Veja fotos da Caminhada Coletiva 2007 | 2006 | 2005 || Depoimentos | Links
Desde a sua primeira edição, em julho de 2001, os 200 km que ligam Tombos ao Pico da Bandeira, o Caminho da Luz, o Caminho do Brasil, criado pelo escritor Albinno Neves, presidente da ABRALUZ, já foi percorrido por mais de 8 mil peregrinos de vários estados da federação e também de vários países do mundo.
Na 7ª edição da Caminhada Coletiva promovida pela Associação Brasileira dos Amigos do Caminho da Luz - ABRALUZ, realizada no período de 15 a 22 de julho, mais de 200 caminhantes do Brasil e exterior estiveram presentes, além de, na mesma época, dezenas de cavaleiros, ciclistas e caminhantes também estarem no Caminho.
Estrutura comunitária - Apenas na Caminhada Coletiva promovida pela ABRALUZ é possível o alojamento coletivo dos caminhantes, graças à parceria firmada entre a Associação e os diversos estabelecimentos educandários e esportivos da região, através das prefeituras dos municípios ao longo do Caminho.
Famílias no Caminho - Uma das marcas mais significativas da coletiva foi a participação de várias famílias, proporcionando a oportunidade de uma grande vivência, o que pode ser sentido ao longo caminho pelos participantes e apregoado pelas próprias famílias.
Parcerias - A ABRALUZ realizou algumas parcerias que marcam um importante momento vivido pela rota de peregrinação, destacando-se as com as empresas Curtlo, Solo, Caixa Econômica Federal, Aequilibrium e Doces Xamêgo Bom.
Abertura oficial - A abertura oficial da Coletiva deu-se às 19h do dia 15, com uma missa celebrada pelo Padre Célio na Igreja Nossa Senhora da Dores, em Tombos, sendo o momento marcado por muita emoção. O celebrante convidou os peregrinos a comparecerem no átrio e a dizer seu nome e de onde vieram. Na ocasião, o prefeito de Tombos, Ivan Andrade, e o criador do Caminho e presidente da ABRALUZ, Albino Neves, saudaram os presentes desejando-lhes uma boa peregrinação.
Em Tombos, os caminhantes foram recebidos pelo diretor de turismo
Sandro Moreira, que, devido à lotação dos hotéis
da cidade, conseguiu abrigo para os demais em casas de família.
Após a missa, aconteceu na praça principal uma apresentação
do projeto “Causos e Viola das Gerais”, coordenado por
Estefânia M.Sales, tendo como locutor Ronan Oliveira, que apresentou
a dupla Cláudio Araújo e Dimas Sousa e Renato Caetano
e Banda.
Na manhã do dia 16, na base da Cachoeira de Tombos, foram concluídas as inscrições dos participantes e também oferecido um café da manhã aos presentes, que aproveitaram para fotografar o belo monumento natural e também visitar o Santuário de Nossa Senhora da Luz.
No caminho para Catuné, os peregrinos foram saudados pela família de Dona Francisca, na saída da Mata do Banco, e também de Dona Ana Maria da Rocha e suas filhas Mirian, Mariza, Sara e Rosiene e os filhos Fabrício e Antônio Carlos, percebendo ali os primeiros sinais da solidariedade e do carinho da gente mineira.
Catuné - Ao longo dos 24,7 km que ligam a cidade de Tombos a Catuné, os caminhantes passaram por fazendas centenárias, pela APA Água Santa de Minas, onde foram recepcionados por Paulo César e chegaram à Gruta da Pedra Santa, onde muitos oraram na capela de Nossa Senhora de Lourdes.
No distrito de Catuné, dona Dulce Fulmian e Lourdinha Bianchini, representantes da AMALUZ, recepcionavam os caminhantes que ali resgataram suas mochilas e eram guiados pelas crianças da comunidade até as casas de família e a escola estadual, onde pernoitariam. À noite, após a janta, um grupo de crianças, sob o comando do mestre Bibo, fez uma apresentação de capoeira que contou com a participação de alguns caminhantes.
Balneário da Igrejinha - Na manhã do dia 17, indo em direção à Pedra Dourada, os caminhantes pararam no Balneário da Igrejinha, onde a comunidade local, sob a liderança de Terezinha Natalina, Odete C. de Barros e Davi da Mota, ofereceu um café da manhã com iguarias da culinária mineira.
Pedra Dourada - Fascinados pelas belezas do Lombo do Burro, da Serra da Jacutinga, da fonte da água santa, que dá nome ao distrito situado entre Catuné e Pedra Dourada e com a hospitalidade da família Milião, que recebe a todos no Alto da Jacutinga com quitutes caseiros, os caminhantes, após 19 km, chegaram à Cachoeira de Dourada, onde aproveitaram as águas cristalinas para um banho antes de chegar à cidade, onde muitos se hospedaram na Pousada Dourada, outros na Pensão de dona Ana e seu Zito e os que dormiram coletivamente, na Escola Municipal Manoel Quintão, onde foi servido o jantar e o café da manhã, sob a coordenação de Kátia Carrara, indicada pelo prefeito Silvanir Andrade para recepcionar os peregrinos.
À noite, após o jantar, alunos douradenses apresentaram uma quadrilha e também a “Dança das Fitas”, manifestações que fazem parte da cultura local, como boas vindas aos participantes da coletiva.
Exemplo de amor ao próximo - Ao deixarem Dourada, antes de passarem pela Pedra do Lagarto e pela Cachoeira Surpresa, que forma o rio São Mateus, em direção a Faria Lemos, José Vanderli Fava, sua mulher Ercilene Zan Fava e seus filhos Tatiane e Mateus esperavam a todos, como sempre fazem na passagem das caminhadas coletivas, com frutas, mandioquinha e torresmos fritos, café e bolo para dar as boas vindas aos peregrinos. “Para nós, este é um dia de festa, onde podemos doar um pouco do que temos aos que visitam nossa casa”, disse José Fava, que, para sua surpresa, recebeu a visita da família de Rui Fava, um parente de longe, que participava da coletiva.
Faria Lemos - Ao chegarem a Faria Lemos, onde muitos se abrigaram em casas de família, no hotel local, no Clube da Melhor Idade e na Escola Municipal Diogo de Vasconcelos, os caminhantes puderam conhecer um pouco do artesanato local e também desfrutar de várias atrações musicais executadas pela Corporação Musical José Ferreira, sob a batuta do maestro Sebastião e presidida por Antônio Geraldino, tendo o prefeito José Clério Alves Terra dado as boas vindas a todos.
Terra de Coronéis - Em direção à Carangola, os caminhantes puderam conhecer algumas da fazendas centenárias que marcaram a vida dos coronéis na região, entre elas a Fazenda do Coronel Novaes, atualmente de propriedade de Hugo Napoleão, um senhor de 92 anos que fez questão de abrir as dependências do conjunto arquitetônico e também de contar um pouco da história ali vivida no século passado. Mais à frente, no Córrego do Inhame, Milton Ferreira e sua mulher Vera esperavam os caminhantes com garapa e produtos da terra, fazendo do local um “oásis” de recepção. O mesmo aconteceu na Fazenda dos Cristais, de Antônio Wilson Batalha, onde sua mulher Iolanda e filha recebiam a todos com carinho e atenção.
Mais à frente, no trevo da Fazenda das Palmeiras, Jorge Nelson e Ângela, do grupo de apoio “Luz do Caminho” contratado pela ABRALUZ para servir o lanche aos caminhantes durante todos os dias, aguardavam os participantes, que eram brindados com o som de músicas clássicas executadas por Jorge Nelson em sua flauta transversa.
Carangola - A passagem pela Serra dos Cristais e a vista do rio Carangola marcavam a chegada à maior cidade de região. Os caminhantes que dormiram coletivamente ficaram na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras - FAFILE, gentilmente cedida por Inácio e Patrick Drumond. Os demais caminhantes ficaram hospedados nos hotéis da cidade. O jantar coletivo aconteceu no restaurante Jurandai’s e, logo a seguir, na Praça Coronel Maximiano, houve apresentação do projeto “Batendo Latas”, de capoeira e de grupos de Caxambu, onde os peregrinos, envolvidos pelas apresentações, tiveram uma participação especial.
O encanto do Caminho - Após a subida da Serra de Caiana e a chegada à Parada General, os peregrinos puderam, entre Carangola a Caiana, desfrutar de um dos mais belos trechos do Caminho, ornado com paredes de bromélias, avencas, samambaias, minas de cristal, de águas cristalinas e de uma paisagem inigualável, podendo avistar as montanhas até ali percorridas. Um local de pura magia!
Caiana - No município de Caiana foi oferecido, no Ginásio Pedro de Oliveira, um almoço aos caminhantes, que foram recepcionados pelo prefeito Sebastião Sales e pela primeira dama Ceni Daniel, onde receberam também uma lembrança daquela cidade, com um texto e um fragmento de cristal, tendo em vista que ali está situada a maior mina de cristais da região.
Espera Feliz - Na chegada a Espera Feliz, na porta do ginásio poliesportivo, gentilmente cedido pelo prefeito Jadir Vidal, onde os caminhantes ficaram abrigados coletivamente, Clarissa Assef recepcionava a todos indicando os locais de pernoite para os que iriam hospedar-se nos hotéis da cidade. À noite, o jantar foi livre e cada caminhante escolheu o local para fazer sua ceia.
Comunidade do Limoeiro - Ainda em Espera Feliz, na comunidade do Limoeiro, a secretária de turismo Quézia Donádio e o gestor do Circuito Pico da Bandeira, Francisco Melo, aguardavam os caminhantes que eram recepcionados pela comunidade local, onde foi oferecido, além de um delicioso café da manhã, uma apresentação do grupo “Aprendendo Cantando”, formado por crianças da escola municipal de Espera Feliz e regido pela professora Kelen Gripp. Ali foram plantadas algumas mudas de árvores e apresentados produtos de agroindústria e artesanato pela Associação de Mulheres Rurais de Espera Feliz, que tem como presidente Sandra Aparecida Hots Alves e também aplicado o Reiki em caminhantes, ministrado por Regina Maria Teixeira. Um pouco mais à frente, na comunidade do Quicé, balas e doces produzidos pela Fábrica de Doces Ethel foram oferecidos aos caminhantes.
Caparaó - A passagem por Caparaó foi marcada pelas belezas da Cordilheira que abriga o Pico da Bandeira e naquela cidade, os caminhantes aproveitaram para alimentar-se e reabastecer as energias para o último trecho de caminhada até Alto Caparaó, antes de entrarem no Parque Nacional do Caparaó.
Alto Caparaó - O presidente da ABRALUZ, Albino Neves, e o diretor da operadora Rastro de Luz, Vitor Hugo, que durante todo o percurso deram apoio aos caminhantes, esperavam os peregrinos na porta da Igreja São Paulo Apóstolo para a entrega do Certificado de Caminhante da Luz aos participantes da coletiva. Naquela igreja, a comunidade de São Paulo Apóstolo dava as boas vindas a todos e o padre Valdeci e o pastor da 1ª Igreja Batista de Alto Caparaó José Evandro Fernandes Domingues realizaram um culto ecumênico em ação de graças pela peregrinação.
Após a missa, Albino Neves agradeceu a participação de todos, fazendo uma pequena retrospectiva do que foi vivido durante os seis dias de caminhada até ali, lembrando que as lições de amor, de solidariedade, fraternidade e boa convivência eram princípios que todos deveriam praticar no dia-a-dia de suas vidas, para que seja possível transformar este mundo num mundo melhor. A seguir, vários caminhantes deram depoimentos sobre a vivência ao longo do caminho, o que emocionou a todos, fazendo com que visitantes e espectadores da comunidade sentissem a força do Caminho e a transformação que ele produz em todos aqueles que têm aguçada a sua sensibilidade.
Os caminhantes que hospedaram-se particularmente foram para os hotéis e pousadas de Alto Caparaó, enquanto que os que optaram por alojamento coletivo, rumaram para a Escola Municipal Eugênio Tavares, cedida pelo prefeito Juninho Jacomel, onde foram oferecidos o jantar e o café da manhã para todos os participantes. Naquela cidade, Joice ficou incumbida de coordenar as ações de apoio aos caminhantes.
A subida ao Pico da Bandeira - Na manhã do dia 22, os participantes da coletiva receberam na porta do Parque Nacional do Caparaó, das mãos de Jorge e Ângela, o último lanche do grupo de apoio “Luz do Caminho” para, então, iniciarem a subida ao Pico da Bandeira, o terceiro mais alto pico do Brasil, com 2.892 m de altitude e o mais alto acessível. Os caminhantes, durante a subida, receberam, o apoio dos guias Josias e Deiverson, de Albino Neves, de Vitor Hugo, dos ex-atiradores do Tiro de Guerra de Carangola Jonathan da Silva, Diogo de Souza e Vinícius Domingos Leite , de Gláucia Baratela, do major Roberto Marcos Costa e também de outros membros do grupo de apoio da ABRALUZ.
Céu de brigadeiro - Os caminhantes, após 7 dias de peregrinação, atingiram o topo do Pico da Bandeira, sendo brindados com o tempo totalmente limpo, podendo avistar a centenas de quilômetros de distância.
Retorno a Carangola - Três ônibus fretados pela ABRALUZ conduziram os caminhantes de Alto Caparaó para Carangola, onde a maioria embarcou para suas cidades de destino.
Apoio - A realização da 7ª edição da Coletiva teve o importante apoio das prefeituras de Tombos, Pedra Dourada, Faria Lemos, Caiana, Espera Feliz e Alto Caparaó, que colaboraram para a segurança e acolhimento dos caminhantes.
Integração social - Segundo a direção da ABRALUZ, a realização da Caminhada Coletiva, que faz parte do calendário turístico do estado de Minas Gerais, através da Lei 16.656/2007, assinada pelo governador Aécio Neves em 5 de janeiro deste ano, tem como principal objetivo uma maior integração entre os caminhantes e as comunidades ao longo do caminho. É um momento de festa, de solidariedade, de participação mútua, de intercâmbio cultural, onde as comunidades, além de mostraram o carinho e apreço que têm pelo Caminho da Luz e pelos caminhantes, têm a oportunidade de mostrar um pouco de sua cultura local, de sua produção agro-industrial, artesanal e do seu modus vivendi. Para o presidente da ABRALUZ Albino Neves, as coletivas têm um significativo papel no resgate da cultura popular e também no despertar da consciência das comunidades de sua importância na vida do Caminho da Luz, o Caminho do Brasil, tendo em vista que ele veio dar à região uma identidade cultural hoje reconhecida dentro e fora do país.