DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL
PRODUTOS
ORGÂNICOS | ÁGUA: A GUERRA
DO FUTURO
O FANTÁSTICO MUNDO DAS BACTÉRIAS
| CONCEITOS BÁSICOS DE ECOLOGIA
QUESTÕES
AMBIENTAIS
PALESTRA: “A EDUCAÇÃO
AMBIENTAL E A BIODIVERSIDADE”
Professor
Túlio Bastos
“Não
somos pescadores domingueiros esperando o peixe Somos agricultores,
esperando a colheita, porque a queremos muito, porque conhecemos
as sementes, a terra, os ventos e a chuva, porque avaliamos
as circunstâncias e porque trabalhamos seriamente.”
INTRODUÇÃO
O tema biodiversidade tem chegado até nós
com crescente freqüência, através dos
meios de comunicação. As campanhas para salvar
o mico-leão dourado, o tamanduá-bandeira,
as tartarugas-marinhas vão se tornando familiares
e, com isso, passamos a associar a preservação
da diversidade da vida a um outro animal específico,
sem compreendermos de fato a amplitude da questão:
a preservação da biodiversidade é a
preservação de uma rede de inter-relações,
que está sendo destruída pelo modo como nós
nos relacionamos com o meio ambiente.
O desaparecimento de uma espécie, mais do que constituir
uma perda irreparável – afinal de contas EXTINÇÃO
É PARA SEMPRE – é também um sinal
indicador da destruição do próprio
local em que essa espécie vive. Tal perda, portanto,
aponta para a destruição de muitas outras
espécies que dependem direta ou indiretamente do
mesmo local para viver. A coisa é muito simples e
ao mesmo tempo extremamente complexa e perfeita. As inter-relações
entre os seres vivos se estabelecem em uma teia alimentar,
onde cada espécie é de fundamental importância
para a vida como um todo. Afinal de contas, não se
pode completar um quebra-cabeça se estiver faltando
uma peça, da mesma forma que a ausência de
uma só espécie acaba por gerar um desequilíbrio
que afeta todo o ecossistema, inclusive os fatores abióticos.
O homem constitui apenas mais uma das milhares de centenas
de espécies que habitam este enorme e maravilhoso
planeta. Nossa alimentação, o ar que respiramos,
a água que bebemos, enfim, todos os nossos recursos,
dependem do equilíbrio de toda a teia da vida, de
forma que nós, ao contribuirmos com a destruição
do planeta, estamos contribuindo com a nossa própria
destruição.
A preservação da biodiversidade é a
preservação de nossa própria sobrevivência
no planeta.
O
PAPEL DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO SÉCULO
XXI
“As plantas já não crescem mais, até
o alecrim murchou. O sapo se mudou, o lambari morreu porque
o ribeirão secou”
Educar é mostrar que é possível, aprender
é tornar possível a si mesmo.
O Brasil é tetra campeão mundial de reciclagem
de latinhas. Em média, oitenta a noventa e cinco
por cento de toda latinha produzida é reciclada,
levando em média 28 dias para retornarem às
prateleiras dos supermercados.
Redução na camada de ozônio
DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL: EVOLUÇÃO DO CONCEITO
O conceito de sustentabilidade ligado à preservação
do meio ambiente é uma idéia recente, visto
que nos países desenvolvidos o ambientalismo só
tomou corpo a partir da década de 50. Isto deve ao
fato de que a partir desta época ficaram evidentes
os danos os danos que o crescimento econômico e a
industrialização causavam ao meio ambiente,
fazendo prever as dificuldades de se manter o desenvolvimento
de uma nação com o esgotamento de seus recursos
naturais (Carvalho, 1994).
Na teoria econômica clássica a idéia
de sustentabilidade se relacionava com a expansão
de um setor moderno, representado pela indústria
e os serviços, que englobasse os setores mais tradicionais,
como a agricultura. Assim, de acordo com Rostow (1963),
"os surtos esporádicos de crescimentos seriam
substituídos por uma capacidade de acumulação
endogeneizada através da consolidação
de uma indústria pesada, capaz de garantir internamente
sua reprodução ampliada” (Egler, 1993).
Este sistema seria garantido por uma crescente participação
das poupanças voluntárias na renda nacional
(Lewis, 1963). Com a expansão dos movimentos ambientalistas
tratou-se de definir desenvolvimento sustentável
como a interação de crescimento econômico
e conservação da natureza (PROJETO ÁRIDAS,
1995).
Partindo da noção básica de desenvolvimento,
qual seja, "A combinação da expansão
econômica persistente (crescimento) com a ampla difusão
dos benefícios deste crescimento entre a população",
Gomes (1995) formula uma definição moderna
e atual que combina desenvolvimento e sustentabilidade ecológica.
Assim, desenvolvimento sustentável pressupõe
a expansão econômica permanente, com melhorias
nos indicadores sociais e a preservação ambiental.
Outros conceitos serão colocados mais adiante quando
tratarmos dos programas de desenvolvimento regional do nordeste
brasileiro.
Propostas
do Desenvolvimento Sustentável
• A satisfação das necessidades básicas
da população (educação, alimentação,
saúde, lazer, etc);
• A solidariedade para com as gerações
futuras (preservar o ambiente de modo que elas tenham chance
de viver);
• A participação da população
envolvida (todos devem se conscientizar da necessidade de
conservar o ambiente e fazer cada um a parte que lhe cabe
para tal);
• A preservação dos recursos naturais
(água, oxigênio, etc);
• A elaboração de um sistema social
garantindo emprego, segurança social e respeito a
outras culturas (erradicação da miséria,
do preconceito e do massacre de populações
oprimidas, como por exemplo os índios);
• A efetivação dos programas educativos.
Na tentativa de chegar ao DS, sabemos que a Educação
Ambiental é parte vital e indispensável, pois
é a maneira mais direta e funcional de se atingir
pelo menos uma de suas metas: a participação
da população.
AGRICULTURA
ORGÂNICA: RETORNANDO ÀS RAÍZES
Em outros tempos, que há muito deixam lembranças,
haviam maravilhosas hortas no fundo do quintal da maioria
de nossas casas. Hoje, uma horta simples e pequena é
objeto de admiração e vislumbre. O que era
comum em tempos passados, tornou-se preciosidade. É
preciso pagar até três vezes mais por um pé
de alface que seja livre de agrotóxicos.
Agricultura orgânica é um sistema de gerenciamento
total da produção agrícola com vistas
a promover e realçar a saúde do meio ambiente,
preservar a biodiversidade, os ciclos e as atividades biológicas
do solo. Nesse sentido, a agricultura orgânica enfatiza
o uso de práticas de manejo em oposição
ao uso de elementos estranhos ao meio rural. Isso abrange,
sempre que possível, a administração
de conhecimentos agronômicos, biológicos e
até mesmo mecânicos. Mas exclui a adoção
de substâncias químicas ou outros materiais
sintéticos que desempenhem no solo funções
estranhas às desempenhadas pelo ecossistema.
Objetivos
da Agricultura Orgânica
• Proporcionar aos pequenos agricultores e proprietários
de terra, conhecimentos e métodos de agricultura
orgânica através de experiências práticas.
• Prestar assessoria técnica na produção
e comercialização, realizando reuniões
e visitas periódicas aos agricultores interessados,
orientando-os e discutindo os aspectos relacionados à
produção, organização e planejamento
da propriedade.
• Ampliar experiências de agricultura orgânica,
diversificando as culturas, introduzindo diferentes tipos
de adubos verdes e espécies para uso agroflorestal.
• Promover o conhecimento e incentivar o debate entre
os agricultores e proprietários de terra, sobre os
problemas e conseqüências da utilização
da agricultura químico-industrial, estimulando o
trabalho em grupo e o associativismo, na busca do planejamento,
organização e administração
das propriedades rurais, com base nos princípios
e práticas da agricultura orgânica e agrossilvicultura,
enfatizando os princípios de conservação
e valorização dos recursos naturais renováveis.
• Levar conhecimentos, técnicas e noções
de agricultura sustentável aos proprietários
de terra e técnicos.
• Disponibilizar aos grupos de agricultores orgânicos,
modelos de estatuto de cooperativas e associações,
para que possam discutir e decidir o modelo associativo
a ser adotado.
A
opção da agricultura orgânica como forma
de preservação ambiental
Para se preservar o meio ambiente é necessário
um conjunto de fatores, entre eles, a preservação
do homem que vive nele e dele; a preservação
do meio ambiente e seus recursos naturais minerais, vegetais
e animais, de sua biodiversidade e suas correlações
harmoniosas; e outros fatores. Com a aplicação
de uma agricultura orgânica moderna comprometida com
seus princípios de responsabilidade ambiental e social
e inserida na atual sociedade acreditamos que é possível
fazer uma nova realidade. A agricultura orgânica traz
o desenvolvimento de toda comunidade. A agricultura orgânica
é uma afirmação da sociedade em defesa
do meio ambiente.
CONCLUSÃO
A Educação Ambiental visa a consciência
no desenvolvimento de um mundo que se baseie na qualidade
de vida para todos os seus componentes, bióticos
ou abióticos, da qual o homem é parte inerente,
tão importante como todas as outras. A educação
pelo meio ambiente é a educação pela
vida, por valores éticos, morais, corporais e ecológicos.
A definição é vasta. Seus conceitos
são amplos. Precisamos absorver a idéia de
que se educar ecologicamente é uma necessidade básica,
como comer, lavar as mãos antes das refeições,
pedir benção aos mais velhos, orar e escovar
os dentes ao acordar. Dessa forma, estaremos contribuindo
com a garantia da qualidade de vida de todos os componentes
de nossa própria casa: o planeta Terra.
Água: A
Guerra do Futuro
A água mineral será o ouro do século
XXI
Em
tempos modernos, numa constatação da ONU,
um bilhão e quatrocentos mil pessoas não têm
água tratada em casa, originando diversas doenças,
como diarréia e esquistossomose. Um terço
da população sem condições vivem
o stress da água.
Formada a partir de dois elementos, a água é
um composto estável e todos vivemos dela! Recurso
considerado, por muitos, praticamente inesgotável,
para toda a população mundial, as águas
potáveis já são escassas. Diferente
da ficção Mad Max, onde houve lutas pelo que
restou do petróleo, há o medo de guerras civis
através das previsões de disputa pela água,
e quem tiver acesso às águas potáveis
terão o poder. Hoje, o litro de água é
mais caro que o litro da gasolina. Enquanto compramos l'eau
minérale da França, é bom lembrar que
o Brasil é um dos países mais ricos em recursos
no assunto, pois tem mais de 25% em água potável
do mundo. Existe a previsão, do Banco Mundial, de
escassez de água potável em 2004. Enquanto
isso, empresas de grande porte, como a Coca-Cola e a Nestlé,
vêm comprando terras com fontes pelo mundo inteiro,
inclusive no Brasil. A água mineral será o
ouro do século 21.
As águas de consumo público são captadas
em lençóis subterrâneos e profundos,
ao abrigo da poluição, ou em rios e lagos
artificiais ou naturais. O tratamento completo da água
comporta a eliminação das matérias
em suspensão, coloidais ou não, e dos micropoluentes,
compostos julgados perigosos ou desagradáveis mesmo
em quantidade reduzida (metais pesados, compostos organoclorados,
pesticidas, hidrocarbonetos). É um trabalho mecânico,
mas excessivamente delicado no que diz respeito a responsabilidade
desta. A agricultura consome muita água do mundo.
A falta de água prejudica a agricultura; quando a
água é pouca falta comida.
Durante a ECO-92, no Rio de Janeiro, foi instituído
o Dia Mundial da Água, cujo principal objetivo é
sensibilizar os países membros da ONU para que explorem
de maneira mais racional os recursos de água. É
de conhecimento dos governos mundiais que os recursos hídricos
estão diminuindo gradativamente. De acordo com dados
da ONU e da Comissão Mundial Sobre a Água
do Século XXI, cerca de 500 milhões de habitantes
de 29 países sofrem, hoje, de escassez de água.
E para solucionar este problema no mundo, segundo o Banco
Mundial, seriam necessários US$ 800 bilhões
durante os próximos dez anos. A ajuda internacional
não passa de 10% deste total.
A principio, cada país tem desenvolvido uma estratégia.
Israel, por exemplo, sendo um país de pouquíssimos
recursos fluviais, tem como missão nacional o aproveitamento
adequado dos recursos existentes com as mais altas tecnologias
para utilização das chuvas de inverno; reutilização
de águas residenciais e industriais purificadas;
processo de desalinização; conservação
e aumento da pluviosidade; as indústrias redesenham
suas instalações, diferente da situação
do sucateamento das empresas brasileiras; a agricultura
com seus avanços tecnológicos de irrigação,
que trazem uma redução significativa da ordem
de 20% da perda de água. Israel fornece água
para todo o país e também à Jordânia.
Neste ano, por exemplo, Israel passou por uma das piores
secas dos últimos tempos; a quantidade de água
não será suficiente nem para a própria
população. Sendo assim, Israel passa pela
possibilidade de suspender suas vendas à Jordânia,
que será obrigada a comprar de um outro fornecedor
mais distante, portanto mais gastos.
O Brasil destinou verbas internacionais para a criação
de comitês das bacias, onde, por meio deles, membros
da sociedade e dos governos municipais, estaduais e federal
buscarão respostas de como deve ser usada a água
dos rios. Cheguei a participar, como convidado, de reuniões
no início de 1998 para uma das cinco bacias hidrográficas
de Minas Gerais, onde a região de Visconde de Mauá
está inclusa. A proposta é boa, torcer para
que não mamem muito dessas verbas e que não
acabe em pizza!
São Paulo, por exemplo, em matéria de água
potável, dispõe, por pessoa, menos de um terço
do nível mínimo recomendado pelas Nações
Unidas. Não dispõe de novos mananciais, seus
reservatórios continuam sendo poluídos e é
assustador o crescimento de loteamentos clandestinos nas
áreas dos mananciais, superpopulando essas importantes
regiões, poluindo-as através de esgotos domésticos.
A alternativa mais coerente será racionalizar o consumo,
desde o cidadão até a indústria, e
investir na preservação dos mananciais, combatendo
a ocupação dessas áreas. Por enquanto,
dizem os governos que para a melhoria da qualidade das águas
estão as obras municipais de saneamento básico,
a recuperação dos mananciais e a limpeza de
córregos, além de projetos de pesquisa de
área. Falando deste jeito sobre projetos a serem
realizados pelo governo, recordo-me quando estava no colegial
e tive uma aula de filosofia sobre a diferença entre
o de fato e de direito.
A verdade é que estamos cada vez mais distantes da
água da fonte. Viramos con$umidores dependentes de
garrafas e garrafões. Cada vez mais lançam
sistemas de filtros e purificadores ultramodernos (um dos
últimos, é por osmose reversa). Cientistas,
no mundo, desenvolvem e aperfeiçoam técnicas
que permitem melhorar o tratamento das águas residuais,
salinas e da água potável. Para tratamentos
cada vez mais sofisticados, em proporções
semelhantes, crescem os ga$tos.
Pequenas atitudes, como desligar a torneira ao escovar os
dentes e só utilizá-la para lavar-se, deixar
o chuveiro desligado enquanto não toma banho. Se
cada um tomar pequenas atitudes e posturas de cidadãos
do mundo, transmitindo aos outros, já é um
grande primeiro passo. Tem muita coisa para fazer, tanto
os cidadãos quanto as indústrias e os governos.
Os dados são alarmantes. O problema é um fato
e real, ultrapassa fronteiras, mas enquanto não chegar
às torneiras de cada casa o tema águas escassas
ainda será para poucos. É uma questão
de tempo. Somos, de fato, dependentes da natureza, devemos
prestar maior atenção a este assunto, dando
importância real na saúde e na sobrevivência
de muitos, evitando futuras guerras. Caso contrário...
as águas vão rolar...
Uma dica para a saúde: todo dia, ao acordar, tomar
em jejum um copo de água em temperatura ambiente.
O
fantástico mundo das bactérias
Existem bactérias de todo tipo em todos os lugares
do mundo, do alto dos picos nevados às profundezas
do mar. São as criaturas vivas predominantes do planeta.
Elas pertencem ao Reino Monera, que juntamente com as Cianofíceas
ou Cianobactérias, conhecidas como algas azuis, são
organismos unicelulares (formados por apenas uma única
célula) e procariontes (por não possuírem
núcleo individualizado pela carioteca, organelas
membranosas e nucléolo).
Algumas precisam de oxigênio para viver, outras utilizam
gases e, para um terceiro grupo tanto faz. Essa versatilidade
faz com que as bactérias sejam muito presentes nos
ecossistemas. Elas é que reciclam, enquanto comem
e descomem, nutrientes fundamentais como carbono, nitrogênio
e enxofre. São mesmo as grandes responsáveis
pela renovação da vida e estão na base
de toda a cadeia alimentar. E, se antiguidade é posto,
bactérias merecem respeito: o fóssil mais
velho já encontrado é de uma bactéria
e tem 3,5 bilhões de anos.
Embora as bactérias sejam mais conhecidas pelas infecções
graves, com sífilis, cólera e tuberculose,
a grande maioria das que habitam o corpo humano é
de simples comensais. Comensais são micróbios
que comem conosco e geralmente não criam problemas.
Às vezes resolvem problemas. Vivem nas partes externas
do corpo, isto é, a pele e mais o nariz, a garganta,
a boca, os sínus e todo o canal gastrointestinal,
também considerados parte externa.
Na pele, as bactérias ajudam a degradar as células
mortas e destruir os resíduos eliminados por poros
e microglândulas. Nos intestinos transformam resíduos
complexos em substâncias simples e participam da geração
de compostos químicos essenciais à vida humana,
como as vitaminas D, K e B12.
A questão é que as bactérias nem sempre
estão só comendo. Basta o ambiente do corpo
ficar mais poluído e as defesas orgânicas falharem
que elas começam a se reproduzir desenfreadamente.
Um estreptococo fica anos na garganta, quietinho, e de repente
explode numa amidalite aguda. Um pneumococo pelo qual ninguém
dava nada detona uma pneumonia. Rompeu-se o equilíbrio
de forças entre parasita e hospedeiro. O que foi,
o que não foi – qualquer fator coadjuvante
serve de gota d’água: mudanças de temperatura
ou grau de umidade, alimentação deficiente
durante alguns dias, stress, outros parasitas competindo
por alguma vitamina importante, problemas emocionais, fungos
no ar-condicionado, viagens. Gripes são típicas
– sempre incluem alguma forma de infecção,
leve ou grave, que aproveita a vulnerabilidade do hospedeiro.
Quando são as bactérias que mudam de ambiente,
o desacerto é total. Infecções urinárias
e renais em mulheres, por exemplo, quase sempre são
causadas por uma bactéria do intestino que entra
na uretra por falta de higiene adequada.
Na boca vivem bactérias muito nossas conhecidas,
as que fazem os dentes ficarem peludos quando não
são limpos. Elas amam açúcar e amido
em geral, e como todas as bactérias, precisam de
glicose como fonte de energia. São capazes de se
multiplicar muito mais rapidamente se tiver algum restinho
de doce por ali. A famosa placa bacteriana, que causa cáries
e enfraquece a gengiva, é um aglomerado de estreptococos
e vários oportunistas. Eles convertem açúcar
e outros carboidratos em ácido lático, que
vai esburacando o esmalte e o tecido dos dentes. Se os predominantes
Streptococcus sanguis entrarem na corrente sanguínea,
através de ferimentos na gengiva, podem até
provocar formação de coágulos, apontada
como o fator principal de ataques cardíacos e derrames.
O estômago quase não abriga bactérias
porque seu nível de acidez é muito alto. No
entanto existe um lugarzinho chamado antro que não
é ácido. Ali podem viver bactérias
como a Helicobacter pylori, envolvida nos processos de úlcera.
Nos intestinos mora uma quantidade incalculável de
bactérias. Basta dizer que um dedal de matéria
intestinal, pesando apenas um grama, contém 10 trilhões
destes micróbios, agitadíssimos por sinal.
Uns até fabricando vitaminas K e B, como a Escherichia
coli, a bactéria mais popular da modernidade. Sabe-se
mais sobre a biologia molecular desta bactéria do
que sobre qualquer outro organismo, inclusive humano. É
que ela se reproduz muito facilmente – em 20 minutos
vira duas – e na biotecnologia industrial usa-se E
coli para várias coisas, inclusive produção
de enzimas e hormônios como a insulina. Habita normalmente
o intestino grosso, quando se desenvolve no intestino delgado
ou passa para a uretra, bexiga e rins é que precisa
ser combatida.
Os Lactobacillus acidophillus são as bactérias
mais simpáticas do intestino. Crescem mais depressa
que as outras e dominam o ambiente, impedindo que as bactérias
nocivas provoquem tormentas intestinais como prisão
de ventre e diarréia. Gases? Uma pessoa normal solta
entre dez e quinze puns diários por causa da Methanobacterium
smithii, que produz gás metano a partir das fibras
dos cereais e vegetais que digerem para nós.
Os Lactobacillus acidophillus ajudam a preservar alimentos,
e fazem isso fermentando e acidificando-os de tal modo que
outros micróbios não conseguem sobreviver.
Outra maravilha desempenhada por ele é a fermentação
das sementes de cacau dentro da fruta até ficarem
no ponto, para serem utilizados na fabricação
de chocolate.
O iogurte é leite acidificado por bactérias
de proliferação controlada, como Lactobacillus
acidophillus, Lactobacillus yogurtii, Lactobacillus bulgaricus
e Streptococcus termophilus.
Carnívoros hospedam mais bactérias do que
vegetarianos. Pseudomonas, Acinetobacter e Moraxella são
bactérias de putrefação para quem a
carne diz: Comei e multiplicai-vos. Microorganismos que
podem causar intoxicações estão sempre
presentes – Clostridium perfringens em carnes que
não foram cozidas, guardadas ou reaquecidas na temperatura
certa, Staphylococcus aureus nas carnes curadas e Clostridium
botulinum nas carnes enlatadas. Outras bactérias
que podem causar problemas em carnes contaminadas ou mal
cozidas são Salmonella, Escherichia coli, Campylobacter
jejuni e Listeria monocytogenes.
Os monogástricos, como os eqüinos, e os ruminantes,
como os bovinos, dependem de micróbios para se nutrir.
São equipes de fungos, bactérias, protistas
e vírus que vivem numa parte especial do estômago
e pré-digerem o capim e a palha para seu hospedeiro,
cortando em pedacinhos e acrescentando enzimas, numa relação
ecológica harmônica denominada mutualismo.
Plantas também dependem de bactérias para
crescer. A maioria delas ajuda a enriquecer o solo, fertilizar
as plantas e eliminar os insetos daninhos. A atmosfera possui
78% de nitrogênio, elemento essencial na formação
dos aminoácidos, blocos construtivos das proteínas.
No entanto, poucos organismos conseguem utilizar o nitrogênio
atmosférico e converte-lo em compostos que poderão
ser convertidos em grupamento amino (NH2). As bactérias
do gênero Rhizobium constituem alguns desses organismos
capazes de realizar este feito importantíssimo para
o ecossistema. Elas realizam a fixação do
nitrogênio em raízes de leguminosas como o
feijão e a soja.
Sem dúvida, as bactérias constituem organismos
importantíssimos, tanto no aspecto prejudicial quanto
nos benefícios exponenciais que elas efetuam.
Questões para refletir
1) Seria possível a existência dos organismos
eucariontes, como as plantas e os animais, caso as bactérias
não existissem?
2) Imagine quais são as características do
Reino Monera que permitiram às bactérias sobreviverem
por todo esse longo período de 3,5 bilhões
de anos.
3) De que forma a espécie humana tem interferido
no comportamento das bactérias?
4) Até que ponto a interferência humana no
comportamento das bactérias é vantajoso para
a humanidade?
5) Na sua opinião, quem são mais bem adaptados,
os vírus ou as bactérias?
6) Seria lógico dizer que existem mais espécies
de bactérias do que qualquer outra espécie
vivente em nosso planeta?
CONCEITOS BÁSICOS DE ECOLOGIA
“O
conjunto vivo formado pela biocenose e pelo biótopo
em interação é chamado ecossistema.
Uma floresta, considerada em sua totalidade, isto é,
com seus fatores abióticos e comunidades de seres
vivos em interação, constitui um ecossistema.”
Habitat
Habitat significa "o local onde vive determinada espécie".
Tem sentido mais restrito de que biótopo, que se
refere ao local onde vive toda a biocenose. Se quisermos
falar do local onde vivem as girafas, devemos usar o termo
habitat. Mas se quisermos nos referir ao local onde vive
a biocenose da savana, falamos em biótopo.
Nicho Ecológico
A palavra “nicho” (do italiano antigo nicchio)
significa, originalmente, uma cavidade ou vão na
parede onde se coloca uma estátua ou imagem. Por
extensão, o termo “nicho” transmite a
noção de um “ambiente escondido”,
que inspirou o conceito de nicho ecológico. Desenvolvido
pelo ecólogo norte-americano C. Elton, no final da
década de 1920: “Nicho ecológico é
o conjunto de relações e atividades próprias
de uma espécie, ou seja, o modo de vida único
e particular que cada espécie explora no habitat”.
O conceito de nicho ecológico é abstrato e
engloba desde a maneira pela qual uma espécie se
alimenta até suas condições de reprodução,
tipo de moradia, hábitos, inimigos naturais, estratégias
de sobrevivência, etc.
Biótopo
Para viver, a Biocenose depende de fatores componentes físicos
e químicos do ambiente. Em seu conjunto, esses componentes
formam o biótopo (do grego bios, vida, e topos, lugar),
que significa "o loco onde vive a Biocenose".
No exemplo da floresta, o biótopo é a área
que contém o solo (com seus minerais e água)
e a atmosfera (com seus gases, umidade, temperatura, grau
de luminosidade etc.). Os fatores abióticos do biótopo
afetam diretamente a Biocenose, e também são
por ela influenciados. O desenvolvimento de uma floresta,
por exemplo, modifica a umidade do ar e a temperatura de
uma região.
Biociclo
É um outro modo de dividir a biosfera, levando em
consideração os três grandes meios existentes
na Terra: o terrestre, o marinho e a água doce. O
biociclo marinho engloba todas as formações
chamadas de mares ou oceanos. O biociclo de água
doce inclui os rios, lagos, lagoas, riachos, córregos
e represas. O biociclo terrestre inclui os campos, desertos,
prados, etc. Cada biociclo possui as suas características
próprias.
A principal característica do biociclo marinho é
a sua estabilidade. A temperatura oscila muito pouco durante
o dia. Outra característica que deve ser citada é
relacionada à parte biótica. Muitos grupos
de seres vivos possuem representantes exclusivamente marinhos:
é o caso dos Equinodermos. Já os anfíbios
e os insetos não possuem representantes no mar.
Bioma
Os biomas são considerados subdivisões do
biociclo. De maneira geral são estudados os biomas
do biociclo terrestre. A conceituação de bioma
leva em conta a formação vegetal que predominante
no ambiente.
Ecótone
Corresponde a uma transição entre duas ou
mais comunidades distintas, pertencentes a diferentes ecossistemas.
É o caso da área de transição
existente entre o córrego e o campo. Considera-se
que na área de transição entre dois
ecossistemas, ou seja, no ecótone, há maior
diversidade de espécies.
Princípio de Gause ou princípio da exclusão
competitiva
Se duas espécies ocuparem exatamente o mesmo nicho
ecológico, a competição entre elas
será tão severa que não poderão
conviver.
O princípio de Gause tem sido confirmado por diversos
estudos, feitos com diferentes espécies de organismos.
A destruição das Espécies e dos Ecossistemas
Na Europa , 400 anos atrás, havia cerca de 9 milhões
de quilômetros quadrados de florestas, hoje existem
menos de 2 milhões. Do século XVII até
hoje, foram exterminadas centenas de espécies de
aves e mamíferos e outras tantas estão ameaçadas
de extinção. Também alguns Ecossistemas
são destruídos e ameaçados, juntamente
com as espécies de animais que vivem neles. Exemplo
disso é a eliminação sistemática
dos pântanos nas regiões temperadas. Isso é
um erro, porque os pântanos funcionam como esponjas,
regulando os níveis dos lençóis de
água subterrânea : alimentam esses lençóis
no verão e recolhem a água nas estações
chuvosas, evitando inundações.
Outros Ecossistemas que correm grave risco são as
florestas tropicais. Elas são destruídas para
dar lugar a lavouras, estradas, instalações
industriais, e, para extração de madeira.
Com o desmatamento, elimina-se a cobertura vegetal que protege
o solo da erosão provocada pelas águas correntes
e isso facilita as inundações. O desmatamento
de grandes extensões provoca mudanças no clima,
que se torna mais árido. A ECOLOGIA nos ensina que
a manutenção das espécies e dos Ecossistemas,
é um dos aspectos mais importantes da conservação
da natureza. Pântanos e florestas, e também
todos os outros ecossistemas devem ser respeitados, porque
constituem um elemento fundamental do grandioso mecanismo
da vida na natureza.
Exemplos de Ecossitemas
? No fundo do mar: Mesmo onde a água é muito
rasa, o fundo do mar abriga uma grande variedade de animais
que, em sua maioria, vivem fixados às pedras ou se
deslocam muito lentamente. Os mais típicos e numerosos
habitantes do fundo, pertencem ao grupo dos Equinodermos(
do grego, pele espinhosa), entre eles estão o ouriço-do-mar,
as estrelas do mar e os Holuturióides, também
chamados de pepino-do -mar.
? Num costão rochoso: Nesse ambiente agitado, só
conseguem viver animais capazes de permanecer firmemente
aderidos às rochas, senão seriam varridos
pelas ondas. Nesse ambiente vivem também outros animais,
como cracas, crustáceos fixos de aparência
curiosa e pequenos caranguejos que se movimentam agilmente
entre as irregularidades das rochas.
? Debaixo das pedras: Levantando-se uma pedra, no campo,
em qualquer jardim, é quase certo que encontraremos
numerosos animaizinhos, geralmente tatuzinho, lacraias,
centopéias, besouro, carrapatos.
? Em uma fonte: Qualquer fonte de jardim, pode constituir
um pequeno ambiente muito rico em formas de vida. Nos tanques,
se a água estiver limpa, pode-se observar no fundo,
uma espécie de algodão verde, formado por
muitos filamentos, são as algas verdes.
? Nos parques e jardins: Localizados no interior das cidades,
estes parques e jardins são tranqüilas ilhas
de vegetação, abrigando uma fauna muito rica
em pardais, sabiás, pombas, esquilos, serelepes e
uma infinidade de outras aves e animais. Mas nestes parques,
os animais são tratados e alimentados pelo homem,
o que já não acontece na periferia urbana,
sobretudo nos campos e terrenos baldios, colonizados por
uma flora muito especial. Aí, sem a interferência
humana, criou-se um habitat natural para uma enorme quantidade
de pequenos animais. "Mesmo entre prédios, ruas,
carros, enfim, no ambiente artificial de uma cidade, os
animais e plantas são capazes de invadir e até
de conquistar pequenos ambientes, onde sobrevivem e se reproduzem".
A Destruição dos Recursos Naturais
Água, madeira, solo, plantas, minerais, são
recursos que existem na Terra, para melhorar a vida do Homem.
Mas tem havido um exagero nesse aproveitamento e, como as
riquezas na Terra não são inesgotáveis,
está havendo uma devastação generalizada
desses recursos.
A prática da monocultura torna as terras improdutivas,
que logo são abandonadas. A destruição
da cobertura vegetal protetora, os cultivos errados, o excesso
de pastagens, acabam com a vegetação.
A erosão, que provoca uma desertificação,
a aridez, enfim, tudo isso torna os ambientes inabitáveis.
Desertificação
Desertificação é o empobrecimento dos
ecossistemas áridos, semi-áridos e subúmidos
em virtude de atividades humanas predatórias e, em
menor grau, de mudanças naturais. Atualmente, 34%
(49.384.500 km²) das terras emersas do planeta são
propensas à desertificação. As áreas
mais afetadas são o oeste da América do Sul,
o Nordeste do Brasil, o norte e o sul da África,
o Oriente Médio, a Ásia Central, a Austrália
e o sudoeste dos Estados Unidos.
Desde a primeira Conferência Mundial sobre Desertificação,
no Quênia, em 1977, os cientistas têm mostrado
que o aumento das regiões áridas do mundo
não decorre somente da progressão natural
dos desertos , em geral resultado de alterações
climáticas e fenômenos tectônicos ao
longo de milhares de anos. Esse alastramento vem sendo provocado
principalmente pelo homem, por meio do desmatamento de extensas
áreas de floresta; da agropecuária predatória,
que emprega técnicas inadequadas de cultivo e pastoreio;
e de alguns tipos de mineração, como a extração
dos cristais de rocha, que removem a camada superficial
do solo. Essas atividades levam à diminuição
da cobertura vegetal, ao surgimento de dunas, ao esgotamento
dos solos, à perda de água do subsolo, à
erosão e ao assoreamento dos rios e lagos. E o problema
é agravado pelo efeito estufa , pela chuva ácida
e pelo buraco na camada de ozônio.
Quando o solo se desertifica, as populações
buscam outras terras, onde repetem os mesmos erros cometidos
anteriormente. Com isso criam novas áreas desertificadas,
num ciclo contínuo. A conseqüência é
a migração, que acaba formando cinturões
de pobreza ao redor dos centros urbanos. Segundo a Organização
das Nações Unidas (ONU), existem atualmente
500 milhões de refugiados ecológicos em todo
o mundo, número que deve dobrar até o final
da década. Esses refugiados foram obrigados a abandonar
suas terras devido à degradação ambiental.
A desertificação, em longo prazo, poderá
causar uma diminuição drástica das
terras férteis, o que, aliado ao aumento da demanda
por alimentos, pode levar a um aumento da fome no mundo.
Para evitar que isso ocorra, é necessário
conter o avanço dos desertos com medidas como o reflorestamento,
o controle do movimento das dunas e a rotação
de culturas. É possível também controlar
a erosão com o plantio em terraços e curvas
de nível nos terrenos inclinados e o cultivo direto
sobre os restos da cultura anterior, evitando a exposição
do solo ao sol, à chuva e ao vento.
PRODUTOS
ORGÂNICOS
Introdução
ao sistema orgânico de produção
A
utilização do sistema orgânico de produção
exige conhecimento técnico em grau elevado. Para
sua condução é fundamental conhecer
as interações ecológicas e biológicas
envolvidas na atividade agrícola, estar capacitado
para manejar os ciclos de nutrientes, de modo a reduzir
a dependência de insumos (adubos, fertilizantes, sementes)
externos à propriedade.
A prática da agricultura orgânica requer muita
mão-de-obra, seja assalariada ou familiar. Em países
como o Brasil, onde há mão-de-obra em abundância,
esse tipo de agricultura constitui uma excelente opção
para ocupação de pessoas no meio rural, com
a vantagem adicional de preservar a saúde do trabalhador
rural e não causar danos ao ambiente natural.
As alternativas são muitas; além da produção
agrícola também é possível obter
alimentos orgânicos da produção animal.
A oferta de produtos de origem animal vem crescendo e em
breve já será possível encontrar laticínios,
carne de frango e outros alimentos provenientes da pecuária
orgânica. No país, já se praticam diversas
culturas em sistemas agroecológicos. Vejamos, com
mais detalhes algumas delas:
HORTICULTURA
A
horticultura inclui todas as olericulturas (folhas, legumes,
tubérculos, raízes, ervas e temperos), a fruticultura
(frutas tropicais e temperadas) e a floricultura (flores
para arranjos e flores comestíveis). A horticultura
orgânica está bastante difundida e vem conquistando
cada vez mais os produtores convencionais e novos produtores.
O produtor de horticultura convencional começa a
se conscientizar sobre as vantagens de trabalhar com sistemas
agroecológicos:
? Preserva a sua saúde de sua família, por
não utilizar agrotóxicos.
? Produz alimentos e de qualidade, preservando também
a saúde do consumidor.
? Diminui seu custo na compra de insumos.
? Aumenta o valor agregado de seu produto.
O
sistema de produção pode ter os seguintes
objetivos: produção exclusiva para auto-subsistência
da família (hortas caseiras), produção
para auto-subsistência com venda da produção
excedente no mercado e produção voltada prioritariamente
para a comercialização.
A produção orgânica de subsistência
pode ser feita em alguns canteiros como também em
áreas em pouco maiores. São pequenas hortas.
Estas áreas podem variar de 100 ate 500 metros quadrados.
A partir de 1000 metros quadrados, pode-se considerar que
a horta, além de produzir para a subsistência
, poderá vender o excedente para o mercado e conseqüentemente
obter algum recurso extra.
A produção orgânica em áreas
acima de 5000 metros quadrados (meio hectare) ou um quadrado
de 100 metros quadrados (+ ou – 1 campo de futebol),
já pode ser considerada área apta a cultivo
comercial. O tamanho médio de hortas orgânicas
varia de 1 a 5 hectares.
GRÃOS
E CEREAIS
Os
grãos e cereais incluem alimentos como arroz, feijão,
milho, soja, trigo, girassol, gergelim, lentilha, aveia
e muitos outros. A tecnologia de produção
de grãos e cereais orgânicos vem se desenvolvendo
de forma acentuada e sua produção pode ser
desenvolvida em pequena e larga escalas. Algumas regiões
do Brasil estão convertendo seus sistemas convencionais
para sistemas agroecológicos. Uma das principais
razões dessa conversão é a necessidade
de recuperação dos solos nas áreas
que já foram plantadas de forma intensiva. Estas
áreas necessitam de sistemas com um manejo racional
que possam garantir a sua exploração a longo
prazo.
A oferta destes produtos já atende, em parte, o mercado
interno mas é para a exportação que
a maior parte desta produção se destina. Os
grãos e cereais são alternativas bastante
interessantes tanto para o mercado interno quanto para exportação,
visto que os produtos não são perecíveis
e podem percorrer mais facilmente longas distâncias.
O Brasil vem obtendo um padrão crescente de qualidade
na produção de soja, trigo, feijão
e arroz orgânicos, conquistando consumidores do país
e do mercado internacional.
O mercado europeu é o mais promissor; a resistência
ao grão transgênico, a preocupação
com resíduos químicos nos alimentos e a necessidade
de importação para suprir a demanda, vem gerando
grande interesse do mercado europeu pelos grãos orgânicos,
desde que certificados e produzidos dentro das estritas
normas de produção agroecológica. Cabe
ressaltar, contudo, que a exportação de produtos
orgânicos exige profundo conhecimento das intrincadas
normas, padrões e exigências relativas à
qualidade e certificação, exigidas pelo Mercado
Comum Europeu.
Agricultura
Orgânica e Desenvolvimento Sustentável
Túlio
Vieira Bastos
Acreditar
que, mais que alimentos, a agricultura produz relações
dos homens entre si e dos homens com a natureza, conferindo
a quem pratica essa atividade uma responsabilidade tanto
na dimensão social quanto ambiental.
Existem
bons motivos para se tornar um produtor orgânico.
É inegável, hoje, o impacto que a agricultura
convencional tem exercido sobre o meio ambiente. Esse modelo
agrícola é considerado o maior obstáculo
a uma agricultura sustentável, pois os insumos químicos
e as práticas que utiliza tem sido responsáveis
por uma degradação intensa dos recursos naturais.
Empobrecimento do solo pelo uso continuado de fertilizantes
químicos, erosão, contaminação
das águas e do solo pelo uso de agrotóxicos,
resíduos tóxicos nos alimentos são
alguns das conseqüências da agricultura moderna.
Os prejuízos à saúde humana provocados
pelo uso intenso de agrotóxicos têm sido comprovados
por inúmeras pesquisas médicas. Trabalhadores
rurais e suas famílias sentem de perto os efeitos
da intoxicação pelo uso de substâncias
químicas tóxicas. Os resíduos de pesticidas
nos legumes, verduras e frutas, a presença de antibióticos
e hormônios de crescimento nas carnes em geral, a
imensa variedade de aditivos utilizados na produção
de alimentos tem sido motivo de preocupação
crescente por parte do consumidor, que anseia por uma opção
mais segura de alimentação. Nesse contexto,
a agricultura orgânica torna-se uma solução
muito mais saudável na produção de
alimentos. Ela não é apenas uma alternativa
à prática agrícola convencional, mas
um imperativo ecológico e única forma de evitar
os danos que a produção agroquímica
vem causando ao meio-ambiente e à saúde humana.
O produtor não deve se esquecer de que é o
consumidor quem vai determinar a sua permanência no
mercado. Por isso, suas necessidades e preferências
devem ser respeitadas.Os produtos devem ter padrões
de qualidade bem definidos. Os alimentos produzidos sob
princípios agroecológicos já possuem
excelente qualidade biológica, o que lhes confere
uma qualidade interna melhor. Além disso, é
desejável que os produtos orgânicos atendam
também os parâmetros de tamanho e aparência
do mercado, a fim de conquistar ainda mais a fidelidade
do consumidor. É prudente ressaltar, que a única
forma de se construir uma relação de confiança
entre a produção orgânica e o consumidor
é a certificação. Só ela, através
de um selo de qualidade, dá ao consumidor a certeza
de que o produto é resultado de um sistema que obedece
a normas rígidas de produção.
(Fonte:
PLANETA ORGÂNICO)