. A ECOLOGIA nos ensina que a manutenção das espécies e dos Ecossistemas, é um dos aspectos mais importantes da conservação da natureza. Pântanos e florestas, e também todos os outros ecossistemas devem ser respeitados, porque constituem um elemento fundamental do grandioso mecanismo da vida na natureza.

Exemplos de Ecossitemas
? No fundo do mar: Mesmo onde a água é muito rasa, o fundo do mar abriga uma grande variedade de animais que, em sua maioria, vivem fixados às pedras ou se deslocam muito lentamente. Os mais típicos e numerosos habitantes do fundo, pertencem ao grupo dos Equinodermos( do grego, pele espinhosa), entre eles estão o ouriço-do-mar, as estrelas do mar e os Holuturióides, também chamados de pepino-do -mar.

? Num costão rochoso: Nesse ambiente agitado, só conseguem viver animais capazes de permanecer firmemente aderidos às rochas, senão seriam varridos pelas ondas. Nesse ambiente vivem também outros animais, como cracas, crustáceos fixos de aparência curiosa e pequenos caranguejos que se movimentam agilmente entre as irregularidades das rochas.

? Debaixo das pedras: Levantando-se uma pedra, no campo, em qualquer jardim, é quase certo que encontraremos numerosos animaizinhos, geralmente tatuzinho, lacraias, centopéias, besouro, carrapatos.

? Em uma fonte: Qualquer fonte de jardim, pode constituir um pequeno ambiente muito rico em formas de vida. Nos tanques, se a água estiver limpa, pode-se observar no fundo, uma espécie de algodão verde, formado por muitos filamentos, são as algas verdes.

? Nos parques e jardins: Localizados no interior das cidades, estes parques e jardins são tranqüilas ilhas de vegetação, abrigando uma fauna muito rica em pardais, sabiás, pombas, esquilos, serelepes e uma infinidade de outras aves e animais. Mas nestes parques, os animais são tratados e alimentados pelo homem, o que já não acontece na periferia urbana, sobretudo nos campos e terrenos baldios, colonizados por uma flora muito especial. Aí, sem a interferência humana, criou-se um habitat natural para uma enorme quantidade de pequenos animais. "Mesmo entre prédios, ruas, carros, enfim, no ambiente artificial de uma cidade, os animais e plantas são capazes de invadir e até de conquistar pequenos ambientes, onde sobrevivem e se reproduzem".

A Destruição dos Recursos Naturais
Água, madeira, solo, plantas, minerais, são recursos que existem na Terra, para melhorar a vida do Homem. Mas tem havido um exagero nesse aproveitamento e, como as riquezas na Terra não são inesgotáveis, está havendo uma devastação generalizada desses recursos.

A prática da monocultura torna as terras improdutivas, que logo são abandonadas. A destruição da cobertura vegetal protetora, os cultivos errados, o excesso de pastagens, acabam com a vegetação.

A erosão, que provoca uma desertificação, a aridez, enfim, tudo isso torna os ambientes inabitáveis.

Desertificação
Desertificação é o empobrecimento dos ecossistemas áridos, semi-áridos e subúmidos em virtude de atividades humanas predatórias e, em menor grau, de mudanças naturais. Atualmente, 34% (49.384.500 km²) das terras emersas do planeta são propensas à desertificação. As áreas mais afetadas são o oeste da América do Sul, o Nordeste do Brasil, o norte e o sul da África, o Oriente Médio, a Ásia Central, a Austrália e o sudoeste dos Estados Unidos.

Desde a primeira Conferência Mundial sobre Desertificação, no Quênia, em 1977, os cientistas têm mostrado que o aumento das regiões áridas do mundo não decorre somente da progressão natural dos desertos , em geral resultado de alterações climáticas e fenômenos tectônicos ao longo de milhares de anos. Esse alastramento vem sendo provocado principalmente pelo homem, por meio do desmatamento de extensas áreas de floresta; da agropecuária predatória, que emprega técnicas inadequadas de cultivo e pastoreio; e de alguns tipos de mineração, como a extração dos cristais de rocha, que removem a camada superficial do solo. Essas atividades levam à diminuição da cobertura vegetal, ao surgimento de dunas, ao esgotamento dos solos, à perda de água do subsolo, à erosão e ao assoreamento dos rios e lagos. E o problema é agravado pelo efeito estufa , pela chuva ácida e pelo buraco na camada de ozônio.

Quando o solo se desertifica, as populações buscam outras terras, onde repetem os mesmos erros cometidos anteriormente. Com isso criam novas áreas desertificadas, num ciclo contínuo. A conseqüência é a migração, que acaba formando cinturões de pobreza ao redor dos centros urbanos. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), existem atualmente 500 milhões de refugiados ecológicos em todo o mundo, número que deve dobrar até o final da década. Esses refugiados foram obrigados a abandonar suas terras devido à degradação ambiental.

A desertificação, em longo prazo, poderá causar uma diminuição drástica das terras férteis, o que, aliado ao aumento da demanda por alimentos, pode levar a um aumento da fome no mundo. Para evitar que isso ocorra, é necessário conter o avanço dos desertos com medidas como o reflorestamento, o controle do movimento das dunas e a rotação de culturas. É possível também controlar a erosão com o plantio em terraços e curvas de nível nos terrenos inclinados e o cultivo direto sobre os restos da cultura anterior, evitando a exposição do solo ao sol, à chuva e ao vento.

PRODUTOS ORGÂNICOS
Introdução ao sistema orgânico de produção

A utilização do sistema orgânico de produção exige conhecimento técnico em grau elevado. Para sua condução é fundamental conhecer as interações ecológicas e biológicas envolvidas na atividade agrícola, estar capacitado para manejar os ciclos de nutrientes, de modo a reduzir a dependência de insumos (adubos, fertilizantes, sementes) externos à propriedade.

A prática da agricultura orgânica requer muita mão-de-obra, seja assalariada ou familiar. Em países como o Brasil, onde há mão-de-obra em abundância, esse tipo de agricultura constitui uma excelente opção para ocupação de pessoas no meio rural, com a vantagem adicional de preservar a saúde do trabalhador rural e não causar danos ao ambiente natural.

As alternativas são muitas; além da produção agrícola também é possível obter alimentos orgânicos da produção animal. A oferta de produtos de origem animal vem crescendo e em breve já será possível encontrar laticínios, carne de frango e outros alimentos provenientes da pecuária orgânica. No país, já se praticam diversas culturas em sistemas agroecológicos. Vejamos, com mais detalhes algumas delas:

HORTICULTURA

A horticultura inclui todas as olericulturas (folhas, legumes, tubérculos, raízes, ervas e temperos), a fruticultura (frutas tropicais e temperadas) e a floricultura (flores para arranjos e flores comestíveis). A horticultura orgânica está bastante difundida e vem conquistando cada vez mais os produtores convencionais e novos produtores. O produtor de horticultura convencional começa a se conscientizar sobre as vantagens de trabalhar com sistemas agroecológicos:
? Preserva a sua saúde de sua família, por não utilizar agrotóxicos.
? Produz alimentos e de qualidade, preservando também a saúde do consumidor.
? Diminui seu custo na compra de insumos.
? Aumenta o valor agregado de seu produto.

O sistema de produção pode ter os seguintes objetivos: produção exclusiva para auto-subsistência da família (hortas caseiras), produção para auto-subsistência com venda da produção excedente no mercado e produção voltada prioritariamente para a comercialização.

A produção orgânica de subsistência pode ser feita em alguns canteiros como também em áreas em pouco maiores. São pequenas hortas. Estas áreas podem variar de 100 ate 500 metros quadrados.

A partir de 1000 metros quadrados, pode-se considerar que a horta, além de produzir para a subsistência , poderá vender o excedente para o mercado e conseqüentemente obter algum recurso extra.

A produção orgânica em áreas acima de 5000 metros quadrados (meio hectare) ou um quadrado de 100 metros quadrados (+ ou – 1 campo de futebol), já pode ser considerada área apta a cultivo comercial. O tamanho médio de hortas orgânicas varia de 1 a 5 hectares.

GRÃOS E CEREAIS

Os grãos e cereais incluem alimentos como arroz, feijão, milho, soja, trigo, girassol, gergelim, lentilha, aveia e muitos outros. A tecnologia de produção de grãos e cereais orgânicos vem se desenvolvendo de forma acentuada e sua produção pode ser desenvolvida em pequena e larga escalas. Algumas regiões do Brasil estão convertendo seus sistemas convencionais para sistemas agroecológicos. Uma das principais razões dessa conversão é a necessidade de recuperação dos solos nas áreas que já foram plantadas de forma intensiva. Estas áreas necessitam de sistemas com um manejo racional que possam garantir a sua exploração a longo prazo.

A oferta destes produtos já atende, em parte, o mercado interno mas é para a exportação que a maior parte desta produção se destina. Os grãos e cereais são alternativas bastante interessantes tanto para o mercado interno quanto para exportação, visto que os produtos não são perecíveis e podem percorrer mais facilmente longas distâncias. O Brasil vem obtendo um padrão crescente de qualidade na produção de soja, trigo, feijão e arroz orgânicos, conquistando consumidores do país e do mercado internacional.

O mercado europeu é o mais promissor; a resistência ao grão transgênico, a preocupação com resíduos químicos nos alimentos e a necessidade de importação para suprir a demanda, vem gerando grande interesse do mercado europeu pelos grãos orgânicos, desde que certificados e produzidos dentro das estritas normas de produção agroecológica. Cabe ressaltar, contudo, que a exportação de produtos orgânicos exige profundo conhecimento das intrincadas normas, padrões e exigências relativas à qualidade e certificação, exigidas pelo Mercado Comum Europeu.

Agricultura Orgânica e Desenvolvimento Sustentável
Túlio Vieira Bastos

Acreditar que, mais que alimentos, a agricultura produz relações dos homens entre si e dos homens com a natureza, conferindo a quem pratica essa atividade uma responsabilidade tanto na dimensão social quanto ambiental.

Existem bons motivos para se tornar um produtor orgânico. É inegável, hoje, o impacto que a agricultura convencional tem exercido sobre o meio ambiente. Esse modelo agrícola é considerado o maior obstáculo a uma agricultura sustentável, pois os insumos químicos e as práticas que utiliza tem sido responsáveis por uma degradação intensa dos recursos naturais.

Empobrecimento do solo pelo uso continuado de fertilizantes químicos, erosão, contaminação das águas e do solo pelo uso de agrotóxicos, resíduos tóxicos nos alimentos são alguns das conseqüências da agricultura moderna. Os prejuízos à saúde humana provocados pelo uso intenso de agrotóxicos têm sido comprovados por inúmeras pesquisas médicas. Trabalhadores rurais e suas famílias sentem de perto os efeitos da intoxicação pelo uso de substâncias químicas tóxicas. Os resíduos de pesticidas nos legumes, verduras e frutas, a presença de antibióticos e hormônios de crescimento nas carnes em geral, a imensa variedade de aditivos utilizados na produção de alimentos tem sido motivo de preocupação crescente por parte do consumidor, que anseia por uma opção mais segura de alimentação. Nesse contexto, a agricultura orgânica torna-se uma solução muito mais saudável na produção de alimentos. Ela não é apenas uma alternativa à prática agrícola convencional, mas um imperativo ecológico e única forma de evitar os danos que a produção agroquímica vem causando ao meio-ambiente e à saúde humana.

O produtor não deve se esquecer de que é o consumidor quem vai determinar a sua permanência no mercado. Por isso, suas necessidades e preferências devem ser respeitadas.Os produtos devem ter padrões de qualidade bem definidos. Os alimentos produzidos sob princípios agroecológicos já possuem excelente qualidade biológica, o que lhes confere uma qualidade interna melhor. Além disso, é desejável que os produtos orgânicos atendam também os parâmetros de tamanho e aparência do mercado, a fim de conquistar ainda mais a fidelidade do consumidor. É prudente ressaltar, que a única forma de se construir uma relação de confiança entre a produção orgânica e o consumidor é a certificação. Só ela, através de um selo de qualidade, dá ao consumidor a certeza de que o produto é resultado de um sistema que obedece a normas rígidas de produção.

(Fonte: PLANETA ORGÂNICO)


 
ECOLUZ | CORREDOR CULTURAL
ABRALUZ - Associação Brasileira dos Amigos do Caminho da Luz
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