Acordei cedo, as meninas tinham prova. Resolvi caminhar na Praça JK enquanto elas estavam no colégio. Lindo dia de maio, céu azul sem nenhuma nuvem, um ventinho quase frio e o sol ainda baixo já aquecendo a terra e refletindo nas folhas das árvores toda sua luz. Para mim, um dia perfeito!
Logo nos primeiros minutos vi que a decisão de caminhar havia sido acertada. O corpo aquecido esquecia suas mazelas e a mente, mais desperta, observava tudo com mais detalhes. Começo a divagar, lembrando de quando percorri o Caminho da Luz, talvez pela sensação da endorfina derramando no corpo, talvez pelo dia azul que muito se parece com aqueles daquela semana mágica que vivi.
Percebo, então, que a lembranças mais fortes que trago não são das lindas paisagens que percorri, das maravilhosas cachoeiras onde me refresquei nem das imponentes montanhas que conquistei. Juro que não seria capaz de descrever o que vi em cada dia nem de refazer mentalmente todo o trajeto, pois as imagens aparecem superpostas, sem respeitar a cronologia dos fatos e a rigidez dos mapas. Brotam, como brotam as plantas ao longo do caminho ou as águas em cada curva daquela senda.
Mas vejo claramente todos os rostos conheci, todos os sorrisos que recebi, todos os braços que se esticaram para me oferecer água e apoio. Sinto fortemente toda a energia que brota da terra e que transborda meu corpo. À minha frente estão pessoas simples e felizes, com o coração imenso a me dizer: não temas! Em mim, o menino moleque que tomou conta da minha personalidade aqueles dias, me fazendo saltitar pelas trilhas, comer fruta no pé e correr de cachorro bravo. Em mim, o capitão do mato que assumiu o controle do meu corpo quando percorria a Ernestina, me fazendo forte e me levando a cruzar um fantástico portal de luz e energia. Em mim, toda a lembrança de nossos ancestrais em cada grão de poeira daquela rota, me fazendo reviver toda a história da humanidade em segundos. Sou a peregrina que deixa uma flor aos pés da santa à beira da estrada, sou aquela que canta junto às mulheres de Catuné, sou a filha de Dona Antônia, a neta do Tabuleta, a ouvinte atenta e crédula dos casos de dona Ana, a irmã que Alani não teve, a mãe daquele menino que caminhou a meu lado sem nada dizer. Nasço e morro a cada passo, renascendo no seguinte, num turbilhão de emoções e, ao mesmo tempo, mergulhada na paz mais perfeita que poderia imaginar. Sou todo o cosmos e abarco todo o tempo passado, presente e futuro. Estou viva!
Hoje, depois de dois anos, estou escrevendo um pouco do que vivi, atendendo ao desejo daqueles que amo, que talvez nem esperem mais por este relato. Atendo, também, ao pedido de minha alma, que tocada pelo frescor deste dia de outono, deixou vir à tona estas lembranças.
Para mim, o Caminho é isto: suas pessoas, seus sorrisos, suas histórias que respiramos no ar, o suor de todos que por ali passaram misturado à terra que pisamos. As montanhas, cachoeiras, matas e cristais são apenas adereços que nosso bondoso Criador resolveu doar para enfeitar aquele pedacinho de chão perdido nas terras de Minas Gerais.
Eu acabara de chegar da Galícia... tinha feito o Caminho de Santiago... em 33 dias andei 900 km, a pé!!!!!! Caminhei de Saint Jean, cidadezinha que fica no pé dos Pirineus na França, até Finisterre quase divisa com Portugal. Tinha atravessado a Espanha inteira a pé. ainda sentia o gosto do vinho espanhol... muito bom...não sabia que São Thiago era tão poderoso !!! Todos os pedidos que fiz durante o caminho foram atendidos. Também pudera, São Thiago era irmão de Jesus... Finisterre que era chamado antigamente de o “Cabo do fim do Mundo”. Na história antiga acharam que a terra era plana e que quando se chegava ali o mundo terminava, se caia num vazio!!! Ahhhh... Espanha!!!, me apaixonei perdidamente!!!
Voltei... passaram-se 7 meses e eu já estava muito estressada... precisava caminhar de novo. Lembrei do Caminho da Luz, que de todos os caminhos brasileiros que percorri é o mais bonito... realmente digno do nome que tem.
Embora já tivesse percorrido esse caminho duas vezes, era tudo o que eu precisava para aliviar o meu estresse dessa nossa vida agitada. Sempre que eu faço qualquer caminhada volto nova em folha, jamais precisei de terapia.
Todo ano quando chega em Julho entre os dias 16 e 23 se comemora o aniversário do caminho que foi inaugurado nessa data a 5 anos atrás. Esse caminho começa em Tombos, Minas Gerais e termina no Alto do Caparaó – Pico da Bandeira a 2.891,9 metros de altitude. É um caminho maravilhoso cheio de muito verde, muitas cachoeiras, rios, flores e acima de tudo... muita luz.
Era tudo o que eu precisava..., por outro lado... a mais de um ano um de meus filhos estava com Síndrome do Pânico. Quem conhece sabe que é muito triste..., com 27 anos um menino formado em comércio exterior, uma posição invejável na empresa que trabalhava, uma família linda, uma filhinha de cinco anos, casa paga, carro pago, sem motivos aparentes para ficar doente... NÃO!!!, não de Síndrome do Pânico.
Já não saía de casa nem para ir à padaria comprar pão !!!
Saía para trabalhar, mas na metade do caminho se sentia mal,
tudo travava... muitas vezes pediu socorro pensando que tinha problemas
de coração e que estava tendo um enfarte ?!
A situação era muito difícil !!!
Foi quando de repente perguntei a ele: “Filho, vamos caminhar com a mamãe?”, e ele sem perceber disse: “Vamos”.
Eu aproveitei o gancho e fiquei encima cobrando a promessa.
Passou uma semana e chegou o dia “D”.
Nem acreditei quando ele chegou no portão de casa e disse:
“Vamos???!!!”.
Eu disse: “Vamos pra guerra?”
E ele me olhou estranhando a pergunta.
Na verdade, caminhar é muito bonito, tira o estresse, faz bem
para o corpo, mas... não é tão fácil como
parece ser, requer força de vontade, sabedoria, discernimento,
e muito... muito... o desejo de vencer o objetivo traçado.
A caminhada seria longa... 196 km, em 7 dias, levantando cedo, caminhando
o dia inteiro e chegando no fim do dia em um lugar já determinado.
É verdade que nesses caminhos passamos por sítios, fazendas,
cidadezinhas pequenas e ali as pessoas que sabem do nosso caminho...
esperam felizes o nosso passar... oferecendo bolos, frutas, danones,
etc. Tudo isso se juntando às paisagens se torna a coisa mais
linda deste mundo.
Paz..., muita paz...
Todos os que caminham saem de um ponto comum juntos, mas assim como
uma corrida de automóvel cada um chega a seu tempo... é
gratificante depois de um dia de caminhada, o chegar... é mais
uma vitória conquistada!!!
E foi assim que começamos...
No primeiro dia caminhamos juntos eu e meu filho...
No segundo dia já nos espaçamos um pouco... mas no terceiro
dia ele sumiu!!!
Fiquei preocupada o dia inteiro. Não tinha um que passasse
por mim, sem que eu perguntasse sobre meu filho.
Por todos que eu passasse na frente ou que passassem por mim eu dizia:
“Você viu o meu filho?, eu estou preocupada?”.
Eu já tinha notado que ele estava mudando de atitudes, um menino
que não comia banana, de repente no meio do caminho, lhe ofereceram
e ele comeu!!! Numa chegada ofereceram uma cerveja e ele aceitou...
depois convidaram para tomar caldo de feijão preto com muita
pimenta ?! e ele tomou !!!
Ele que sofria com dores de estomago, gastrite, onde tudo fazia mal...
tomando remédios fortes...
De repente comecei a desconfiar... alguma coisa estava mudando naquele
menino... porque nada mais estava fazendo mal pra ele... e ele sumiu!!!
Naquele dia caminhamos por um lugar chamado Ernestina...lindo...no
alto de uma montanha... 8 km no plano... no meio de florestas e olhando
a nossa direita os vales e campinas lá embaixo... lugar mágico!!!
Esta é a palavra certa.
Descobri que meu filho passou esse caminho todo sozinho, eu estava
com muito medo...
No fim do dia encontrei meu filho esperando no lugar de sempre combinado.
A primeira pergunta que eu fiz foi: “Filho você sumiu?
Eu fiquei preocupada o dia inteiro!!!? O que aconteceu?”
E ele me olhando emocionado me respondeu:
“Mãe... hoje eu falei com Deus”
“Mas como filho?”, e ele me respondeu: “mãe,
eu estava caminhando lá na Ernestina, olhando as flores...
as árvores... os vales lá embaixo... quando de repente
eu olho pra dentro da mata e vejo um facho de luz do céu, encima
de uma pedra, mãe eu achei tão lindo que eu fotografei...
mas depois alguma coisa aconteceu e eu senti que deveria ir até
lá... então preparei a máquina fotográfica
para tirar uma foto e fui, entrei dentro daquela luz... mãe...,
foi um momento mágico, lindo mãe... foi muito emocionante,
e tenho certeza que ali falei com Deus”
Fiquei muito emocionada e continuamos a caminhar nos dias que se seguiram,
e ele cada vez mais forte...
O termino do caminho é subir até o Alto do Caparaó
e depois a ponta do Pico da Bandeira.
Leva um dia inteiro para se subir, e do topo deste pico a gente vê
o mundo inteiro, estávamos acima das nuvens.
Na descida vimos o por do Sol. Daquela altura, vocês não
podem imaginar a beleza que foi, a sensação de luta,
mas de muito mais vencer um obstáculo muito grande, quebrar
barreiras...
Vitória...vitória...vitória !!!
E assim terminamos a nossa caminhada com muitos amigos, muita alegria,
e a felicidade de ter conseguido.
Vencemos uma guerra !!!
Ahhhh!!!!....não...
Vencemos duas guerras !!!
Quando voltei para casa percebi que meu filho estava curado!!!
Hoje ele completamente curado voltou a trabalhar.
Na empresa assumiu um cargo de maior importância.
Sua família esta muito feliz, aproveito aqui para agradecer
a minha nora Cristina Porini pela dedicação e amor com
que acompanhou todos os momentos... e ele hoje... safadinho... caminha,
corre nos parques perto de casa, faz ginástica e esta cada
vez mais lindo !!!
Alcançou a cura por Deus...
Em nome de Jesus...
Numa caminhada.
O idealizador do Caminho da Luz é Albino Neves
albinoneves@yahoo.com.br
Durante a Semana Santa, no período de 21 a 26 de abril estive peregrinando pelas Minas Gerais, deixei-me ir pelo Caminho da Luz.
Fui sentindo, lá no fundo do coração, que desfrutaria um enorme prazer de ter a mim mesma em tempo, em espaço e em sentimento. Sabia que estaria só, mas não sozinha. Parti, mochila nas costas, no ritmo do meu passo, seguindo apenas as setas amarelas, olhos e poros bem abertos e muita alegria. Como é bom poder estar por inteira em um lugar, ser alguém de per si, tão somente pessoa. Que benção é acordar dando bom dia para o dia; poder caminhar, sair e chegar, respirar bem fundo e perceber aromas sutis, cores e sons no compasso; ouvir a nós mesmos e saber de nós mesmos.
Em toda casa que adentrei, fui recebida com naturalidade, não causei e nem senti os constrangimentos “das posses”. No estado de precisão todo pouco é muito. Eu era apenas a Flávia, mais uma caminhante do Caminho da Luz, desfrutando de muito bom grado um copo d’água fresca e a lincença para sentar-me em lugar seco e sombreado. A todos minha eterna gratidão.
De Brasília a BH, vôo tranquilo. No ônibus para Tombos pessoas simples de um Brasil sempre esquecido. Nas paradas naqueles velhos postos de gasolina, despossuídos dormindo e “ameaçando” a todos com seu sono por terra. Quando nossa gente será tão linda por fora quanto é capaz de ser por dentro?
Era madrugada, quando chegamos à simpática estação/museu de Tombos Encantado (4:48, disse o cobrador ao motorista, minhas únicas companhias do começo ao fim da viagem), mas já era tempo para a primeira de muitas gratas surpresas: Sr. Tenório, o responsável pelo centenário Hotel Serpa, aguardava-me com toda boa vontade. Levou consigo minha mochila, instalou-me no quarto simples, mas com três camas — o de nº 14, “que é mais sossegado”, justificou com timidez a escolha — e fomos todos dormir o restinho de noite.
Tombos é toda bem cuidada. Passeando por suas ruas, ficou claro para mim que o grande desafio que se coloca para os administradores das cidades pequenas é o de como assegurar a elas um máximo de infra-estrutura sem que isso implique em perda de identidade sociocultural.
Gostei de ficar sentada na padaria, mordiscando casquinha de pão quente, observando o vai e vem dos moradores. A sociedade, que ainda tem um forte conteúdo de fraternidade e solidariedade, absorve sem vergonha seus loucos e assim chamados “bobos”. Com isso, em alguma parca medida, redime a ausência do Poder público com uma paciência caridosa. Andei durante toda a manhã. O ponto zero do caminho encontra-se na Usina, uma das primeiras hidroelétricas do país. À noite choveu torrencialmente e era a véspera da minha partida; serenei meu coração com o conselho simples de que só me restava aguardar o raiar do novo dia para saber o que de fato me aguardava.
O domingo despertou nublado, fresco, perfeito para os primeiros passos. Rumei para Catuné, minha próxima parada. Uma jornada linda. Teve boi no pasto, perfumes vários, boca cheia d’água e vontade de roubar carambola do pé, flôres pequeninas que só crescem até a altura dos olhos das crianças, as quais enfeitaram, por anos, minha infância na fazenda de minha bisavó e hoje, por tamanha singeleza, ainda me emocionam. Tomei um susto com três cachorros sarnentos _ felizmente D. Francisca acudiu e eu logo me refiz, a ponto de, em seguida, quando eles me alcançaram novamente, eu ter reagido com valentia, feito gente grande.
Na Pedra Santa, embevecida pelo paredão de bromélias e pela cortina de água que elas estendiam na boca da gruta, fui ao chão (vi bem de pertinho o limo verde que cobria o barro). Refeita entrei. Registrei no livro da pequenina capela o que ia em meu coração; ali trouxe meu pai bem para perto de mim, sorrindo satisfeita de ter a saudade domada; partilhei com o lugar as minhas preces e decidi que desceria a ladeira sem cair. Ledo engano... caí foi de costas! Tive que rir da lambada que levei. Arranhões bem ardidos e um grande roxo, nada além. Cheguei a Catuné por volta das duas da tarde e fui logo procurar D. Dulce para saber aonde eu pousaria. Ela me acompanhou até a casa da valente Neuza. Era domingo de Ramos e passamos pela praça cheia de gente.
Neuza é separada, funcionária do Estado (mantém limpas as salas da escola), tem seis filhos, onze netos, quer ser proprietária da primeira pensão da cidade. Com suas mãos talentosas faz arranjos de flores, salgados, doces, costuras e bordados – dá gosto ver seu esmero! Na mochila não cabia, mas na memória eu trouxe até o avesso das toalhas de mesa e no nariz o cheiro do café (plantado, colhido, torrado e moído na sua terrinha ali perto).
Catuné ficou para trás, mas as laranjas-lima do quintal de Neuza mataram minha sede na hora do sol a pino. Mais um lindo dia. Abraçei grandes e lindas pedras cuja energia aprumaram meu andar. O canto daqueles passarinhos saltitantes, em harmoniosa sintonia – pura sinfonia, sinfonia pura —, sons distribuídos abusadamente pelos 360° de natureza me fizeram pensar em varinha de condão, fada, gênios – saudações tupiniquins a Beethoven. Dia encantado. Fechava os olhos e deixava o verdume invadir minh’alma. Lá do alto via as copas roxas — que maravilha a quaresma na natureza! No alto da Jacutinha cruzei com Sebastião das dores. De cima de seu cavalo foi me contando: viúvo pela segunda vez, 10 filhos. Seu orgulho é não ter espoliado as heranças dos “meninos”; a mais nova tem doze anos. Acredita que quem sabe das coisas é Deus, mas no juízo dele ninguém deve ficar só. Acabou a ladeira, despedi-me do senhor casadoiro, cujo ritmo não queria acompanhar.
Cheguei em Pedra Dourada com muito sol e satisfeita com a perpectiva
de que conseguiria lavar e secar todas as minhas roupas,ou seja, uma
promessa de menos peso nas costas na manha seguinte. D. Ana, a dona
do único hotel da cidade, recebeu-me como se eu fosse uma visita
querida. Levantou com muito esforço seu corpanzil cheio de
bondade e foi logo me preparar o que comer. Senti-me em casa. Depois
que cumpri meus “rituais de peregrina”, convidei-a a ir
sentar-se no banco da praça, a poucos passos da porta da frente.
Ali proseamos até o entardecer. Donana, como eu a reabatizei,
hipnotizou-me com sua capacidade de ser feliz. Ela sofreu todo tipo
de desventuras, mas reescreveu seu destino e se tornou uma pessoa
realizada, como ela mesma afirma ser.
A história de Donana é causo à parte. Sua mãe
era a ruindade em pessoa. Odiou-a desde o batismo, pois Ana era também
o nome da sogra, a quem ela detestava. Ana tinha apenas cinco anos
quando ela esfaqueou-a pelas costas. Foi o pai, amigo querido, quem
acudiu e salvou. Ela ainda tentou duas vezes mais, felizmente fracassou.
Nove filhos e nenhum deles gostava dela. Viveu 99 anos e 26 dias.
Todos diziam que se ela fora homem teria matado muita gente. Ana cuidou
dela por quase 20 anos, depois que, já viúva, um ataque
cerebral lhe condenou ao leito.
Donana foi autodidata. Era bem mocinha quando decidiu que se casaria com enxoval e tudo. Aprendeu a ler as revistas de bordados nas casas alheias e desfiando toda a toalha que encontrava pela frente conseguia se exercitar, claro pois dinheiro para linha era luxo. Até hoje faz brólias lindas! Namorou por quatro anos e só pegou na mão uma vez, e escondido da megera. Com três anos de namoro ele tentou um beijo no rosto, mas ela deu-lhe um bom tapa na face para que se desse o respeito. Casou-se levando um lençol bem bonito e até um jogo de toalha, assim ela me contou. O marido, Seu Washington, em “princípio” não lhe trouxe melhor sorte. Dos 51 anos em que estão casados, 23 ele passou mergulhado na cachaça. Ela era lavadeira em dez casas, mas não tinha direito a descansar. Ficava com pena e ia buscar “Zitinho” no bar. Entretanto no quarto ela não podia se deitar, porque ele corria atrás dela com “a faquinha” até cansar. Depois trancava a porta e deixava Ana do lado de fora, que, exausta, dormia na soleira (a narração dela aqui é um pouco nebulosa, mas não é difícil imaginar a razão para toda essa correria). Nesse ponto do relato ela pára, pensa, olha-me com um sorriso largo que sobe até aos olhos claros e defende seu homem com ternura: ”eu sei que as maldades que ele fazia não era porque queria; com minha mãe era diferente. Aquela era de natureza ruim. Zitinho é um homem bom, deixou eu trazer a minha mãe para dentro de casa (que morreu gritando para as empregadas que matassem a Ana, pois ela não prestava, não passava de uma vagabunda). Hoje, longe da bebida, Zito me cobre, faz chá para mim. Ele foi a salvação da minha vida. Ele era meu vizinho, tirou-me daquele inferno. De tanto ouvir as surras, teve dó”.
Donana se rebelou do seu jeito. Seu maior e único orgulho é ter escapado de todas as pragas de sua mãe. Juntou dinheiro, esperou o marido se curar, ampliou a casa e hoje é a respeitável dona de um peculiar estabelecimento — ali as pessoas buscam pouso, comida, café, banho, cada coisa tem seu preço e todo mundo é atendido em sua necessidade e, se preciso, anotando na caderneta. Com sua paciência infinita e extrema capacidade de perdoar ela deixou o borralho para se tornar rainha.
Donana talvez nem imagine, mas jamais esquecerei sua benção
antes de partir, nem tampouco sua sabedoria. Sábia...deixou
a cada um seu fardo e foi buscar o seu próprio quinhão
na historia. Seu brilho iluminará para sempre o meu caminho.
De Pedra Dourada a Faria Lemos o Caminho continua lindo. Águas
e mais águas cortando fazendolas. Uma arvore em particular
chamou minha atenção. Sua beleza vinha do seu jeito
de abrir os braços, transpirava força. Não sei
dizer como, mas transportou-me até Macchu Picchu e, por isso,
agradeci humildemente.
Minas Gerais/ Minas água/ Minas tudo/ Minas demais minas/ E mais Minas/ Minas de mais/ Outras... Nossa tanta água desobstruiu minha veia poética. Flávia, confesso, faz-me rir.
Mais um dia e lá estava eu, cruzando fazendas centenárias, distraída, deixando a mente solta, livre para descansar de meus infindáveis questionamentos. Brinquei tanto de cantar que até perdi o chapéu. Fiz meia volta. Sem ele não seria bom ir em frente, afinal estamos juntos desde Santiago... Esse dia estava particularmente ensolarado. Na Fazenda das Palmeiras pedi sombra e água fresca. Proseei com o pequeno Mateus, o único que ainda não vai a escola, e sua mãe Alexandra, que se sente muito importante sendo a responsável por verificar as estritas condições de higiene da coleta de leite de todos cooperados. Afinal se o teste acusar que o leite ira talhar, nada feito, ela não deixa entrar no tanque; manda levar de volta e dar outro destino.
Resta-me lamentar comigo mesma que a noção da importância
com os cuidados pessoais e com as condições sanitárias
não alcance, com o mesmo rigor e crença, aquelas pessoas,
as suas casas e imediações. Sempre considerei a dignidade
um bem maior, não se pode deixar que a pobreza lhe tire o brilho.
Não obstante, não posso, nesse momento, ocupar-me de
desmazelos e deixar meus sentidos embotados. Sigo, refeita pela cortesia.
Numa alameda bem cuidada encontrei Afonso, que estava esperando o
transporte do governo que o leva todos os dias a escola. Generoso,
queria que eu esperasse com ele para pegar uma carona, não
conseguia entender minha vocação de pedestre. Quando
eu pedi, não viu dificuldade em voltar em casa para me trazer
uma enorme garrafa de água fresca, enquanto eu fiquei “vigiando
a Kombi”. Bem salivada subi a linda Serra dos Cristais. Ali
a força da natureza se mostra, agiganta-se. Uma energia linda
emociona a gente. Tem montanha para todo tipo de olhar, todo tipo
de querer. Lembrei dos bebês que estão para chegar. Rezei
de mãos dadas com todas as mães pela saúde de
seus filhos, para que sonhem sempre e nunca deixem de saciar sua coragem.
Depois disso fui. Com o espírito leve cheguei a Carangola.
Nossos rios estão maltratados. Por que será que nos sentimos tão pouco concernidos pelo próximo, por aquele que virá em seguida, por aquele que também merece ver beleza e sentir perfumes, ter prazer de estar nesse pedaço de mundo? Meu olhar turva, o coração aperta, tão cruel sentir a pequenez da raça humana.
Carangola é a maior das cidades do Caminho. No curioso Grand Hotel, que fica de perfil para a praça principal, aonde li alguns capítulos de meu sobre o budismo tomando sorvete de abacaxi, Lecy me recebeu com um sorriso.
Cidade enladeirada, com forte herança da estética colonial e de passado glorioso. Tem um ritmo comercial, apressadinho. Perdi a hora do almoço e pelo segundo dia fiquei sem comer comida de verdade, de sal (engraçada essa expressão). Nada que um belo sanduíche na Tutti Suco não resolvesse. Delícia, coisa boa temperada com a fome! Tão bom que voltei mais tarde para a “janta”. Boa música, pessoas simpáticas e o dia foi se esgotando sem pressa.
Espera Feliz era o meu próximo destino. Seriam pouco mais de 30 km. O dia foi especial, muito intenso. O trajeto entre Parada General e Ernestina (Estrada de Ferro Leopoldina) foi um misto de magia e prova. De repente me vi acalmando a mim mesma e tomando fôlego para insistir numa trilha pouco evidente. Mato muito alto, árvores por terra, bicho que não quer visita, enfim, os tropeços de quem trocou os pés pelas rodas. No entanto, senti-me bem recompensada. Depois teve descanso na beira do córrego e, mais adiante, em Caiana, teve picolé de manga, isso fez diferença. Cheguei a tempo de ir almoçar jantando no Brasinha. O garçon, Eduardo, talvez não saiba, mas sua gentileza em aceitar meu pedido especial (bife, fritas, arroz, farofa e salada do jeitinho que eu pedi) fez de mim uma princesa. A música estava agradável e o meu livro muito interessante. Hora de ir para cama.
Cinco horas. Levanto; medito como todos os dias; alongo todo o meu corpo e arrumo minhas trouxas. A roupa não secou. O vizinho insone não me deixou dormir, contudo voltar para o Caminho é sempre um enorme prazer.
E hoje? Prosseguir até o Alto do Caparao, a jornada de maior distância.
Num dia tão gostoso ser pega pela chuva em Caparaó, onde fui “reconhecida” pela Zezé, uma das apoiadoras do Caminho, não me trouxe nenhum transtorno maior; eu estava chegando ao final desse meu caminho e sabia que Alanir — a carinhosíssima Alanir— me aguardava em sua Pousada Serra Azul. No outro dia, sábado de aleluia, seria eu e o Pico da Bandeira, aquele dos tempos das aulas de Geografia.
Cheguei toda molhada, mas o sorriso de Felipe, o rapaz da casa, enfeitando a janela da frente logo me confortou. Meu quarto tão arrumadinho, o bom astral dos outros hóspedes, o chá de erva cidreira feito com tanta boa vontade pelo tranqüilo Waldir, e a leveza da alma fraterna e solidária de Alanir restauraram de pronto meu ânimo e minhas energias. Um bom banho quente e já me senti em forma.
Só faltava chegar ao alto da Montanha sagrada. Alanir ajudou-me em tudo. Conseguiu o Jipe para me levar até a trunqueira, de onde começaria a subir. Negociou com Josias para que me guiasse com segurança até o pico; preparou-me um lauto café da manha e, ainda, providenciou o reforço do meu lanche :pão de cebola feito por Waldir, o Chef mais da cozinha do que da família, pois a energia dela é tanta que chega a ser inibidora.
Era dia de faxina no céu, mas mesmo assim foi sublime. Mágico. Belo. Forte. Senti-me como se estivesse sendo esperada. Josias foi paciente, atencioso. Cria da montanha, conhece aquelas pedras desde seus oito anos de idade, ele foi me mostrando cada um de seus encantos. No caminho cruzamos com gente subindo e descendo, mulas carregadas de barracas e mantimentos aguardados com ansiedade pela rapaziada aventureira. Josias me contou um pouco de tudo. Falou-me de sua vida, da região, do trabalho na lavoura de café. Todavia, o melhor foi partilhar comigo sua crença: não tem medo da morte, acredita na igualdade entre as pessoas, porque sabe que somos todos “funcionarios da Administracao de Deus”. Explicou-me, ainda, que é muito feliz porque aprendeu, desde menino, a concordar com as coisas. Não pede sol quando é época de chuva, não pede frio no verão, isso porque entendeu, só de prestar atenção, que se fizer isso perde tempo e o bom das coisas. Com Josias completei essa minha etapa.
Concordei que era tempo de voltar para casa, sabendo que caminhar é preciso. Foram mais alguns passos. Cheguei e estou feliz, muito feliz, eles trouxeram um pouco mais de luz para o meu caminho. Não me iludo e não vou iludí-los. Vi coisas feias, conheci gente de emoção rala e vontade pouca, mas confesso que nisso quase não gastei tempo. Os amigos que levei no coração trouxe todos de volta e a saudade dos novos já estou cuidando de acomodar.
Um beijo carinhoso em cada um, Flávia.
PREFÁCIO - Dia 23/02/2006
Chegou o dia tão esperado para o Caminho da Luz. Preparei os meus objetos necessários, como de costume com atraso. Partimos da nossa casa para o destino que nos espera. Foi de grande satisfação ao receber minha credencial, junto com o livro Caminho da Luz de Albino Neves, "O Caminho do Brasil", saber que as fotos foram do Gustavo Adler, amigo da faculdade UFF Turma 76. Rosely, Inês, Apparecida (minha mãe) e Ignácio como companheiro. Viajamos até Tombos – MG, aproveitando o caminho para passar nas minhas obras (serviço), no percurso aproveitado todo o tempo com o trabalho. Em Tombos fomos direto para o Hotel Serpa, para que no dia seguinte cedo pudessemos estar habilitado para seguir o caminho. Ficamos no centro numa praça redonda, como fala o mineiro no “centro do redondo”.
1ª Etapa - Dia 24/03/2006 - Tombos/Catune – 24.700 m
Cedo tomamos café, sem isto meu companheiro não consegue
andar, e por falar, tem muito medo de passar fome e sede pelo caminho.
Deu início no Marco 0 (zero) Cachoeira de Tombos, numa hidrelétrica
da cidade, logo adiante nossa primeira parada, a igreja da cidade,
para agradecer o Arquiteto do Universo e pedir proteção
para todos nós e as pessoas que proporcionaram esta empreitada
até aqui.
Seguimos nosso caminho passo a passo, na noite anterior chovia muito
e o caminho estava muito molhado, proporcionando uma relva fresca
com um manto de borboletas multicoloridas.
Seguimos por estrada e caminho de chão batido e sempre perto
das matas e campos de pecuária, de cultivo de arroz, café.
Terreno com abundância de água, muitas nascentes e córregos.
Encontramos no meio deste trecho uma senhora Dona Francisca que nos
acolheu, ela e seus netos, com água e muita atenção,
pediu em troca que enviasse umas fotos dos netos no qual na primeira
oportunidade vamos enviar para Catuné, já que ela reside,
dentro do caminho, na mata do banco.
Subimos longos trechos de aclive muito penoso e forçado, chegando
ao alto da gruta da Pedra Santa, aliás, passamos falta d'água,
podendo recuperar as nossas forças numa nascente de água
limpa e transparente, mais alguns metros, chegamos a Catuné
e fomos recolhidos pela Dona Dulce que prontamente nos instalou na
casa de Dona Rosa (nome da minha avó materna). Descansamos,
almoçamos e recuperamos nossas forças com comida mineira
e feijão de cor.
Carimbamos nossas credenciais e registramos no livro. "Estou
vivendo o primeiro dia do caminho da luz, grande oportunidade de peregrinação,
a espera de ouvir o que tem o caminho a me dizer".
2ª Etapa - 25/02/2006 Catuné/Pedra Dourada – 23.300 m
Ao contrário do dia anterior, quando tínhamos as matas para nos proteger do sol, caminhamos com o sol pelas costas e a mata sempre a nossa direita. Estrada limpa, fazenda de café e pastos verdes com abundância de água, depois muita subida chegamos à Água Santa, santa água o nome do local justifica o nome, fora da rota do caminho da luz tem uma gruta, tão rica de energia cósmica, lugar que transmite paz e luz de forças telúricas, abri os braços o máximo que pude para sentir que Deus nos ama, assim, desse tamanho. Pude refrescar na fonte que nasce do interior das pedras dentro da mata em uma gruta de oração. O caminho a partir deste ponto, comecei a sentir o vento suave, a alma limpa e o perdão de Deus pelos meus pecados. Estou mais leve, o caminho está me ensinando. Chegamos ao fim de mais uma etapa, fomos recebidos por uma senhora de meia idade Dona Ana, que abriu sua casa para nós. A dor no corpo é superada pelo alívio da alma, mais leve, onde os pés carregam o corpo, a parte do corpo mais importante nesta empreitada.
3ª Etapa - 25/02/2006 – Pedra Dourada/F. Lemos – 25.200 m
Partimos da pousada da Dona Ana bem cedo após ela fazer um
salmo abençoando o caminhante. Caminho de terra batida, limpo
e suave, onde podemos sentir a brisa do ar na pele, o canto dos pássaros,
canário da terra, tiziu, juriti, jaó, o mugir do gado,
o sangue pulsar em nossa veia e escutar o batido do coração,
na certeza da alma pura. Ao longo do caminho podemos lembrar das pessoas,
do convívio do dia a dia, com muitas frutas, manga, goiaba,
mamão, caju. Em falar em goiaba, lembro muito do meu filho
Fábio, adora esta fruta, iria se fartar, lembro do meu pai
que falava sempre "ano de muita goiaba, ano de fartura",
lembro também da Rosely sempre que passo por um bambual com
muito broto de bambu nesta época, faria muitas conservas. O
caminho é todo ao lado de muitas águas, nascentes e
cachoeiras lindas, árvores centenárias, eucalipto, mangueira,
oiti e ipê amarelo formando a mata.
A simplicidade dos habitantes ao longo do caminho é fantástica.
A Claudina e seu filho Abraão, pedimos água fresca e
atendeu com café feito na hora e biscoito de chuva, lembro
da minha da mãe, podendo saborear uma lima retirada do pé,
muito doce, lembro também dos meus amigos de Niterói
onde o único lugar que faz caipirinha com lima. Pelo caminho
deixamos várias casas de pau a pique, estrutura em madeira
lavada, parede em fechamento de estuque onde meu filho Leandro, tenho
a certeza que gostaria de restaurar, dando vida em que outrora foi
berço deste caminho.
4ª Etapa - 27/02/2006 – Farias Lemos/Carangola – 22.900 m
A noite foi com muita chuva, o caminho estava muito molhado, pude
observar a luz do caminho com muitos cristais de rocha e mica (malacachetas).
Os mananciais estavam correndo com muitas partículas de argila,
por falta da mata ciliar, igual aos nossos olhos sem os cílios
de proteção. Nos mananciais onde a mata foi perseverada
corre a água cristalina. Muitas fazendas do início do
século, casarões coloniais, Leandro, lindas, estilo
mineiro. Um silêncio só quebrado de vez enquanto com
a passagem de algum veículo, papagaios, canários, rolinha,
cachoeiras e pássaros sempre cantando. Muitas frutas, goiaba,
Fábio, broto de bambu e ingá, Rosely, Fazenda das Palmeiras,
Ignácio, meu companheiro, comecei a sair do caminho, com o
meu pai falava, "que sai do mato após andar metade do
caminho".
5ª Etapa - 28/02/2006 – Carangola/Espera Feliz – 33.300 m
Como todos os dias chovem muito à tarde e noite. Seguimos por caminho de terra batida bem molhado e escorregadio. Nosso grupo hoje é de cinco caminhantes, capixaba e mineiro experientes do Caminho de Santiago de Compostela e enduro de regularidade de caminhada. O caminho e muito energético, todo o piso em cristais e mica, reluzindo a luz com os raios solares da manhã. Caminhamos pelo leito da antiga estrada de ferro desativada, podendo notar um leito de estrada bem executado, com drenagem perfeita, túnel na rocha, corte no maciço rochoso em parede íngreme onde pode ser ver muitas samambaias, avencas e bromélias em harmonia com água chorando pelas paredes. Uma gruta com nascente de água limpa e a Santa Terezinha para abençoar o caminho. Chegamos a Caiana com o sol ardente e mais um caminho, até Espera Feliz o complemento de mais uma peregrinação. O corpo já está muito machucado devido o caminho pesado, encontrando forças no ar que respiramos, nas paisagens, no caminho, uma força divina que nos acompanha.
6ª Etapa - 01/03/2006 – Espera Feliz/Caparaó – 34.000 m
Caminho bem molhado devido à chuva da noite, fresco e sem
sol, iniciamos a caminhada beirando o rio, observando o ribeirinho,
família inteira retirando areia com uma vara longa e uma lata,
vida simples para nós e importante para aquelas pessoas que
só tem isto para viver. O caminho ensina, mostra a vida, após
6 dias estou leve, vazio e cheiro de sentimentos, observações
convivendo com a ansiedade das pessoas, a insatisfação,
a competição da chegada, quem é o primeiro.
Caminho só, com a alma leve o corpo muito machucado, mas na
certeza que vou conseguir encontrar o meu eu. O caminho é cheiro
de surpresa, como um senhor de idade que me parou e perguntou o que
eu estava fazendo, disse-lhe estou no caminho até alto Caparaó.
Ele disse tenho 52 anos que me mudei do velho Caparaó, vivi
em várias cidades, hoje estou aqui no pé do Caparaó
e nunca mais voltei lá, só me lembro de minha vida lá
criando boi e na lavoura, hoje estou aqui feliz e simples.
O caminho segue, vivo a cada passo o sentido da vida e bem estar,
a leveza do corpo e alma, os meus pés carrega meu corpo, o
sentido da existência fica mais claro à medida que aproxima
esta empreitada às idéias vão ordenando. Estou
em frente à Igreja São João, que me protege até
o final neste Caminho de Luz.
Durante os últimos quilômetros de Caparaó ao Alto
Caparaó vem pensando qual a satisfação de receber
o certificado do Caminho da Luz, com a alma limpa, na certeza de perdão
dos meus pecados, mais flexível, caso contrário como
fará para provar o vinho novo que Jesus vem me trazer “Jesus
eu confio em vós. Ajuda-me a ser mais flexível e a andar
da maneira como desejais. Ajuda-me a receber todo o vinho novo que
tendes para mim”. “Ninguém põe vinho novo
em odres velhos; porque o vinho novo arrebenta os odres velhos e o
vinho e os odres se perdem. Por isso, vinho novo em odres novos”.
"Como é maravilhoso peregrinar nesta jornada que conhecemos
como vida". Não importa qual que seja o caminho, “os
Passos de Anchieta”, Caminho de Santiago, o Caminho da Fé,
os Passos de Jesus, o Caminho do Sol ou o Caminho da Luz, o que importa
é o caminho da vida que começa quando voltamos para
a casa com certeza que todos os caminhos foram criados pelo Arquiteto
do Universo.
Obrigado Jesus. O Peregrino - jairodigiorgio@terra.com.br