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Depoimentos
Relato
do Caminho da Luz
Por Daniel Casa Nova
Decidi percorrer o Caminho da Luz por entender que
esta seria uma boa oportunidade de iniciar-me no trekking. Ao
assistir a uma reportagem na TV Senado sobre a centenária
rota, fiquei maravilhado! Adquiri os equipamentos necessários,
escolhi o período do ano (julho) com menos chuvas, marquei
as férias e dediquei meu primeiro dia para seguir do Rio
de Janeiro, onde moro, até Alto Caparaó, onde deixei
meu carro. De lá, peguei o ônibus até Alto
Jequitibá e, após duas horas de espera, embarquei
em outro coletivo, até Carangola. Na chegada à cidade,
pedi informações a um taxista que, por coincidência,
havia deixado outro caminhante na cidade de Tombos, na tarde daquele
mesmo dia. Interessado na possibilidade de ter um companheiro
de jornada, pedi ao taxista que me levasse até Tombos,
e lá, no Hotel Serpa, conheci Hermes, que foi meu grande
companheiro durante o trajeto, que iniciamos no dia seguinte.
Iniciamos nosso percurso indo até a Cachoeira
de Tombos, onde os caminhantes descem uma pequena ribanceira até
sua base, que é o Marco Zero do Caminho da Luz. Ali existe
uma pequena usina hidrelétrica, operada pela Ampla, que
envia energia para o Rio de Janeiro. Após tirarmos fotos
do local, subimos de volta para a cidade, pegamos nossas mochilas
no hotel e seguimos pelo Caminho, atravessando toda a cidade.
O primeiro dia é o mais difícil de
todos, em termos de esforço físico. Se você
completá-lo, fique seguro de que nenhum dos outros dias
será tão duro. Dignos de menção nesta
primeira parte do trajeto são a secular Fazenda Oliveira,
a Mata do Banco,
a Casa de Dona Francisca e a Gruta da Pedra Santa, que certamente
tem algo de misterioso. Não só o autofoco de minha
câmera ficou doido por lá (foi o local onde bati
mais fotos desfocadas), mas após analisar as fotos que
tirei no local mais de perto, descobri várias “bolas”
de luz nas mesmas. Grãos de poeira refletindo a luz do
flash? Talvez...
A hospedagem ao fim deste primeiro dia, na casa
de Dona Maria de Lourdes, foi fantástica, com deliciosa
comida acompanhada de muita atenção e carinho, muito
diferente de um hotel. Ela e seu marido Juarez receberam Hermes
e eu como se fôssemos seus parentes. Boas lembranças...
No segundo dia, seguimos para Pedra Dourada. A subida
mais forte neste trecho é a do Alto do Lombo do Burro.
Vale a pena o esforço para ir até a Água
Santa (2km de ida e 2 de volta), que brota da pedra, é
fantástica. Na entrada de Pedra Dourada há uma cachoeira,
menor do que a “Surpresa”, mas ainda assim muito bonita.
Na chegada à cidade fomos recebidos por Dona Ana, que é
uma pessoa com uma linda história de vida (vide relato,
aqui, da Flávia, muito detalhado). O que mais me surpreendeu,
na pensão de Dona Ana, foi o fato de estarmos em uma casa
humilde e antiga, mas cuja porta dos fundos dá para um
prédio de três andares, com capacidade para 60 pessoas!
No amanhecer do terceiro dia, Hermes e eu saímos sob as
bençãos de Dona Ana, que nunca deixa de ler trechos
da Bíblia para os caminhantes que hospeda.
Início do terceiro dia, e seguimos para Faria
Lemos, passando pela Pedra do Lagarto (que é menor do que
eu pensava, mas ainda assim, impressionante e misteriosa), onde
subi e fiz uma prece, pensando no antigo xamã que nela
um dia cantou. Na metade do trajeto, chegamos à cachoeira
Surpresa, que é uma visão magnífica! O Caminho
passa ao largo desta linda queda d’água, o que torna
possível observá-la de vários ângulos
- um verdadeiro espetáculo da natureza – fazendo
com que uma parada naquele local seja quase obrigatória.
O terceiro dia é bem tranquilo (talvez o
que demande menos esforço físico). Na chegada a
Faria Lemos, o caminhante atravessa uma estrada e segue por três
quilômetros de asfalto (o único trecho asfaltado
do Caminho, fora o interior das cidades). Infelizmente, ao final
deste dia, Hermes teve que abandonar a caminhada, pois sentiu
uma antiga contusão no pé. Ficamos hospedados no
Hotel Ventura, que tem sem dúvida o melhor banho quente
de todo o Caminho da Luz.
Faria Lemos é a cidade mais pitoresca de
todas as que visitei durante esta caminhada: amistosa, bonita,
bem arborizada... Fiquei com vontade de visitá-la em outra
oportunidade, com mais calma.
Na manhã do quarto dia, Hermes e eu nos despedimos
emocionados, e após sua partida, parti em direção
àquela que é a maior cidade ao longo da rota iluminada;
Carangola. Fui no meu ritmo, e aproveitei bastante o dia. Passei
pela fazenda que pertenceu ao outrora temido Coronel Novaes, e
no meio do trecho conquistei a Serra dos Cristais. Digo “conquistei”,
pois é uma subida forte. Mas com tranquilidade e perseverança,
cheguei a seu topo e, satisfeito, iniciei a descida.
Na chegada a Carangola, segui para o Hotel Gran
Palace, onde o grande Albino Neves, uma pessoa iluminada, foi
cumprimentar-me. Nem posso dizer o quão surpreso fiquei,
ao encontrar-me, frente a frente, com o criador desta linda rota
de peregrinação. Dividimos uma pizza, e no dia seguinte
(que tirei para descanso), visitei sua casa duas vezes e passeamos
de bicicleta pela cidade. Ele foi incrivelmente hospitaleiro.
Na manhã do sexto dia, segui com uma dupla
de caminhantes até Espera Feliz, passando por Caiana, passando
pelo que é, sem sombra de dúvida, o trecho mais
belo do Caminho da Luz. A ascensão até a Serra de
Caiana é majestosa, para dizer o mínimo. Foi uma
grande emoção percorrer o mesmo trajeto onde, até
alguns anos atrás, existiam trilhos, percorridos por possantes
locomotivas. Os lindos paredões, enfeitados com bromélias,
além do túnel de pedra, das estações
abandonadas e a bem preservada mata tornam aquele trecho o mais
bonito de toda a rota.
Espera Feliz é a cidade onde os sinais de
riqueza encontram-se mais evidentes, dentre todas as visitadas.
Carros novos, grandes lojas, muita ostentação. A
impressão que tive é de que o PIB de Espera Feliz
deve equivaler ao de Carangola, cidade que tem o dobro de habitantes.
Infelizmente, neste dia, torci o joelho esquerdo, o que me levou
a considerar abandonar minha peregrinação.
No dia seguinte, com o empréstimo de um protetor
patelar, aceitei o desafio de, pelo menos, tentar chegar a Alto
Caparaó. Não queria desistir no último dia,
e sabia que demoraria dias para recuperar-me daquela lesão.
O protetor ajudou muito, aliviando a dor. Neste último
dia, a estrada é basicamente plana, com poucas e curtas
subidas, muita poeira e veículos transitando. É
possível perceber os sinais de minério na terra,
e em todo lugar que se passa.
A chegada a Alto Caparaó, após passar
por Caparaó (que os locais chamam, respectivamente, de
“Caparaó do Alto” e “Caparaó de
Baixo”), fui tomado de grande emoção ao avistar
a grande cordilheira. Foi uma sensação de dever
cumprido, principalmente quando completei minha credencial e recebi,
com orgulho, o certificado de Caminhante da Luz. Mesmo sabendo
que a lesão em meu joelho não me permitiria ascender
ao Pico da Bandeira, no dia seguinte, senti que havia completado
o objetivo com o qual havia me comprometido: concluir o Caminho.
A subida ao Pico acontecerá, futuramente. O mais importante
foi reconhecer meus limites, e superá-los, até onde
pude.
Neste dia final, hospedei-me na Pousada Querência,
onde o proprietário Rogério, sua esposa Solange
e suas filhas Jade e Lilás me receberam com uma energia
muito especial e positiva (muita hospitalidade, é uma família
única e que imprime sua marca na administração
daquele estabelecimento). Agradeço a eles pela fantástica
receptividade e fico feliz em contar com sua amizade. Futuramente,
não só pretendo ascender ao Pico da Bandeira, mas
também fazer um dos roteiros de trekking que Rogério
promove, dentro do Parque Nacional de Caparaó.
Finalizando meu relato: separei as dicas, para não
tornar o texto muito longo. Você
poderá encontrá-las aqui. Um grande abraço,
e Paz e Luz.
Assinado: Daniel. danielbasico@hotmail.com
Marco
Antonio
Resolvi
fazer o Caminho da Luz de bike, de súbito. Certo dia
comecei a pesquisar na internet alguns passeios para fazer com
a minha bike... achei algumas coisas interessantes mas estava
a procura de algo mais, além da prática de atividade
física, pois havia passado, a um ano e meio, por um problema
sério de saúde e estava precisando "acalmar
a minha mente e coração". Decidi, então,
fazer o Caminho de Santiago (Caminho Francês) de bike
e comecei a minha preparação física intensa,
com orientação de profissional de educação
física.
Certo dia conversando com a minha esposa, ela me contou sobre
o programa que passou na TV a respeito do Caminho da Luz, sendo
que já havia olhado no site. Após conversar com
o professor de educação física, achamos
interessante fazer alguns percursos locais antes do grande Caminho
de Santiago, foi quando resolvi fazer o Caminho da Luz. Preparei
a minha bike numa semana e fui para Tombos na outra. Não
organizei nada (sempre fui muito certinho na minha vida e queria
algo diferente desta vez), apenas te liguei no dia anterior
da viagem.
Comprei a passagem na hora do embarque na rodoviária
e fui....sozinho, sem me preocupar se teria hotel pra ficar
e coisas do gênero (estava carregando pouca bagagem -
apenas uma mochila - mas tinha um saco de dormir "especial").
Chegando a Tombos fui muito bem recebido pela Rogéria
(Hotel Serpa) e me instalei num quarto (dormi de janela aberta
no nível da rua - coisa inimaginável na cidade
do Rio de Janeiro). De manhã, tomei um café reforçado
e arrumei a minha mochila na bike (preferi colocar no bagageiro
da bike em vez de carregar nas costas - ficou bem melhor), e
visitei a cachoeira de Tombos (pela estrada).
De lá segui o Caminho, visitando uma Fazenda em que
o capataz (acho que o nome dele é Mathias) me deixou
entrar e me deu água. Em certo momento, entre Tombos
e Catuné, procurei a placa que indicaria o caminho dos
bikers e infelizmente não estava mais no lugar (acredito
que tenha caído)... resolvi, então, subir aquela
famoso morro onde não existe praticamente caminho e as
porteiras mal dão para passar uma pessoa... com a bike
nas costas uma boa parte do tempo... FOI A DECISÃO MAIS
ACERTADA QUE TOMEI NA MINHA VIAGEM (pode parecer estranho, mas
aquela subida teve um sentido espiritual pra mim que eu não
saberia expressar muito bem - é muito forte o que senti).
Apesar do monitor cardíaco indicar sempre batimentos
em torno de 170 na subida do morro, e após uma queda
da bike, fui até a gruta e lá, desesperado por
água, me saciei com uma bica... sentei dentro da gruta
e fiquei olhando a imagem de N.Sra. de Lourdes e ouvindo as
gotas d´água caindo, sem nenhuma pessoa ou barulho
pra me incomodar. É incrível e inexplicável,
mas saí dali tão carregado de energia e pronto
para mais uma subida de morro, se tivesse.
Chequei em Catuné e fui recebido pela excepcional D.
Neusa (que por óbvio, não estava me esperando
- esse era o meu espírito da viagem - um pouco irresponsável,
mas era este) e me recebeu de forma muito carinhosa. No dia
seguinte fui em direção de Pedra Dourada, aonde
conheci a famosa D. Ana (que, assim como a D. Neusa, não
estava me esperando....) sendo que me recebeu da mesma forma,
com muito carinho, como se fosse uma mãe acolhendo seu
filho....MUITO BONITO. D. Ana me ofereceu almoço e falei
com ela que seguiria viagem, até porque vinham três
senhores caminhando e que já haviam reservado o seu quarto
de hóspedes. Ela, então rezou e cantou pra mim
(MUITO BONITO) e nos despedimos. Segui, neste mesmo dia, após
o almoço, para Faria Lemos. No caminho a subido do Lombo
do Burro é bem difícil e cansativa mas a vista
e as cachoeiras no caminho compensam qualquer esforço.
Cheguei em Faria Lemos, após percorrer quase 60Km num
dia, sentei na praça e tomei uma cerveja que caiu como
uma luva depois de tanto esforço. Depois, foi jantar
e descansar no Hotel Ventura. Dia seguinte, fui em direção
a Carangola, visitando Fazendas e conhecendo a linda Serra dos
Cristais. É uma vista muito legal e quando estava sentado
descansando no alto da Serra, não é que o celular
toca (único lugar que ele pegou realmente)... Confesso
que naquele momento não atendi e desliguei o aparelho
- queria realmente ficar quieto, sozinho, sem falar com ninguém.
Quando cheguei em Carangola verifiquei a ligação
e não era nada demais (trabalho que poderia aguardar).
Dia seguinte fui para Espera Feliz - dia de jogo do Brasil
na Copa do Mundo. Neste trecho merece registro a linda Serra
de Caiana que percorri por Ernestina - lugar de subida "dura"
mas fantástica, cheio de energia e lindo visual. A própria
Cidade de Caiana é bem interessante - parece uma cidade
fantasma durante o dia, com as janelas abertas das casas - sem
preocupações com segurança. De Espera Feliz
para Caparaó é muito tranqüilo, praticamente
sem subidas e de Caparaó para Alto Caparaó algumas
subidas e muitos cafezais, visualizando, de vez em quando, o
Pico da Bandeira ao longe.
Em Alto Caparaó fiquei na pousada do Rui aonde fui recebido
pela Sra. Rilza (esposa do Rui) - ela tinha acabado de fazer
doce de leite que estava maravilhoso. Infelizmente, a subida
ao Pico da Bandeira foi prejudicada pelo mau tempo, mas cheguei
a Tronqueira e subi um pouco a pé depois até o
Vale Encantado - é muito bonito - imagino no verão
com as chuvas como devem ficar as cachoeiras!!! No dia seguinte,
peguei um ônibus até Manhumirim e de lá
peguei outro até o Rio de Janeiro, terminando, dessa
forma, a minha jornada.
Todos me perguntam qual foi a coisa mais bonita que encontrei
na viagem e respondo, sem pensar, que foram as pessoas que conheci
no Caminho da Luz, pois parecem realmente iluminadas pela Luz
que nos guia nesta caminhada (de bike, no meu caso) que muitas
vezes é árdua mas muito mais prazerosa do que
qualquer outra que já fiz. Digo a todos que vale muito
a pena percorrer o Caminho da Luz, não só pela
beleza natural (que é indiscutível), mas pelos
ensinamentos que temos durante o percurso, tais como humildade,
simplicidade, companheirismo e carinho, coisas que na vida louca
que temos na Cidade grande muitas vezes nos esquecemos ou passamos
por cima, vivendo uma vida automática, burocrática
e algumas vezes enfadonha, esquecendo até de realmente
viver e curtir a vida.
Algumas dicas, se me permitem (coisas que não fiz,
mas acho que deveria - a vida é assim, quando somos novos
- tenho 37 anos - achamos que nada pode acontecer conosco!!!):
(i) não fazer o Caminho da Luz, ou qualquer outro Caminho,
sozinho; (ii) se fizer sozinho, que avisem sempre a Cidade seguinte
(lugar que irão pernoitar) para o caso de vc não
chegar, seja lá porque motivo for, alguém possa
lhe prestar socorro e ir a sua procura; (iii) sempre que passar
por uma fonte de água encha a sua garrafa e se hidrate
muito - passei alguns apertos quanto a falta de água,
pois, por estar de bike, muitas vezes não queria parar
para encher as garrafas - erro grosseiro que aprendi na "marra";
(iv) parar rapidamente para comer alguma coisa (aquelas barrinhas
de cereais é uma boa pedida) - acho que, no máximo,
paradas de 5 minutos - para por muito tempo vc perde o "pique";
(v) se for de bike, levar ferramentas, bomba de ar e câmara
de ar para qualquer eventualidade no caminho; (vi) fazer uma
boa revisão na bike antes de viajar; (vii) a bike deve
ter suspensão dianteira e computador de bordo para controlar
a distância percorrida; (viii) levar o mínimo possível
de bagagem e dê preferência em carregar a mochila
no bagageiro da bike e não nas costas (as subidas castigam!!!);
e (ix) as companhias de ônibus cobram pela bike como excesso
de bagagem - nada demais - por volta de R$5,00 e devem estar
embaladas.
Me coloco a disposição, pelo e-mail ou telefone,
de qualquer pessoa que tenha vontade de fazer o percurso de
bike ou a pé para ajudar no que for preciso.
Agradeço a todos os que disponibilizaram o Caminho da
Luz e que todos sejam abençoados por Deus e Nossa Senhora.
Forte abraço a todos.
Marco Antonio Ferreira Webler
Tel. 55 21 25336183 / 87449250 / mwebler@weblerenatalizi.com.br
CAMINHO DA LUZ
por Catarina Rüdiger
O espírito peregrino nos faz caminhar e esta é
uma agradável concepção de vida que é
desenvolvida por muitas pessoas e é o que me levou, juntamente,
com outros 4 amigos peregrinos, ao Caminho da Luz.
Este Caminho de 195 km está situado no Estado de Minas
Gerais. Tem início na cidade de Tombos e está
dividido em 7 etapas, passando pelas cidades de Catuné,
Pedra Dourada, Faria Lemos, Carangola, Espera Feliz, Caparaó
e Alto Caparaó. A última etapa é a marcante
subida ao Pico da Bandeira, o 3o ponto mais alto do Brasil,
com 2.890 m de altitude, a Montanha Sagrada, na Serra do Caparaó
que faz parte do Parque Nacional do Caparaó e, neste
ponto, pertence ao Estado do Espírito Santo.
Foi idealizado por Albino Neves, um peregrino que já
trilhou Caminhos em várias partes do mundo. É
todo sinalizado e a aceitação e simpatia do povo
mineiro aos peregrinos é muito forte.
O peregrino do Caminho da Luz tem o privilégio de caminhar
na bela paisagem de montanhas e num trajeto brilhante quando
a luz do sol atinge a abundância de cristais, mica e outros
minerais. Além da luz no Caminho convive-se com o canto
dos pássaros, com a beleza das cachoeiras e dos campos,
com o cotidiano mineiro, com o sol, chuva, poeira, lama, com
o gado nos pastos e nos caminhos, com as pessoas, com a solidariedade...
Cada etapa tem sua beleza, mas chegar a um dos pontos mais
altos do Brasil é uma grande emoção. É
ter a oportunidade de muitas vezes agradecer a Deus por todos
os Caminhos. Chegar ao cume com um grau de dificuldade grande,
valeu a pena. É chegar, abrir os braços e vibrar
com a chegada naquele visual de 360o de muitas montanhas, com
destaque para o Pico dos Cristais que está próximo
e tem 2.790 m de altitude.
Quem caminha encontra na essência da natureza a integração
com o universo e cresce na espiritualidade e na convivência.
A cada passo se absorve energia para diluir problemas e se reconhece
a capacidade de construir, de vencer e de atingir objetivos.
Para isso, não basta apenas caminhar, é necessário
sentir o Caminho. Lembrando Fernando Pessoa, Navegar/Caminhar
é preciso...
nov/2004
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