![]() |
||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Saímos da pequena cidadezinha de Catuné, às sete e pouquinho da manhã, rumo ao Balneário para tomar o café da manhã!!! Minha mãe encontrou sua amiga Leny e então eu andei um pouco a frente delas curtindo meus primeiros momentos, meus primeiros passos na estrada do Caminho da Luz sozinha... Estava acordando... sentindo o caminho... sentindo a estrado... me sentindo... E então meus pensamentos voavam! Algumas coisas apenas eu e aquelas primeiras paisagens sabemos e ninguém mais! Eu pensei em ciúmes alí, em raiva, em desejos... pensei em amor, paixões, fantasias... E quando o vento tocava meu rosto, eu despertava dessas minhas pequenas besteiras! O sol me cumprimentava, sorrindo, tocando-me com afeto e dizia-me: "Menina, tranquilize-se, você ainda tem muita coisa para viver, descobrir, sentir... Vem comigo!" E, sabe, eu fui com o Sol! Ele me acompanhou... e eu sorria tanto pra ele que se alguém reparasse em mim, diria que eu sorria sozinha, que falava sozinha... Mas, não, eu falava com o Sol, com o Vento, com as Montanhas, com a Estrada... E qual o problema de falar comigo mesma também? rss... Andei um bocado só! Foi gostoso... Foi bom pra mim! Quando cheguei no Balneário, comi bolo, tomei um pouco de café, e comi uma fatia da minha fruta preferida: Melancia! E que delícia estava!!! Encontrei-me com minha mãe, ficamos juntas durante o café e um pouco depois também, até eu me sentir com vontades de estar só novamente! E me apressei à sua frente... Subi sozinha o famoso Lombo do Burro, confesso quase morrendo de cansada, mas em momento algum reclamei do lugar ou pensei em desistir... eu estava maravilhada e feliz por estar ali! Além disso, meus pensamentos estavam tão povoados (do que agora não me lembro mesmo) que nem senti aquela cansativa subida! Adrieli http://www.vibeflog.com/drilaviola O Caminho da Luz... As pessoas perguntam:: “mas como é esse negócio
de caminho da luz?” E aqui, resolvi escrever, não para definir, apenas
para deixar impresso um E o Caminho deixou este ensinamento...e muitos outros,
claro...
Ah...estou postando
algumas fotos em um flog...duas a duas...lentamente...rs CAMINHO DA LUZ - Experiência de Vida - Julho/2006 Nascida em Tombos e morando há uns 25 anos em Belo Horizonte, tomei conhecimento do Caminho da Luz em uma de minhas idas à terra natal. Passei as informações à minha irmã Patrícia e nos entusiasmamos ao pesquisarmos os detalhes pela internet. Mesmo com total despreparo físico, ela sedentária ao extremo e eu apenas uma pessoa sempre disposta a andar nos shoppings e centro da cidade, decidimos enfrentar, como se diz “com a cara e a coragem”, os 195 Km.que nos aguardava, o 1º Caminho de nossas vidas. Mais 2 amigas foram conosco: Marilac e Ana Lúcia. O primeiro dia da caminhada, com destino a Catuné, já nos deixou exaustas. O sol tornou-se o meu desconforto, devido uma sensação térmica intensa, mesmo com o uso de bloqueador solar e coisas mais. Após percorrermos quase todo o caminho do 1° dia, deparamos com um desvio e uma trilha entre a montanha para então sairmos perto da gruta santa, bem lá no alto. O músculo da minha perna esquerda doía tanto e Patrícia já sentia algumas bolhas nas solas dos pés, que mal conseguíamos andar. Subimos muito devagar a rampa de acesso à gruta, parecia que estávamos em câmera lenta. Descansamos um pouco, oramos e depois junto a outros caminhantes, fizemos um círculo e rezamos um Pai-Nosso em agradecimento a N.Sra.de Lourdes por termos vencido o 1° percurso do nosso Caminho. Chegamos a Catuné em frangalhos, mas orgulhosas e agradecidas. Ao assinarmos o livro dos caminhantes éramos as nºs 200 ,201, 202 e 203. Descansamos um pouco e após tomarmos banho saímos para jantar. E qual não foi o meu espanto ao ver a ladeira que ainda teria de subir para chegar ao alojamento onde o jantar estava sendo servido. Segurei no braço de minha amiga Marilac e brinquei que ela faria o papel do meu cajado para ajudar na subida. Ai... que vontade de desistir! No dia seguinte, ao acordar para enfrentar o 2º dia da caminhada, minha perna esquerda ainda doía bastante. Patrícia havia cuidado de suas bolhas e, após um breve aquecimento, partimos com destino à Pedra Dourada. Marilac, com seus passos largos, distanciou-se de nós. Na primeira etapa do caminho, antes de chegarmos à Água Santa, paramos em uma sombra para um descanso rápido. Estava comendo uma barra de cereal quando a sua metade escorregou entre meus dedos e caiu na trilha que percorríamos, sobre a terra fofa.. Um caminhante que parou nesse momento ao nosso lado, perguntou-me se eu não iria pegar essa metade no chão e comê-la . Respondi que não, pois na minha mochila havia muitas outras barrinhas, não havendo assim necessidade de comer uma suja de terra. Então ele pegou no chão aquela metade da barra, passou a mão para retirar a terra e a comeu. A seguir olhou-me e disse educadamente: _ Você ainda não entendeu o Caminho! “ Sujo não é o que o homem come. Sujo é o que sai da boca do homem.” Fiquei em silêncio, não respondi nada. Apenas pensei: será que comeria a metade suja de terra se aquela cena se repetisse? Talvez eu tenha mesmo caído de pára-quedas neste caminho, como dizia minha irmã. Perguntei a outros caminhantes o que fariam se esse fato ocorresse com eles e obtive diferentes respostas, mas, em sua maioria, só comeriam a outra metade da barra que caiu no chão em caso de “necessidade”. Pensei novamente: somos vários então que não estamos entendendo o Caminho. Prosseguimos e ao chegarmos no conhecido “Lombo do Burro” eu já não sentia dores apenas na perna esquerda, minhas duas pernas pareciam trituradas e então passei a subir os morros de costas para aliviar as dores. E o meu humor já não era o mesmo. Reclamava do sol, dizia que aquilo era um martírio e que só se tivesse uma amnésia passaria por tudo novamente. Conheci um senhor que estava há 5 anos percorrendo o Caminho e não entendia como todos gostavam tanto do que estávamos fazendo. Enfim, estressava minha pobre irmã. Isso se repetia todos os dias, após as 13:00 h., quando enfrentava aquele sol causticante. O meu rosto ficava muito quente e essa sensação tinha como conseqüência uma enorme irritação. Patrícia sempre falava: __Você faz as pazes com o Caminho toda manhã e briga com ele à tarde, depois de umas 6 h.. de caminhada. Quando ela lembrava das poses que fiz na Cachoeira de Tombos, em frente à placa onde se lia “Aqui inicia o Caminho da Luz”, mais risadas dava, fazendo com que eu também começasse a rir. Realmente com o frescor da manhã o meu ânimo e o meu humor eram outros. Brincava, sorria e adorava o Caminho. A nossa chegada a Faria Lemos foi a mais difícil para Patrícia. Ela quase não andava mais, tantas eram as bolhas nas solas dos pés. Mesmo assim recusou-se a entrar no carro de apoio e eu caminhei bem devagar para fazer-lhe companhia. Minhas pernas já não doíam mais e não tive problema algum com meus pés. Fomos lendo 1 a 1 os 10 Mandamentos e quando entramos na cidade eram 18:10h. Os rapazes do exército eram constantemente nossos companheiros de chegada. Sentíamos falta da companhia de nossa amiga Marilac, a quem carinhosamente chamávamos de “Cadilac”. Por outro lado, quando chegávamos, nossa bagagem já estava toda acomodada. Aí dizíamos: _ Ainda bem que a “Cadilac” chegou cedo! No hotel Patrícia estava triste, pensava ter terminado ali o seu Caminho, tamanho desconforto sentia nos pés. Tivemos então a solidariedade do Nilton, furando e passando linha em suas bolhas. Pela manhã, ao levantarmos, Patrícia mal podia acreditar quando colocou os pés no chão e não sentiu dores ao caminhar. Dizia toda feliz: _ É a energia desses caminhos que nos proporciona continuar! Seguimos para Carangola. Esse já foi para mim o mais sofrido devido ao sol, no entanto foi a cidade onde conseguimos chegar mais cedo. Marilac descuidou-se um pouco com a água, sentindo-se indisposta e tendo que deixar o caminho na manhã seguinte. Aí ficamos sem a nossa “Cadilac” e passamos a ter ainda que pegarmos toda a bagagem após chegarmos. Muitas saudades... No percurso para Espera Feliz passamos por Ernestina e, nesse dia, não briguei com o caminho, tudo era lindo e aproveitamos para admirar as cadeias de montanhas, ouvir os pássaros e beber água nas fontes. Até nesse momento tínhamos a companhia de nossa amiga Ana Lúcia, uma guerreira que deixou um vazio enorme nos caminhos à frente. Companheira, solidária, descobri ali um ser humano de grande coração. Em Caiana vimos muitos canários-da-terra nas ruas e eles não se intimidavam muito com nossa presença. Ao avistarmos Espera Feliz as luzes da cidade já nos diziam que não era nada cedo: 19:00 h.. Nossa mãe, comovida com as bolhas de minha irmã, conseguiu enviar-lhe um tubo da pomada xylocaína. Era mesmo o que faltava! Com os pés anestesiados, nada mais impedia que atingisse o seu objetivo. Enfim faríamos o último percurso na manhã seguinte: Alto Caparaó. E entre tapas e beijos percorria o Caminho sempre agradecendo a Deus por toda aquela beleza, pela família que tenho, pelas pernas que não acreditava agüentarem tanto esforço, mas sempre com muitos questionamentos: - Por que essas pessoas estão num caminho e já pensando no próximo que vão percorrer? - Qual o sentido de andarem tanto e sempre tão rápido? - Essa procura em melhorar o nosso EU não seria um pouco egoísta se não estamos ajudando ninguém? Quando olhava para minha irmã ela demonstrava um semblante cansado mas feliz. E sempre tinha respostas para tudo. Dizia: -Cada um faz o Caminho com um objetivo, o importante é você descobrir o seu. Não nos interessa o motivo que os levaram a fazer este Caminho, temos que nos preocupar com o nosso. Por várias vezes presenciei Andréia aproximar-se de minha irmã e agradecer-lhe a indicação do Caminho. Andréia era sua amiga e notava-se facilmente a felicidade estampada em seu rosto. Já fazia planos para retornar em 2007 acompanhada pelo esposo e cunhada. Vale frisar que o último trecho de nossa caminhada foi longo e muito cansativo por tantas subidas no final. E durante esse percurso recordava tudo que vivenciamos desde o 1° dia do Caminho: como nosso ritmo era lento e bebíamos muita água, sempre parávamos nas casas à beira do Caminho pedindo algum tipo de favor. A solidariedade encontrada muito nos sensibilizou. Patrícia colocava bombons e pirulitos na mochila a cada caminho que iniciávamos e íamos distribuindo para as crianças que encontrávamos. E a cada dia eu sentia um enorme desejo de ajudar aquelas pessoas que estavam sempre prontas a dividir o que tinham conosco. Em uma das casas a moradora queria servir-nos almoço, oferecendo-nos arroz e os poucos bifes que tinha. Quem não se lembra dos meninos à beira da estrada vendendo aquela deliciosa limonada feita com limão capeta? Como distribuímos alguns bombons para eles não queriam receber pela limonada que bebemos. Tivemos que convencê-los a receberem pelo trabalho que realizaram. E aquela senhora com seu fogão a lenha, esperando-nos com um sorriso nos lábios e uma variedade enorme daquelas delícias da cozinha mineira: caldo de feijão, torresmo, mandioca frita e uma casquinha de angu torrada que nunca havia experimentado antes. Em uma caixa de sapatos sobre o muro da varanda cada um colocava a sua contribuição. Lembro-me de um caminhante alertar os outros que passavam: _ Vocês não vão parar? Se há um grupo parado aqui vocês têm que parar também, aposto como vão gostar. Como eu concordava com ele naquele momento! Aquela era realmente uma parada imperdível! São exemplos que ficam, que sensibilizam e que não mais esquecemos. Dificilmente algum outro caminhante tenha parado em tantas casas como nós, uma média entre 10 e 12 casas por dia. Assim tivemos o privilégio de receber o carinho, a solidariedade e o sorriso desse povo simples e humilde, mas com a alma iluminada. Em outros momentos recordava as brincadeiras que fazia para descontrair um pouco e diminuir o estresse. Como no dia em que disse: Bem que dizem que o amor e o ódio andam sempre de mãos dadas. Você amando tudo e eu aqui andando ao seu lado e odiando tudo. Era o suficiente para darmos boas risadas sob aquele sol que me queimava tanto. Lembrava também de quando os 2 caminhantes que levavam uns rolinhos prateados acima de suas mochilas passavam por nós e eu dizia: _Olhe os marcianos! Vamos pedir uma carona na nave deles para chegarmos mais rápido. Foi assim que encontrei forças para não desistir, foi assim que encontrei forças para sempre continuar. Antes de chegarmos ao destino final alcancei uma bênção: o dedo polegar da minha mão direita abria até um certo ponto (pouco por sinal) e notei durante um dos percursos que a minha mão voltou a fazer todos os movimentos normalmente (estava com o dedo travado desde novembro/2005 devido passar muito tempo lixando os oratórios que faço). Fui ao ortopedista e em janeiro deste ano tomei 24 comprimidos antiinflamatórios de 500 mg cada e nenhum sinal de melhora. Fiquei de voltar ao médico para fazer algumas infiltrações no músculo, mas o tempo passou e resolvi deixar para voltar a consultar-me depois das férias, depois de fazer o Caminho da Luz. E aqui estou com o meu dedo totalmente curado! Minha irmã comparou o Caminho com a nossa própria vida e enfrentou todos os obstáculos com força, coragem e determinação. Conseguiu conquistar o cume da Montanha Sagrada. Eu subi até a sua metade, até o Terreirão e, ali, esperei por ela junto à casa de pedra. Achei que minha pele não suportaria o sol lá em cima e também não queria atrapalhar a sua conquista, caso tivesse que voltar antes de atingir o topo. Sei que ela não me deixaria voltar sozinha. Ou talvez para que eu tente novamente e consiga, como ela, alcançar o cume. Talvez também para reencontrar com aquele povo tão especial que mora à beira do Caminho. Quando Patrícia retornou de sua última conquista estava radiante. Foi logo dizendo :- Sabe quem eu fotografei subindo esse mar de pedras? “ O pequeno e GRANDE JOÃO!” Descemos então, juntas, a outra metade da Montanha Sagrada. Terminava ali o nosso último percurso do Caminho da Luz. Estávamos felizes. Ela vitoriosa e eu absorvendo toda aquela “Experiência de Vida”. D. Lucy, sogra de minha irmã, disse-me algo que me fez parar e pensar _ Às vezes basta um “bom pensamento” e estaremos ajudando alguém. Nem sempre a ajuda que uma pessoa está precisando é de bens materiais. Lembrei-me então do filme “QUEM SOMOS NÓS”: _ Imagine o que a força do pensamento pode fazer com nosso corpo. E aqui estou, pensando em um dia voltar a percorrer o Caminho, para enviar muitos “BONS PENSAMENTOS” a todos. Acredito que minha amnésia ocorreu mais cedo do que esperava. Se você nunca percorreu um caminho, experimente! Mesmo com questionamentos, tente! Com determinação e fé chegará até o final. Não desista nunca! Nós chegamos!... Valeu a pena! A energia daquele
Caminho é realmente muito forte. Embora ainda não saiba
lidar muito bem com isso, posso dizer que é fascinante! Amigos queridos... Com carinho, Ana Maciel
anaamaralmaciel@terra.com.br
Caminhada Coletiva 2006 - LINKS http://www.andarilhoscapixabas.com/http://www.paginadeideias.com.br/ Maciel e Ana http://jr-bernardo.sites.uol.com.br/caminhodaluz/caminhodaluz20061.htm JR e Mara
|
|
||||||||||||||||||||||||||||||||